O Republicanos negou neste domingo, 12 de julho, que tenha fechado apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e rejeitou a informação de que uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) teria sido negociada para o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP). A negativa mantém a sucessão presidencial em aberto e leva a disputa ao Paraná, onde Alexandre Curi e Pedro Lupion precisarão conciliar o projeto estadual de Ratinho Junior (PSD) com a decisão nacional do partido.
A coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro também negou qualquer negociação envolvendo Marcos Pereira. Segundo o comunicado, a hipótese de condicionar um eventual apoio do Republicanos à indicação para o STF nunca teria sido discutida.
Na nota, o Republicanos afirmou que Marcos Pereira se reuniu pela última vez com Flávio Bolsonaro há mais de um mês e que as conversas terminaram sem conclusão. O partido informou ainda ter iniciado consultas a bancadas, executivas estaduais e apoiadores antes da convenção nacional que definirá sua posição presidencial.
A legenda declarou que as primeiras sondagens identificaram “sentimento de frustração” com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e preferência pela neutralidade. O texto não apresenta números, amostra ou metodologia dessas consultas. A expressão representa, portanto, uma avaliação divulgada pela direção partidária, não o resultado verificável de uma pesquisa eleitoral registrada.
O Republicanos também descartou apoio ao presidente Lula (PT). A porta deixada aberta é outra: permanecer neutro ou retomar a negociação com Flávio Bolsonaro até a convenção nacional, prevista para Brasília. A nota nega um acordo concluído, mas não elimina uma aliança futura.
No Paraná, o impasse atinge diretamente Alexandre Curi. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) deixou o PSD e assinou filiação ao Republicanos em 1º de abril, durante ato acompanhado por Marcos Pereira e pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Pedro Lupion.
Pedro Lupion assumiu o comando paranaense do Republicanos em outubro de 2025. Cabe a ele conduzir a legenda no estado durante a montagem das chapas, a negociação com o PSD e a definição do palanque presidencial.
Curi aparece no arranjo governista como pré-candidato ao Senado, enquanto Sandro Alex (PSD) disputa o Palácio Iguaçu com apoio de Ratinho Junior. O projeto depende de uma composição capaz de acomodar Republicanos e PSD sem submeter o grupo estadual ao palanque adversário organizado pelo Partido Liberal (PL) em torno de Sergio Moro e Filipe Barros.
A decisão nacional pode modificar esse equilíbrio. Caso o Republicanos escolha a neutralidade, Curi e Lupion ganham espaço para concentrar a campanha na aliança estadual com o PSD. Se a legenda apoiar Flávio Bolsonaro, os dois terão de explicar como dividirão o mesmo projeto presidencial com um campo que trabalha pela eleição de Moro ao governo e apresenta nomes próprios para as duas vagas paranaenses no Senado.
A nota nacional não informa se Pedro Lupion participou das conversas com Flávio Bolsonaro, se Alexandre Curi foi consultado ou se os diretórios estaduais terão liberdade para escolher seus palanques. Também não esclarece se a negociação nacional inclui compromissos do PL com candidaturas estaduais do Republicanos, condição que já havia aparecido em tratativas anteriores.
O movimento ocorre no mesmo fim de semana em que a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) deixou de colaborar com o plano de governo de Flávio Bolsonaro após relatar ataques de aliados do pré-candidato. Não existe demonstração de que a saída de Damares tenha provocado a nota ou alterado formalmente as negociações entre os partidos, mas os dois episódios revelam dificuldades concretas na aproximação.
A negativa retira da mesa a versão de um acordo fechado e transforma a neutralidade em opção pública do Republicanos. Para Curi e Lupion, a sucessão presidencial deixou de ser assunto distante: a decisão nacional definirá palanque, material de campanha, alianças e adversários no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
