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O início oficial das campanhas ao governo do Paraná escancarou uma imensa contradição entre a empolgação dos comitês e o silêncio das ruas.
Enquanto os candidatos discursam para convertidos, as pesquisas mostram que até 60% dos eleitores paranaenses continuam sem candidato espontâneo definido.
Esse imenso vácuo de representação rebaixa o peso do oba-oba de palanque e eleva a importância do debate sobre propostas reais de governo.
O Blog do Esmael realizou um pente-fino nos programas oficiais registrados pelas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para responder à pergunta crucial.
Afinal, o que de fato muda na vida do cidadão paranaense sob a gestão de Sergio Moro, Sandro Alex ou Requião Filho?
O “choque de gestão” e o pragmatismo de Sergio Moro
Líder dos cenários estimulados com 46,1% na Paraná Pesquisas e 37% na RealTime, Sergio Moro (PL) tenta capitalizar a imagem de caçador da corrupção.
No papel, seu programa de governo promete reviver o “espírito da Lava Jato”, focando em transparência e cortes de cargos comissionados.
Contudo, quando o tema é o bolso do cidadão, o ex-juiz adota um pragmatismo que contrasta com o radicalismo de seus aliados de extrema-direita.
Moro recuou da tese de privatização imediata da Sanepar, defendendo primeiro um “choque de gestão” para recuperar a eficiência da estatal de saneamento.
O candidato também surpreendeu ao declarar que manterá uma relação “republicana e institucional” com o presidente Lula caso ambos vençam em outubro.
Sandro Alex e a herança privatista do Palácio Iguaçu
Escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para a sucessão, Sandro Alex (PSD) tem como candidato a vice-governador o ex-prefeito Rafael Greca (MDB).
Seu plano de governo é a tradução literal da continuidade, vendendo o Paraná como um estado modelo em eficiência logística e atração de investimentos.
Sandro Alex defende de forma intransigente as novas concessões rodoviárias, tratando o atual modelo de pedágio como referência para o país.
O governista também joga as fichas no aprofundamento das desestatizações, admitindo abertamente que não descarta privatizar a Celepar, cérebro tecnológico do estado.
Trata-se da consolidação de um Paraná voltado ao agronegócio e ao capital privado, mantendo as tarifas e os serviços públicos sob lógicas de mercado.
Três caminhos distintos para as urnas de outubro
A análise dos documentos revela que o eleitorado paranaense tem em mãos três caminhos ideológicos e práticos profundamente divergentes para o futuro do estado.
Sandro Alex oferece a segurança da continuidade empresarial, Requião Filho propõe a rebeldia do controle público e Moro tenta se equilibrar no meio.
Caberá agora aos candidatos traduzir esses calhamaços técnicos em mensagens simples que convençam os 60% de indecisos que ainda observam a disputa em silêncio.
Acompanhe os bastidores das candidaturas majoritárias na nossa editoria eleições 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
