Rafael Greca (MDB) marcou para sábado (20), na Sociedade Thalia, em Curitiba, o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Paraná. A véspera do ato desloca a pergunta central: o MDB vai apresentar uma chapa competitiva, com Alvaro Dias ao Senado, prefeitos e deputados no palco, ou apenas reeditar sua memória eleitoral diante da máquina de Ratinho Junior e do palanque de Sergio Moro?
O ex-prefeito de Curitiba chega ao Thalia com nome conhecido, três mandatos na capital e passagem recente pelo governo Ratinho Junior (PSD). Mas eleição estadual não se vence com lembrança administrativa isolada. O evento precisa mostrar se Greca tem partido, base municipal e aliados reais fora de Curitiba.
O Blog do Esmael registrou que o ato foi agendado para sábado (20), das 9h às 13h, na Sociedade Thalia, e deve reunir lideranças do MDB, pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e à Câmara dos Deputados. O convite público de Greca nas redes também convoca apoiadores para o encontro no clube curitibano, com variação de horário nas divulgações.
O detalhe relevante não é protocolar. O que estará em jogo no Thalia é a fotografia política.
Se Alvaro Dias subir ao palco como pré-candidato ao Senado, o MDB sustenta a narrativa de chapa majoritária. Se aparecer apenas como filiado ilustre, a dúvida cresce. Se não houver presença expressiva de prefeitos, deputados e lideranças regionais, Greca ficará com discurso de candidatura estadual, mas corpo de candidatura curitibana.
O MDB anunciou em abril Rafael Greca ao governo e Alvaro Dias ao Senado. No papel, é uma dupla de alto recall. Greca foi prefeito de Curitiba por três mandatos. Alvaro Dias foi governador e senador por quatro mandatos. No chão da política, recall não substitui estrutura, tempo de televisão, capilaridade municipal e palanque regional.
É por isso que o Thalia virou teste de prova de vida.
O centro político do Paraná está espremido entre duas máquinas. De um lado, Ratinho Junior (PSD) tenta empurrar Sandro Alex (PSD) como candidato de continuidade ao Palácio Iguaçu. De outro, Sergio Moro (PL) tenta transformar sua visibilidade nacional em palanque estadual. Greca entra nesse corredor tentando provar que ainda há espaço para uma candidatura de centro com marca própria.
A presença ou ausência de Alvaro Dias terá peso maior que o discurso de Greca. O ex-governador e ex-senador deve participar do lançamento, mas também apontou falta de entusiasmo em relação à disputa ao Senado. O PL de Flávio Bolsonaro vem assediando Alvaro Dias para que ele coordene a campanha presidencial no Paraná, movimento que poderia abrir caminho para candidaturas bolsonaristas ao Senado.
Esse é o ponto sensível para o MDB.
Se Alvaro Dias confirmar a candidatura ao Senado, Greca ganha densidade e o MDB preserva uma chapa com dois nomes conhecidos. Se Alvaro Dias recuar, o partido perde sua peça de maior memória eleitoral para a disputa majoritária e deixa Greca mais exposto à pressão por composição.
A equação também atinge Sandro Alex. Greca foi secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável no governo Ratinho Junior antes de deixar o PSD e migrar para o MDB. Sua candidatura disputa parte do eleitorado de centro que o Palácio Iguaçu precisa para vender Sandro Alex como sucessor natural.
Em Curitiba, a disputa é ainda mais direta. Greca conhece a cidade, tem vitrine administrativa e mantém base política no eleitorado curitibano. Sandro Alex precisa crescer na capital. Moro também depende de Curitiba para consolidar sua largada ao governo. O Thalia, portanto, não será apenas ato do MDB. Será um recado ao eleitorado da capital.
A pergunta é se o recado chega ao interior.
Sem prefeitos e deputados de diferentes regiões, Greca corre o risco de fazer um evento bonito, nostálgico e insuficiente. Com presença robusta, poderá mostrar que o MDB não está apenas guardando lugar na mesa de negociação, mas tentando disputar o governo de fato.
A véspera do lançamento também expõe a fragilidade das candidaturas antes das convenções. Até 5 de agosto, prazo final para definição partidária, pré-candidaturas podem virar alianças, vice, desistência ou moeda de troca. No Paraná, ninguém está definitivamente fora do jogo, mas poucos já provaram que têm jogo próprio.
Greca sabe disso. O MDB também.
O sábado (20) dirá se o partido tem chapa, palanque e Senado. Ou se tem apenas saudade de quando mandava no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
