Índice de Tópicos
Para o fundador do MBL, o filho zero um de Jair Bolsonaro “não tem chance de vencer Lula no segundo turno” e atacou Moro por, segundo o líder extremista, abandonar a Lava Jato para entrar na política
O partido Missão lançou oficialmente Renan Santos como candidato à Presidência da República em um discurso de mais de uma hora marcado por forte retórica de extrema-direita, ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao senador Sergio Moro (PL-PR), além da apresentação de um programa centrado em segurança pública, liberalismo econômico e combate ao crime organizado.
O partido Missão oficializou neste sábado (1º) a candidatura presidencial de Renan Santos durante seu congresso nacional, transformando em plataforma eleitoral o discurso construído ao longo dos últimos anos pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Ao subir ao palco, Renan procurou apresentar sua candidatura como alternativa simultânea ao governo Lula e ao bolsonarismo, defendendo que ambos representam projetos políticos esgotados.
Durante mais de uma hora, o candidato alternou ataques pessoais a adversários, promessas de governo e uma narrativa segundo a qual o grupo político formado em torno do MBL teria sido “escolhido” para conduzir uma nova etapa da história brasileira. O tom foi marcadamente messiânico, nacionalista e de permanente confronto político.
Renan iniciou a fala relembrando a criação do MBL em 2014 e atribuiu ao movimento protagonismo no processo que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Também afirmou que o grupo resistiu ao cancelamento político e às derrotas eleitorais até chegar à construção do partido Missão. Essas afirmações refletem a narrativa apresentada pelo candidato durante o evento.
Polarização contra Lula e Flávio Bolsonaro
O eixo político do discurso foi a tentativa de ocupar um espaço à direita do cenário eleitoral sem se identificar com o bolsonarismo.
Renan afirmou que o petismo “condenou” o país ao atraso econômico e social, criticou programas de transferência de renda e acusou o governo Lula de manter a população dependente do Estado. As declarações foram feitas em contexto de campanha e representam a posição política do candidato.
Na sequência, voltou suas críticas ao senador Flávio Bolsonaro.
Segundo Renan, o parlamentar “não tem chance de vencer Lula no segundo turno” e seria o candidato ideal para a estratégia eleitoral do presidente da República. O candidato também afirmou, sem apresentar evidências durante o discurso, que Flávio Bolsonaro teria abandonado as bandeiras defendidas pelo antigo movimento bolsonarista.
Ao longo da fala, o dirigente do Missão repetiu diversas vezes que pretende derrotar simultaneamente o petismo e o bolsonarismo, apresentando seu partido como representante de uma nova direita brasileira.
Moro também virou alvo
Nem mesmo antigos aliados escaparam.
Renan dirigiu críticas ao senador Sergio Moro, a quem chamou de alguém que teria abandonado o legado da Operação Lava Jato ao ingressar na política institucional. Segundo o candidato, Moro teria trocado princípios por cargos políticos, avaliação feita exclusivamente por Renan durante o pronunciamento.
Segurança pública domina o programa
A segurança pública ocupou boa parte do discurso.
Renan prometeu reduzir o número anual de homicídios para menos de 10 mil casos, ampliar o enfrentamento às facções criminosas, fortalecer as polícias e erradicar o domínio territorial do PCC e do Comando Vermelho.
Em diversos momentos utilizou linguagem de confronto e afirmou que pretende eliminar o poder das organizações criminosas caso seja eleito. Algumas dessas declarações recorreram a expressões de forte violência retórica.
Também defendeu transformar favelas em bairros urbanizados, ampliar investimentos em infraestrutura e estabelecer metas rígidas para prefeitos e gestores públicos.
Liberalismo econômico e redução do Estado
Na economia, Renan apresentou um programa de orientação liberal.
Entre as propostas anunciadas estão:
- superávit nominal nas contas públicas;
- redução dos juros;
- expansão da infraestrutura;
- industrialização;
- incentivo ao agronegócio;
- exploração de minerais estratégicos mediante transferência de tecnologia;
- ampliação da geração de energia;
- redução da dependência de programas sociais por meio da expansão do emprego formal.
Também afirmou que pretende reduzir gradualmente o número de beneficiários do Bolsa Família em relação ao total de trabalhadores formais, sustentando que a prioridade de seu governo seria a geração de empregos.
Na área educacional, Renan prometeu priorizar a alfabetização, premiar professores com melhor desempenho e estabelecer metas nacionais para aprendizagem.
Segundo o candidato, o país vive uma crise de alfabetização e de qualidade do ensino básico, problema que classificou como uma das prioridades de eventual governo.
Convocação aos apoiadores
Nos minutos finais, o candidato convocou empresários, lideranças políticas e simpatizantes a se engajarem na campanha do Missão.
Renan afirmou esperar crescimento nas pesquisas eleitorais, disse acreditar que chegará aos debates presidenciais e declarou que sua candidatura enfrentará ataques durante a campanha.
O encerramento ocorreu com palavras de ordem dirigidas aos militantes presentes e um chamado para mobilização nacional em torno da candidatura presidencial do partido Missão.
Até a publicação desta reportagem, Lula, Flávio Bolsonaro e Sergio Moro não haviam se manifestado especificamente sobre as declarações feitas por Renan Santos durante o lançamento de sua candidatura.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
