Requião Filho e Gleisi marcam lançamento oficial para 30 de maio no Paraná

O deputado estadual Requião Filho (PDT) e a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) terão lançamento oficial de pré-candidaturas em 30 de maio, em ato que pretende marcar o palanque do presidente Lula (PT) no Paraná e organizar a disputa pelos dois votos ao Senado em 2026.

O Blog do Esmael apurou que a reunião de organização das campanhas majoritárias reuniu, na manhã de segunda-feira (4), parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) na sede da legenda, em Curitiba.

O encontro serviu para alinhar a costura política, a agenda de pré-campanha e a comunicação da coalizão progressista no estado. Na retaguarda, o grupo terá o experiente marqueteiro Oliveiros Marques, chamado para ajudar a dar unidade ao discurso de Requião Filho, Gleisi e do campo lulista no Paraná.

A reunião também abriu uma frente delicada para o PT: o segundo voto ao Senado. Em 2026, cada eleitor escolherá dois senadores, porque a eleição renovará dois terços da Casa; no Paraná, isso significa que a disputa não será apenas por uma vaga, mas por duas escolhas na mesma urna.

O problema político é direto. Gleisi entra como nome central da esquerda para o Senado, mas o campo progressista ainda precisa discutir como tratar o segundo voto para evitar que parte do eleitorado lulista acabe empurrada, por falta de orientação política, para candidaturas de centro-direita.

Esse debate não é detalhe de campanha. Em uma eleição com duas vagas, o eleitor pode votar em uma candidatura de esquerda e, no segundo voto, fortalecer um adversário que depois atuará contra o próprio palanque de Lula no Senado.

“Muito importante afinar a viola”, disse André Vargas, vice-presidente do PT, ao resumir o sentido da conversa.

Não é de somenos que o conclave também debateu a definição do vice na chapa para o governo do estado. Um dos nomes aventados é do senador Flávio Arns (PSB), que foi citado no encontro desta manhã.

Além de Requião Filho, pré-candidato ao Palácio Iguaçu, e de Gleisi, pré-candidata ao Senado, participaram o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, Tadeu Veneri, Elton Welter, Professor Lemos e Arilson Chiorato.

A presença de Verri reforça a importância na montagem da chapa. Itaipu segue como ativo político, energético e regional do governo Lula, com capacidade de dialogar com prefeitos, cooperativas, universidades e setores produtivos que não cabem na caricatura bolsonarista do Paraná.

O lançamento em 30 de maio tenta dar forma pública ao que já vinha sendo costurado nos bastidores: uma chapa de esquerda com nome ao governo, nome ao Senado, comunicação profissionalizada, vínculo direto com Lula e preocupação concreta com a ocupação dos dois votos ao Senado.

A disputa estadual chega embaralhada. Sergio Moro (PL) tenta se firmar como candidato ao governo pelo bolsonarismo, Sandro Alex (PSD) foi escalado pelo grupo do governador Ratinho Junior (PSD), Rafael Greca (MDB) busca uma faixa própria pelo centro conservador e Requião Filho tenta concentrar o voto de oposição ao atual arranjo de poder no estado.

No Senado, Gleisi enfrentará uma disputa com nomes competitivos da direita e da centro-direita. Levantamento Quaest divulgado em 27 de abril mostrou Alvaro Dias (MDB), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Alexandre Curi (Republicanos) e Gleisi entre os nomes testados nos cenários paranaenses.

A leitura do PT é que a direita já trabalha com dobradas, máquinas municipais e palanques cruzados. Se a esquerda não discutir o segundo voto, o risco é entregar uma parte do capital lulista a candidaturas que disputarão contra o próprio governo Lula no Congresso.

O palanque Requião Filho-Gleisi, portanto, não disputa apenas governo e Senado. Ele tenta impedir que o Paraná seja entregue, sem resistência, ao consórcio entre Ratinho Junior, Moro e o bolsonarismo.

Lula tem um ativo real na região Sul. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de abril mostrou o presidente acima de 40% na região, patamar que transforma o palanque paranaense em peça relevante da eleição presidencial.

O desafio de Requião Filho e Gleisi será transformar esse voto lulista em força estadual. Isso passa por Curitiba, região metropolitana, Oeste, Norte Pioneiro, universidades, sindicatos, movimentos populares, prefeitos e uma orientação clara para a disputa das duas vagas ao Senado.

A reunião desta segunda-feira (4) indica que o PT decidiu entrar na arrumação antes que a direita ocupe sozinha a pauta estadual. A viola citada por André Vargas terá de tocar em quatro tons ao mesmo tempo: defesa do governo Lula, crítica ao ciclo Ratinho Junior, enfrentamento ao projeto Moro-Flávio Bolsonaro e disputa do segundo voto progressista para o Senado.

A entrada de Oliveiros Marques na retaguarda mostra que a coalizão progressista não quer apenas lançar nomes. Quer disputar narrativa, agenda e linguagem em um estado onde a direita opera comunicação permanente, redes bolsonaristas, prefeitos alinhados e máquina estadual.

O ato de 30 de maio será o primeiro teste público dessa engenharia. Se Requião Filho e Gleisi juntarem militância, partidos, prefeitos, comunicação afiada, voto lulista e estratégia para o segundo voto ao Senado, o Paraná deixa de ser território dado como perdido pela esquerda e vira trincheira nacional de 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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