Moro reaviva Lava Jato na disputa pelo PR; Michelle envia vídeo e Flávio Bolsonaro falta

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Sem a presença física do presidenciável do PL, Moro usa discurso para selar paz com o bolsonarismo, acena a Deltan Dallagnol e promete criar “SUS Paranaense” e presídio de segurança máxima.

Em convenção estadual realizada neste sábado (1º), o Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura do senador Sergio Moro ao Governo do Estado do Paraná. A chapa majoritária será composta pelo empresário Edson Vasconcelos (PL) como candidato a vice-governador e terá duas candidaturas ao Senado: o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), selando a aliança entre PL, Novo, Podemos e DC.

Apesar da expectativa em torno da presença do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidenciável não compareceu ao evento em Curitiba. A articulação com a ala nacional do partido ficou representada por uma mensagem em vídeo gravada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que destacou a meta de ampliar a bancada feminina e abençoou a chapa encabeçada por Moro.

A ausência física de Flávio Bolsonaro e o reaparecimento de Michelle Bolsonaro por vídeo mandam um sinal truncado ao eleitorado bolso-lavajatista paranaense. Embora jurarem que as rusgas públicas ficaram no passado, o distanciamento do presidenciável do palanque de Sergio Moro expõe que a reconciliação familiar no PL é mais formal do que estratégica.

O “perdão” de 2022 e a submissão ao palanque nacional

Durante a coletiva de imprensa, Moro foi questionado sobre o desconforto de dividir o palanque com a família Bolsonaro após ter deixado o Ministério da Justiça em 2020 acusando Jair Bolsonaro de interferência na Polícia Federal.

O ex-juiz buscou reconstruir a narrativa ao relembrar a eleição de 2022:

“Em 22 eu não tive o apoio do presidente Jair Bolsonaro, mas fui eleito senador pelo Paraná. No segundo turno recebi uma ligação… Quem me ligou foi o presidente Jair Bolsonaro, que pediu que eu o apoiasse para que nós pudéssemos derrotar o Lula. Apesar de ter algumas divergências e algum ressentimento, eu aceitei essa missão. Desde então nós iniciamos uma reaproximação e agora estamos unidos nesse projeto maior.”

Moro enfatizou que o grupo não vai se “acovardar” diante das disputas em Brasília, alinhando seu discurso ao eleitorado conservador: “É mentira essa história que as brigas de Brasília não importam para nós (…) Esse grupo aqui também vai lutar pelo Brasil (…) e derrotar o Lula e eleger o nosso pré-candidato à presidência, o Flávio Bolsonaro.”

O resgate do fantasma da Lava Jato e farpas ao PT

No discurso aos militantes e filiados, Moro fez uma autodefesa enfática de seu passado na magistratura, tentando transformar a herança da Operação Lava Jato em seu principal capital político:

“Eu sou o juiz da Lava Jato. Eu sou o juiz que comandou a maior operação da história do Brasil contra a corrupção. Poderosos ladrões foram presos e receberam o que mereciam. Eu sou como vocês, aquele que assistiu desconsolado quando, por mentiras e por reviravolta política, jogaram um caminhão de mentiras contra a operação Lava Jato…”

A aliança com Deltan Dallagnol reforça a tentativa de canalizar o eleitorado punitivista no estado, posicionando o grupo como o único representante da “verdadeira oposição” ao Governo Federal e às alianças locais entre PT, PSD e MDB.

Propostas: “Tabela SUS Paranaense” e presídio de segurança máxima

No campo das propostas administrativas, Moro criticou o investimento percentual do Paraná em saúde e anunciou a intenção de replicar no estado o modelo paulista:

  • Saúde: Criação da Tabela SUS Paranaense, oferecendo uma complementação financeira estadual aos hospitais públicos, privados e filantrópicos para reduzir filas e aumentar a oferta de consultas e cirurgias.
  • Segurança pública: Construção de um presídio estadual de segurança máxima focado no isolamento de lideranças do crime organizado, reeditando a pauta de sua gestão no Ministério da Justiça.
  • Participação popular: Lançamento da plataforma digital Juntos Paraná 399 para arrecadar sugestões do eleitorado dos 399 municípios.

Isolamento político e o cenário adversário

Questionado sobre a falta de adesão de grandes partidos do Centrão como o PP, MDB e o PSD do governador Ratinho Júnior, que fecharam com a candidatura de Sandro Alex, Moro minimizou o isolamento:

“Nós não temos nenhuma preocupação com os nossos adversários. Aqui o Novo, PL e Podemos representam a oposição ao que nós assistimos em Brasília. Enquanto esses outros partidos sempre fizeram parte nesses últimos anos da base do governo Lula.”

A convenção consolida a polarização no Paraná: de um lado, a chapa do PL ancorada na memória da Lava Jato e na aliança com o bolsonarismo; de outro, as forças governistas estaduais e a candidatura apoiada pelo Palácio do Planalto.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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