Simone Tebet leva caso Flávio Bolsonaro ao Conselho de Ética

A pré-candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) cobrou nesta quinta-feira (14) que o Conselho de Ética do Senado Federal apure as denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), depois da divulgação de áudios e mensagens sobre a negociação de recursos com Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Em vídeo publicado nas redes, Tebet endureceu o tom contra o pré-candidato à Presidência. “Não estamos falando de boatos”, afirmou, ao citar “áudios, mensagens” e fatos que, segundo ela, foram admitidos pelo próprio senador. A frase desloca a crise do terreno da fofoca política para o campo da responsabilidade pública.

A cobrança mira o ponto mais sensível para Flávio Bolsonaro: ele não é apenas filho de Jair Bolsonaro nem só pré-candidato em 2026. É senador da República, com mandato, prerrogativas e deveres de decoro. O Código de Ética do Senado prevê procedimentos disciplinares para senadores no exercício do mandato.

A fala de Tebet veio depois da reportagem do Intercept Brasil, publicada na quarta-feira (13), que revelou áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro em negociação com Vorcaro. O valor mencionado na reportagem chegou a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro negou irregularidade e disse que se tratava de patrocínio privado para um filme privado sobre o pai. O senador afirmou não ter oferecido vantagem ilegal, não ter intermediado negócios com o governo e não ter recebido dinheiro.

O problema político, porém, não termina na versão da defesa. Flávio Bolsonaro confirmou em vídeo que Vorcaro havia concordado em financiar o filme, mas sustentou que o acordo era privado e sem contrapartida. A mesma reportagem registrou reação negativa no mercado financeiro após a revelação do caso.

Tebet explorou justamente essa contradição pública. Segundo ela, Flávio “mentiu” ao negar a relação e depois admitir parte dos fatos. A acusação é política, não uma decisão judicial. Mas pesa porque parte de uma ex-senadora que conhece o rito da Casa e agora disputa espaço eleitoral em São Paulo pelo PSB.

No vídeo, Tebet também atacou a imagem moral que o bolsonarismo costuma vender ao eleitor. Ela disse que Flávio Bolsonaro fala “em nome de Deus, da família, dos bons costumes, da moralidade” enquanto mantinha conversa íntima com um banqueiro envolvido no escândalo do Banco Master. É a tentativa de colar no senador a marca que a direita dizia combater.

Os áudios e mensagens foram publicados pelo Intercept Brasil e depois reconhecidos por Flávio Bolsonaro, que apresentou o caso como busca de patrocínio privado para o filme. A reportagem sobre o episódio abriu reação entre aliados e adversários da direita.

A cobrança ao Conselho de Ética tem efeito imediato na disputa presidencial. Se o colegiado abrir procedimento, Flávio Bolsonaro entra na pré-campanha obrigado a responder não só a Lula, à esquerda e aos adversários da direita, mas também aos próprios senadores. Se o Senado engavetar o caso, a conta política pode sobrar para a cúpula da Casa.

Tebet também levantou perguntas duras sobre a finalidade do dinheiro. Questionou se os recursos iriam de fato para o filme, se poderiam servir para lavagem de dinheiro, financiamento político ou enriquecimento. Essas perguntas ainda dependem de investigação. O fato público, até aqui, é a negociação revelada, a admissão parcial de Flávio Bolsonaro e a negativa de irregularidade.

O caso atinge a candidatura de Flávio Bolsonaro no nervo. A direita tenta transformar o vazamento no centro da discussão. Tebet empurra o debate para outro lugar: a origem, o destino e a explicação dos R$ 134 milhões mencionados nas reportagens. Para um pré-candidato que tenta herdar o voto moralista de Jair Bolsonaro, o Conselho de Ética virou ameaça concreta.

A crise do Banco Master já atravessa Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal (STF), mercado financeiro e Congresso Nacional. A entrada de Tebet amplia a frente eleitoral do caso porque leva a cobrança para São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e coloca a disputa ao Senado no mesmo palco da sucessão presidencial.

Flávio Bolsonaro tem direito de defesa, e nenhuma apuração ética ou criminal substitui prova, contraditório e decisão formal. Mas a política cobra explicação antes do processo terminar.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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