Trabalhadores de aplicativos do DF fazem greve por reajuste e segurança a partir do dia 1º

Os trabalhadores das empresas de entregas por aplicativo do Distrito Federal vão iniciar, no dia 1º de abril, uma paralisação pelo aumento da remuneração da taxa mínima e o reajuste do valor do quilômetro rodado. O movimento grevista vai até o dia 3 de abril e acontece em outras cidades do país a partir desta terça-feira, 29.

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De acordo com a Associação de Motoboys, Autônomos e Entregadores do Distrito Federal (AMAE-DF), cerca de 50 mil trabalhadores de aplicativos – iFood, Uber, Rappi, 99 e outros – que circulam diariamente pelas ruas de Brasília reivindicam ainda maior segurança e a implementação dos pontos de apoio à categoria.

O conselheiro fiscal da AMAE-DF, Abel Rodrigues dos Santos, aponta que o valor pago pelas empresas é insuficiente para arcar com as despesas de manutenção dos veículos e cobrir os reajustes dos combustíveis. “A gasolina toma mais de 35% do valor bruto que cada entregador produz durante o mês”.

O iFood informou ao Brasil de Fato DF que reajustou no mês de março em 50% o valor mínimo do quilômetro rodado de R$1 para R$ 1,50 e da taxa mínima de R$ 5,31 para R$6 “para todos os entregadores cadastrados na plataforma”.

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Para Santos, a remuneração ainda não garante um “valor digno” aos trabalhadores. Ele defende uma taxa mínima em torno de R$7,50 e o quilômetro rodado de R$ 2, no mínimo.

Ele ressalta que a categoria não é valorizada, mesmo se mostrando essencial no dia a dia da população: “Na pandemia foi a categoria que manteve o comércio girando, que manteve o povo comendo e recebendo as coisas em casa sem correr perigo. Nós assumimos todo o risco”.

Na avaliação de Santos, a adesão ao movimento grevista pode chegar a 90% dos trabalhadores, “a categoria está indignada com as condições de trabalho, é horrível. Foi a categoria que não parou” na pandemia, “essencial para tudo e continua sendo desvalorizada”.

Segurança

Além do reajuste, a categoria reivindica a implementação da “faixa azul” nas vias do DF, uma sinalização de segurança para as motocicletas “para trazer melhor organização do trânsito”.

“Nós tivemos treze mortes neste último mês e todos eles eram entregadores, estavam indo buscar o pedido ou indo entregar. As nossas vidas estão em jogo”, destaca o conselheiro.

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A faixa azul é um projeto piloto da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) de São Paulo implementado no mês de janeiro na Avenida 23 de Maio com objetivo de organizar o espaço compartilhado entre os automóveis e as motocicletas e pacificar e humanizar o trânsito.

Ponto de apoio

Dentre as reivindicações, os entregadores de aplicativos pedem melhores condições de trabalho.

 “Não tem nenhum ponto de apoio em funcionamento no DF. De acordo com a lei, o ponto de apoio deveria existir em cada Região Administrativa, com banheiro, água potável, área para descanso. A lei exige que os aplicativos assumam essa responsabilidade desde 2020 e até agora não tem nenhum ponto funcionando”, denuncia Abel dos Santos.

Ele destaca que o “iFood gasta milhões com os restaurantes para oferecerem pontos complementares e não funcionam. Quando chega a reportagem, eles vão lá e montam a área do entregador como se fosse a melhor coisa do mundo. Cadê a fiscalização? Não tem”.

A Lei nº 6.677, de 22 de setembro de 2020, sancionada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) estabelece que a construção, a manutenção e o funcionamento dos pontos de apoio devem ser garantidos pelas empresas de aplicativos de entregas e de transporte individual privado de passageiros.

“O não atendimento ao que determina esta Lei sujeita os infratores a advertência, na primeira infração. Em caso de reincidência, multa e suspensão do cadastro administrativo na Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal ou no órgão que a suceda, por até 30 dias”. Além da perda do cadastro administrativo e inabilitação para operar, até o oferecimento dos pontos de apoio.

A reportagem do Brasil de Fato DF, até o momento da publicação desta matéria, não obteve retorno das demais empresas de aplicativos.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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