
Por Larry C. Johnson, no Sonar 21
O debate sobre a possível retomada dos ataques ao Irã foi interrompido por um atirador solitário — supostamente um professor de 31 anos da Califórnia — que correu pelos corredores do Hotel Washington Hilton, onde acontecia o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca. O jantar já foi descrito como o Baile dos Nerds.
O atirador não entrou no salão de baile… Ele foi baleado do lado de fora, após atingir um policial, que teve a oportunidade de testar a eficácia de seu colete à prova de balas.
A mídia está dando grande destaque a este evento como mais uma tentativa de assassinato contra Donald Trump, mesmo que o atirador tenha sido subjugado e preso no saguão do local.
Dada a escassez de informações sobre as duas tentativas anteriores contra Trump — em Butler, Pensilvânia, e no clube de golfe de Trump na Flórida — é compreensível que alguns — eu inclusive — estejam se perguntando se este tiroteio foi real ou uma operação forjada (false flag).
Vamos ver se a Casa Branca manipula este evento nos próximos dias para justificar uma nova política ou ação do governo Trump. Um ataque ao Irã, talvez?
Falando em Irã, Donald Trump continua se comportando de forma errática. Basta ver seus comentários nos últimos dois dias.
Em 24 de abril de 2026 (sexta-feira), o presidente Trump fez diversos comentários sobre as negociações de cessar-fogo/paz em andamento entre os EUA e o Irã, em meio a uma frágil situação pós-conflito envolvendo ataques aéreos, um bloqueio naval e questões relativas ao Estreito de Ormuz :
Em entrevista telefônica à Reuters, ele afirmou que o Irã estava se preparando para fazer uma oferta com o objetivo de atender às exigências dos EUA. Ele disse: “Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, observando que ainda não conhecia os detalhes.
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Questionado sobre os parceiros de negociação no Irã, ele respondeu: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no poder agora”. Anteriormente, ele havia expressado incerteza sobre a liderança iraniana e sobre quem detinha a verdadeira autoridade.
A Casa Branca anunciou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajariam ao Paquistão no dia seguinte (25 de abril) para negociações mediadas pelo Paquistão, com o vice-presidente JD Vance de prontidão. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, observou “algum progresso” por parte do Irã.
Em 25 de abril de 2026 (sábado), Trump cancelou a viagem planejada do enviado depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixou o Paquistão sem um contato direto com os EUA:
Ele publicou um comunicado no Truth Social anunciando o cancelamento, criticando a longa viagem (por exemplo, voos de cerca de 18 horas) e afirmando que não valia a pena para negociações improdutivas. Ele enfatizou que os EUA detinham grande poder de barganha (“Temos todas as cartas na manga”) e que o Irã poderia simplesmente ligar se estivesse falando sério.
Em declarações à imprensa (por exemplo, à Fox News), ele reiterou que não enviaria funcionários para “ficarem sentados conversando sobre nada” e sugeriu que o Irã posteriormente apresentou uma oferta “muito melhor” após o cancelamento. Ele minimizou a possibilidade de uma retomada imediata do conflito.
Nas últimas 48 horas, Trump se contradisse. Na sexta-feira, ele afirmou que a oferta anterior ao cancelamento era insuficiente (“um documento que poderia ter sido melhor”, “ofereceu muito, mas não o suficiente”).
No entanto, ele também disse que, cerca de 10 minutos após o anúncio do cancelamento, o Irã enviou uma proposta “muito melhor”. Mas aqui está o ponto crucial: o Irã apresentou a mesma lista de exigências que havia entregado a Trump duas semanas antes.
Trump descreveu o cancelamento da suposta reunião em Islamabad como uma tática de pressão bem-sucedida que melhorou imediatamente os termos — enquanto, simultaneamente, justificava o cancelamento alegando que a oferta original era ruim.
Isso não é uma estratégia de negociação inteligente, é pura palhaçada.
*Larry C Johnson (@larrycjohnson), blogueiro americano, comentarista político, ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA) e ex-funcionário do Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Publicação de: Viomundo
