Espaço resgata história das mais de 700 mil vítimas. Enfermagem esteve na linha de frente
Por Clara Fagundes, Ascom/Cofen
O Ministério da Saúde inaugurou, nesta terça-feira (7/4), Memorial da Pandemia. O espaço, no Rio de Janeiro, preserva a memória das vítimas da covid-19. Na linha de frente da pandemia, os profissionais de Enfermagem estão entre os mais atingidos.
O ministro Alexandre Padilha destacou, na inauguração, a necessidade de aprender com a experiência e preparar o Brasil para a próxima emergência sanitária. O negacionismo científico e políticas contrárias às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) contribuíram para a alta mortalidade no Brasil Pesquisas indicam que 400 mil das 700 mil mortes poderiam ter sido evitadas.
Os brasileiros chegaram a representar um terço dos profissionais de Enfermagem mortos por covid, conforme levantamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermagem, em janeiro de 2021.
A pandemia de covid transformou os hospitais em campos de morte, com colapso sanitário em locais como o Amazonas. As equipes de Enfermagem enfrentaram discriminação, jornadas exaustivas, falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), decisões difíceis e a dor de ver pacientes partirem sem a presença da família.
Além dos múltiplos casos de contaminação no trabalho, os profissionais precisaram lidar com o sofrimento de pacientes. Da dificuldade, surgiram iniciativas como o Enfermagem Solidária. Gerida pelo Cofen, com apoio de enfermeiros especialistas voluntários, a iniciativa ofereceu apoio e escuta qualificada para profissionais em sofrimento.
“As pessoas diziam aplaudir os profissionais de Saúde, mas rejeitavam os trabalhadores como se eles fossem passar o vírus. Eles estão além do limite. O mais difícil é conseguir uma licença ou alguns dias de folga para que se recuperem”, relembra Dorisdaia Humerez, colaboradora do Cofen que idealizou o projeto.
Seis anos após o início da pandemia, a covid ainda afeta centenas de milhares de brasileiros, que convivem com sequelas da covid longa.
Durante o evento, foi lançada versão impressa do Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do SUS. O documento, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz, consolida orientações para identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da covid-19.
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Luto, justiça e reparação
A criação de um memorial era uma indicação das associações de vítimas da covid. O espaço inclui diferentes instalações que buscam dar dimensão humana à tragédia sanitária. Esculturas externas expressam o sofrimento das pessoas, mas também a solidariedade.
Instalação mostra os nomes das pessoas que faleceram durante a pandemia. Cada uma das 700 mil mortes tem seu nome, a idade, a localização registrados. Elas também estão apresentadas pelas regiões do país, em pilares, com tamanhos diferenciados de acordo com o volume de óbitos.
Memorial Digital
Durante a cerimônia, foi lançado Memorial Digital da Covid. Fruto de parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e Unicamp, o portal é um repositório que preserva coleções digitais de histórias e memórias da pandemia de covid-19, além de reunir publicações e estudos técnico-científicos.
Cada documento preservado é testemunho da experiência brasileira e consolida uma política pública de memória.
Publicação de: Viomundo
