O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu do Datafolha de sábado (11) sob pressão, mas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não ganhou licença para desfilar como favorito. Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 35% de Bolsonaro. No segundo turno, o placar é de 46% a 45% para Bolsonaro, dentro da margem de erro de dois pontos. Na avaliação do governo, 40% classificam a gestão como ruim ou péssima, e 29% como ótima ou boa.
Esse é o fato político do domingo (12) em Brasília. A direita ganhou manchete, argumento e ânimo. O Planalto ganhou um alerta. Mas uma coisa é pressão real sobre Lula. Outra, bem diferente, é vender Bolsonaro como candidato com saúde de vaca premiada já em abril.
O motivo está no retrovisor de 2022. Em 24 de março daquele ano, o Datafolha mostrava Lula com 43% e Jair Bolsonaro (PL) com 26%. Em 26 de maio, a distância seguia larga: 48% a 27%. Mesmo assim, a eleição apertou. No primeiro turno, Lula terminou com 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro com 43,20%. No segundo, a diferença caiu para 50,83% a 49,17%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Traduzindo: pesquisa de abril mostra o humor do momento, não entrega o roteiro fechado da campanha. Em 2022, Bolsonaro estava muito atrás no primeiro semestre e quase virou no fim. Em 2026, Lula é quem ocupa o Planalto. Portanto, o empate técnico de agora aperta o presidente, mas também pode enganar o bolsonarismo se virar euforia precoce. Essa leitura é uma inferência baseada no histórico eleitoral recente.
Ou seja, numa leitura reversa, o próprio caso de Jair Bolsonaro tira de Flávio Bolsonaro o direito de cantar vitória antes da hora, porque uma suposta virada em abril não decide eleição, ainda mais com a campanha formal só depois das convenções e da largada de agosto.

O Paraná oferece um exemplo forte dessa cautela. Em Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, então no União Brasil, apareceu com 13,8% em pesquisa de julho de 2024, bem atrás de Mabel Canto, na época pelo PSDB, com 33,1%, e de Marcelo Rangel, PSD, com 27,7%. Na urna, virou a disputa e foi reeleita no segundo turno.
Hoje, Betinha, como é chamada a prefeita pontagrossense, está filiada no PL de Sergio Moro.
O pós-Datafolha, portanto, tem dois efeitos ao mesmo tempo. Ele pressiona Lula porque expõe desgaste no governo e encurta a margem psicológica do presidente. E ele dá munição de festim à direita porque permite a Bolsonaro vender a ideia de que já encostou. O que o levantamento ainda não autoriza é carimbar favoritismo estável para nenhum dos lados.
Brasília deve passar o dia de hoje discutindo isso. Lula saiu ferido da rodada. Bolsonaro saiu inflado. Mas abril ainda está longe de ser outubro. Quem comemorar cedo demais corre o risco de confundir barulho de pesquisa com força consolidada de campanha.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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