O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na quinta-feira (16) a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e empurrou o caso BRB/Master para sua etapa mais pesada até aqui. A Polícia Federal sustenta que ele participou de um esquema para fabricar e transferir carteiras de crédito fictícias ao banco público e teria acertado propina de R$ 146,5 milhões em imóveis.
A decisão também alcançou o advogado Daniel Monteiro, apontado pelos investigadores como operador jurídico do arranjo. Segundo a PF e a decisão citada por Mendonça, mais de R$ 74 milhões já teriam sido rastreados, e o restante só não teria sido pago porque Daniel Vorcaro, dono do Master, teria tomado conhecimento da investigação sigilosa.
A suspeita central é usar dinheiro de um banco controlado pelo governo do Distrito Federal para absorver créditos frios, isto é, papéis sem lastro real, ou créditos podres, de difícil recuperação. A PF fala em ao menos R$ 12,2 bilhões nessas carteiras, em ativos problemáticos, aprovados apesar de alertas internos de governança.
O escândalo, portanto, já atravessou a página policial e entrou na disputa pelo poder em Brasília. O BRB é controlado pelo GDF, o que amplia o desgaste sobre o grupo que comanda o Palácio do Buriti. O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) renunciou para disputar o Senado e passou o cargo à governadora Celina Leão (PP-DF), hoje em busca da reeleição com uma aliança de 12 partidos.
Ex-vice-governadora, Celina já montou a defesa pública do banco. Na terça-feira (14), disse que era preciso separar o que envolve o Master do que envolve o BRB; após a prisão, afirmou que sua gestão colabora com as investigações e tentou isolar responsabilidades. A reação mostra que o caso já bateu em cheio no calendário eleitoral do DF.
Até aqui, não há notícia de ordem judicial contra Ibaneis Rocha. A defesa do ex-governador afirma que ele não acompanhou, não pressionou e não teve ingerência nas operações entre os bancos. Já a defesa de Paulo Henrique Costa diz que ele não cometeu crime e classifica a prisão como desnecessária.
O caso ainda deve render nova pressão na semana seguinte. A Segunda Turma do STF vai analisar entre quarta-feira (22) e sexta-feira (24) se mantém a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro. Isso prolonga o desgaste judicial, financeiro e político sobre um banco que virou problema de campanha no Distrito Federal.
Se a investigação confirmar que o BRB foi usado para empurrar bilhões em ativos ruins e irrigar propina imobiliária, a conta não ficará restrita ao sistema financeiro. Ela cairá no centro da eleição de outubro no DF.
Ibaneis e Celina juram que não sabiam de nada. No entanto, o raciocínio é duro: se sabiam, o problema é gravíssimo; se não sabiam, a omissão também cobra preço político.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.


Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
