Paes e Benedita lideram no Rio e ampliam força de Lula, diz Paraná Pesquisas

Os candidatos apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideram as disputas pelo governo e pelo Senado no Rio de Janeiro. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira, 2 de julho, mostra Eduardo Paes (PSD) acima de 50% para governador e Benedita da Silva (PT) na primeira posição para senadora. O resultado abre a possibilidade de o campo governista conquistar o Palácio Guanabara e ao menos uma das duas vagas fluminenses no Senado.

No primeiro cenário para governador, Paes alcança 54,2% das intenções de voto. Douglas Ruas aparece com 14,6%, seguido por André Marinho, com 4,9%, Wilson Witzel, com 3,5%, Bombeiro Rafa Luz, com 2,2%, André Português, com 1,9%, e Willian Siri, com 1,1%.

Quando Anthony Garotinho entra na lista, Paes registra 50,7%. Douglas Ruas fica com 13,8%, Garotinho com 9,8%, André Marinho com 4,3% e Wilson Witzel com 3,3%. No confronto restrito entre Paes e Ruas, o pré-candidato do PSD marca 62,1%, contra 23,9% do adversário.

Os números colocam Paes em condições de vencer no primeiro turno caso as intenções declaradas sejam reproduzidas nas urnas. Para governador, a eleição termina na primeira votação quando um candidato obtém mais da metade dos votos válidos, sem considerar brancos e nulos. Pesquisa, porém, é fotografia do período de coleta, não previsão do resultado.

A liderança também mostra estabilidade. No cenário principal, Paes passou de 53% em abril para 54,2% em julho. Na simulação com Garotinho, avançou de 48,3% em junho para 50,7% em julho. No confronto com Douglas Ruas, subiu de 58,8% em abril para 60% em junho e 62,1% em julho.

A aliança entre o PT e o PSD no Rio não é apenas uma hipótese eleitoral. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em maio que o partido apoiará Eduardo Paes e vinculou essa construção à reeleição de Lula. Benedita também declarou que a aproximação é necessária e que o partido mantém conversas e alianças com o pré-candidato do PSD.

Na corrida pelo Senado, Benedita lidera o cenário que inclui Marcelo Crivella (Republicanos). A deputada federal tem 33%, seguida por Crivella, com 25,9%, Márcio Canella, com 21,9%, Pedro Paulo, com 21,5%, Carlos Jordy, com 12,1%, Mauro Campos, com 10%, Monica Benicio, com 9,9%, e Helio Secco, com 4,9%. Cada entrevistado podia indicar até dois candidatos, porque duas cadeiras estarão em disputa.

Benedita manteve a liderança, mas os dados recomendam cautela sobre a segunda vaga. Crivella aparece numericamente à frente, porém está apenas quatro pontos acima de Canella e 4,4 pontos à frente de Pedro Paulo. Com margem de erro de 2,5 pontos percentuais, a segunda cadeira permanece aberta.

No cenário sem Crivella, Benedita sobe para 34,9%. Márcio Canella alcança 25,3% e Pedro Paulo marca 25%, uma diferença de apenas três décimos entre os dois postulantes à segunda vaga. Monica Benicio aparece com 12,6%, Mauro Campos com 12,4%, Carlos Portinho com 10,7% e Helio Secco com 6,1%.

Crivella não integra formalmente a chapa de Lula. Existe, contudo, uma ligação histórica com os governos petistas. O atual deputado do Republicanos comandou o Ministério da Pesca e Aquicultura no governo Dilma Rousseff entre 2012 e 2014. Essa passagem não transforma Crivella em candidato governista em 2026, mas explica por que sua eventual eleição não seria politicamente estranha ao antigo arco de alianças do PT.

Também é fato que Pedro Paulo (PSD) é homem de confiança de Paes, que está sendo apoiado por Lula.

É nesse ponto que a expressão “barba, cabelo e bigode” encontra limite e sentido. Lula tem dois aliados diretos na dianteira, Paes para governador e Benedita para o Senado. Crivella, antigo integrante de um governo petista, lidera numericamente a disputa pela segunda cadeira apenas em uma das simulações. No entanto, um amigo de seu amigo, Pedro Paulo, está embolado na luta pela segunda vaga. Uma vitória dos três daria ao presidente um governo estadual aliado e uma representação senatorial menos hostil, embora não autorize classificar o deputado do Republicanos e do PSD como integrantes automáticos do palanque lulista.

O impacto ultrapassa a política fluminense. No último eleitorado fechado para uma eleição, em 2024, o Rio de Janeiro possuía 13,03 milhões de votantes e era o terceiro maior colégio eleitoral brasileiro, atrás somente de São Paulo e Minas Gerais. Vencer o governo e formar uma bancada competitiva para o Senado significa entregar a Lula estrutura territorial, tempo político e interlocução institucional em um estado decisivo para a eleição presidencial.

A Paraná Pesquisas entrevistou presencialmente 1.600 eleitores de 60 municípios entre 29 de junho e 1º de julho. O levantamento tem margem de erro de aproximadamente 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-04259/2026.

A fotografia de julho favorece Lula, mas também apresenta a tarefa da campanha: transformar a ampla vantagem de Paes em voto presidencial, preservar a liderança de Benedita e definir quem ocupará politicamente a segunda vaga do Rio no Senado.

Acompanhe no Blog do Esmael as pesquisas, alianças e disputas que decidirão as eleições de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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