O MDB e a Federação Brasil da Esperança deram, em Curitiba, em 20 de junho de 2026, o passo mais visível até agora para uma conversa que pode mudar a eleição no Paraná: Baleia Rossi admitiu ao Blog do Esmael que o partido pode indicar o suplente de Gleisi Hoffmann ao Senado, mas essa engenharia obriga Rafael Greca e Requião Filho a resolverem a disputa pelo mesmo Palácio Iguaçu.
A frase de Baleia, presidente nacional do MDB, foi dita em voz alta ao Blog do Esmael após o evento de lançamento da pré-candidatura de Greca ao governo do Paraná. Não foi cochicho de corredor. Foi senha política.
Se o MDB entrar na chapa de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado, a aproximação com a Federação Brasil da Esperança deixa de ser simpatia de palanque e passa a exigir desenho eleitoral formal. A federação reúne PT, PCdoB e PV. Na prática, não se trata de colocar um nome em uma suplência e manter todo o resto igual.
O Blog perguntou à queima-roupa a Sergio Souza (MDB) se ele toparia repetir a suplência de Gleisi. O deputado deu um pulo. Jurou que vai concorrer à reeleição para a Câmara dos Deputados. A reação diz mais que a resposta: suplência de Senado, em 2026, virou peça de poder, não enfeite de chapa.
Em 2010, Sergio Souza foi o primeiro suplente de Gleisi. Ele acabou assumindo a vaga no Senado por três anos, quando a petista foi convocada para o ministério da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.
Além de Sergio Souza, o MDB possui outros quadros com currículo para uma eventual indicação à suplência de Gleisi: Orlando Pessuti e Mário Pereira, ambos ex-governadores do Paraná; Renato Adur, ex-deputado estadual e ex-integrante da estrutura de governo; Alvaro Dias, ex-governador e ex-senador; Karime Fayad, ex-prefeita de Rio Branco do Sul; além de outras lideranças emedebistas. A lista mostra que o problema do MDB não é falta de nomes. É saber qual deles teria densidade política, lealdade ao acordo e disposição para entrar numa chapa com o PT sem romper as costuras internas do partido.
A costura tem um problema grande no centro da mesa. O MDB tem Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, como pré-candidato ao governo. A Federação Brasil da Esperança hipotecou palavra a Requião Filho (PDT) na corrida ao Palácio Iguaçu. São dois nomes, uma cadeira e um adversário comum com musculatura nacional: Sergio Moro (PL).
É aí que a conversa deixa de ser aritmética de suplência e vira disputa de comando. Greca e Requião Filho têm biografias diferentes, estilos diferentes e eleitorados parcialmente sobrepostos, mas carregam a mesma matriz política requianista e circulam com mais naturalidade no campo progressista do que no bolsonarismo paranaense.
O ponto sensível é que nenhum dos dois pode ser tratado como figurante. Greca não saiu da Prefeitura de Curitiba para servir de legenda auxiliar. Requião Filho não ocupou o espaço oposicionista ao governo Ratinho Junior (PSD) para entregar a cabeça da chapa sem custo político. O acordo, se vier, terá de ser de projeto, tempo de televisão, Senado, vice, proporcional e palanque presidencial.
Baleia Rossi abriu uma porta ao antecipar ao Blog do Esmael que o MDB vai liberar os palanques nacionais nos estados. Traduzindo sem verniz: emedebistas poderão escolher entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), sem punição da direção nacional. A liberdade ajuda o Paraná porque reduz o medo de uma aliança local com o campo lulista.
Mas Baleia também deixou uma advertência que pesa sobre Greca: bolsonaristas e lavajatistas não costumam votar em candidatos emedebistas. Essa leitura aproxima o MDB do cálculo frio. Se o bolsonarismo já tem Moro, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) como eixo de campanha, Greca teria pouco a ganhar tentando disputar o mesmo eleitor pela direita.
O Blog do Esmael apurou que Greca e Requião Filho devem voar a Brasília, nos próximos dias, para uma conversa com o presidente Lula sobre a possibilidade de palanque unificado no Paraná contra Moro. A data exata do encontro ainda não foi anunciada publicamente.
A reunião, se confirmada, terá consequência direta sobre a sucessão de Ratinho Junior. Um palanque Lula com Gleisi ao Senado, MDB na suplência e entendimento entre Greca e Requião Filho reduziria a fragmentação do campo antibolsonarista no estado. O efeito imediato seria deslocar Moro para uma disputa menos confortável, porque o ex-juiz deixaria de enfrentar candidaturas progressistas e de centro desorganizadas.
A União Progressista também entra nessa conta. A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) barrou a candidatura de Moro em seu próprio espectro antes de o senador buscar abrigo no PL de Flávio Bolsonaro. Esse histórico torna o bloco uma peça cobiçada para qualquer articulação que tente montar maioria contra o lavajatismo no Paraná.
O recado político é simples: Moro cresceu quando conseguiu transformar sua candidatura em palanque presidencial de Flávio Bolsonaro. A resposta de Lula, Gleisi, Requião Filho, Greca e MDB só terá força se deixar de ser conversa paralela e virar arranjo verificável.
O Paraná já viu muita fotografia de união morrer na primeira disputa por espaço. A diferença, agora, é que o calendário aperta, o Senado tem duas vagas, o governo estadual não comporta dois candidatos do mesmo campo e o bolsonarismo já escolheu seu operador no estado.
Se o MDB lular no Paraná, Greca e Requião Filho terão de sentar à mesma mesa. Se não sentarem, a suplência de Gleisi vira apenas gesto. Se sentarem, a eleição estadual muda de patamar.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura da sucessão no Paraná, das alianças para 2026 e dos bastidores que definem o confronto contra Sergio Moro.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
