O presidente Lula (PT) começou a colher nos setores independentes o desgaste de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o caso BolsoMaster, segundo o Datafolha divulgado na sexta-feira (22). O senador mantém a tropa bolsonarista, mas perdeu tração no eleitorado geral, abriu desvantagem de 47% a 43% no segundo turno e viu crescer a pressão para que a direita discuta outro nome em 2026.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 139 cidades, entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21), com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07489/2026.
O contraste central está entre bolha e eleitorado solto. Entre os próprios eleitores de Flávio Bolsonaro, 88% defendem que ele continue na disputa, mesmo depois das revelações sobre o filme “Dark Horse” e a relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Esse dado impede a leitura apressada de colapso automático da direita.
No eleitorado geral, porém, o quadro é outro. O Datafolha mostra Lula subindo de 38% para 40% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 35% para 31%. No segundo turno, o empate anterior de 45% a 45% virou vantagem de Lula por 47% a 43%.
É aí que está a ferida política. Flávio Bolsonaro segura o voto de identidade, mas perde no eleitor que decide eleição. Esse eleitor não é militante, não se move por lealdade familiar ao bolsonarismo e reage ao custo de uma candidatura associada ao Banco Master, a Vorcaro e ao financiamento do “Dark Horse”.
O Datafolha também registrou que 64% dos entrevistados ouviram falar do caso e que o mesmo percentual avaliou que Flávio Bolsonaro agiu mal. O senador nega irregularidade e sustenta que a relação com Vorcaro envolvia investimento privado para o filme sobre Jair Bolsonaro.
A base bolsonarista tenta transformar a queda em “arranhão”. Aliados de Flávio Bolsonaro disseram que o recuo de quatro pontos no primeiro turno teria migrado para outros nomes da direita e que a candidatura continuaria competitiva. A leitura interessa ao PL, mas não elimina o problema: Lula avançou justamente quando o adversário passou a explicar o escândalo.
No Paraná, esse deslocamento já ganhou forma política. A crise do BolsoMaster foi seguida pelo surgimento de iniciativas plurais e suprapartidárias em defesa da reeleição de Lula. Uma delas ocorreu na noite de quinta-feira (21), em plenária do Instituto Pró-Democracia (IPRODES), reunindo lideranças políticas, jurídicas e da sociedade civil organizada.
Segundo informação levada ao Blog do Esmael, participaram da mesa a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), o ex-governador Mário Pereira, o ex-ministro da Saúde e idealizador do SUS Alceni Guerra (PSB), a deputada estadual Márcia Huçulak (PSD), o vereador Angelo Vanhoni (PT), influencers, integrantes da OAB-PR e líderes de movimentos sociais.
O fato político não é apenas a reunião. É o momento da reunião. A plenária nasceu na carona do caso BolsoMaster e depois de o escândalo retirar Flávio Bolsonaro da zona confortável em que o bolsonarismo tratava sua candidatura como substituição natural de Jair Bolsonaro.
O Paraná ajuda a explicar a mudança. O estado tem uma direita forte, mas também tem setores independentes, jurídicos, empresariais, comunitários e municipalistas que não querem ser arrastados para uma campanha nacional defensiva. O Datafolha nacional não mede o Paraná isoladamente, mas a reação política local mostra como o desgaste federal abre frestas nos estados.
O governador Ratinho Junior (PSD) percebeu esse risco antes da pesquisa. O Blog do Esmael reportou que ele soltou a mão de Flávio Bolsonaro após o BolsoMaster e passou a evitar dividir palanque com Sergio Moro (PL), filiado ao mesmo partido do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A metáfora é direta: Ratinho não quis dividir escova de dentes, isto é, palanque, com Moro e Flávio Bolsonaro.
Essa escolha tem consequência para 2026. Se Flávio Bolsonaro mantém a bolha, Moro, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Cristina Graeml ainda podem disputar a energia do bolsonarismo duro. Se Flávio Bolsonaro derrete entre independentes, a direita paranaense passa a carregar uma marca que mobiliza fiéis, mas afasta o eleitor que decide segundo turno.
Lula entrou nessa fresta. A campanha petista não precisa convencer a base bolsonarista a abandonar Flávio Bolsonaro. Precisa falar com quem não quer votar no PT por hábito, mas também não quer comprar o pacote completo do BolsoMaster, do “Dark Horse” e das explicações do senador.
O Datafolha, portanto, não enterra Flávio Bolsonaro. Ele mostra algo politicamente mais útil para Lula: o senador continua dono da bolha, mas perde oxigênio nos setores independentes. No Paraná, o nascimento de uma frente plural pró-Lula mostra que o escândalo já saiu da planilha eleitoral e entrou na organização concreta da pré-campanha.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
