O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve levar minerais críticos à mesa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reunião prevista para quinta-feira (7), em Washington, num encontro ainda alinhado entre Planalto e Casa Branca e atravessado por tarifas, Pix e disputa com a China.
Lula deve viajar aos Estados Unidos nesta quarta-feira (6) e se reunir com Trump na quinta-feira (7), segundo duas fontes do governo brasileiro.
O Planalto ainda ajusta detalhes com a Casa Branca antes da confirmação formal. A pauta provável inclui tarifaço americano, crime organizado e minerais críticos, com retorno de Lula ao Brasil previsto para sexta-feira (8).
Pix, tarifas e investimentos em minerais críticos são três pontos econômicos preparados por integrantes da equipe brasileira. O governo ainda não divulgou oficialmente os temas da conversa.
O fio novo não está no Pix. Está no subsolo brasileiro.
Os Estados Unidos querem reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China em terras raras, lítio, níquel e outros insumos usados em carros elétricos, semicondutores, defesa, energia limpa e tecnologia de ponta. Em fevereiro, Washington propôs um bloco comercial de minerais críticos para atrair aliados e reduzir a força chinesa nesse mercado.
O Brasil entra nessa mesa com algo que Trump precisa: recurso natural estratégico. A questão para Lula não é apenas vender minério, mas evitar que o país repita a velha fórmula colonial, exportar matéria-prima barata e importar produto industrial caro.
A disputa ficou mais concreta em abril, quando a “Terras raras dos EUA” anunciou a compra da brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde explora terras raras em Goiás, e o negócio fortalece a carteira da empresa americana em mineração, processamento e ímãs.
O dado pesa porque terras raras não são raras no nome popular por falta absoluta de minério. Elas são difíceis de extrair, separar e transformar em componentes industriais de alto valor. Quem domina o processamento domina parte da cadeia tecnológica.
A China responde por cerca de 90% da produção global processada de terras raras. Esse controle permite a Pequim influenciar preços e abastecimento em setores sensíveis para os Estados Unidos.
O Brasil, por sua vez, aparece como dono da segunda maior reserva provada de terras raras do mundo, atrás da China. A estimativa é de cerca de 21 milhões de toneladas.
Esse é o ponto de força de Lula na conversa com Trump. O Brasil pode ser parceiro, mas não precisa aceitar papel de almoxarifado mineral de Washington.
O governo discute com o Congresso um novo marco para o setor e defende regras para garantir agregação de valor no país. Em linguagem simples, isso significa tentar fazer no Brasil parte maior da cadeia, do processamento à tecnologia, em vez de mandar o minério embora quase bruto.
Trump chega pressionado pela corrida tecnológica contra a China. Lula chega pressionado por tarifas, pela investigação americana sobre o Pix e pela necessidade de mostrar que soberania não é discurso para comício, mas cláusula de negociação.
O encontro também deve tocar em crime organizado. Circula em Washington a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, embora não haja confirmação de que o tema entrará na conversa.
Esse ponto exige cautela. Uma decisão desse tipo teria impacto jurídico, diplomático e policial, porque mexeria com cooperação internacional, bloqueio de ativos e pressão sobre autoridades brasileiras.
Nos minerais críticos, a cautela é outra. O risco não é apenas diplomático. É industrial.
Se o Brasil assinar um acordo sem transferência de tecnologia, financiamento de processamento local e compromisso com pesquisa, a riqueza sai pelo porto e volta em forma de dependência. Se negociar direito, pode arrancar investimento, fábrica, laboratório e emprego qualificado.
Lula não pode tratar terras raras como brinde de reunião bilateral. O que está na mesa com Trump é uma parte do futuro industrial brasileiro.
A conversa de quinta-feira, se confirmada, colocará frente a frente dois projetos diferentes de poder. Trump quer segurança de suprimento fora da China. Lula precisa provar que o Brasil sabe vender caro aquilo que o mundo descobriu que não pode faltar.
O Brasil tem minério, mercado e território. O teste, agora, é transformar essa vantagem em soberania tecnológica, não em nova dependência com sotaque inglês.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
