A corrida ao Senado segue sem dono no Paraná, enquanto o fraco desempenho de Guto Silva (PSD) abriu no Palácio Iguaçu uma pressão aberta para que Ratinho Junior (PSD) escolha outro nome ao governo antes que a base governista na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) comece a migrar de vez para Sergio Moro (PL).
O ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD) entrou na zona de pressão no Palácio Iguaçu depois que a nova Paraná Pesquisas, divulgada na segunda-feira (13), o mostrou sem tração na corrida ao governo do Paraná. No principal cenário, ele aparece com 3,6%, muito atrás de Sergio Moro (PL), com 46,0%, de Rafael Greca (MDB), com 19,7%, e de Requião Filho (PDT), com 17,7%. Até Tony Garcia (DC), com 1,5%, virou parâmetro constrangedor nos bastidores do governo. Garcia entrou na disputa há apenas uma semana.
No cenário mais enxuto, sem Greca e sem Alexandre Curi (Republicanos), Guto sobe pouco, para 5,9%, enquanto Tony marca 2,3%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Para o Palácio, o problema não é só a distância numérica. É o sinal político. Mesmo com máquina, estrutura e tempo de pré-campanha, o preferido do governador não conseguiu sair da faixa inferior da pesquisa.
O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº PR-06559/2026, ouviu 1.500 eleitores em 56 municípios entre 10 e 12 de abril e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
O vexame ficou ainda mais visível quando a rodada atual foi colocada ao lado da anterior. Em março, Fernando Giacobo (PSD) aparecia com 4,7% no cenário em que Guto tinha 4,5%. Agora, Giacobo saiu do teste, Tony entrou, e Guto caiu para 3,6%. Em outro recorte, Giacobo tinha 5,9% contra 5,5% de Guto; nesta nova sondagem, o pupilo de Ratinho foi a 5,9%, ainda longe de qualquer sinal de arrancada.
A reação no entorno do governo foi imediata. Palacianos passaram a defender que Guto deixe a pré-candidatura para livrar Ratinho Junior de um constrangimento maior adiante. A leitura no centro do poder estadual é a de que insistir num nome que não decola começaria a parecer confissão de acordo branco com Moro, hoje isolado na liderança.
Um palaciano resumiu o incômodo ao Blog do Esmael: “Guto Silva, a despeito de toda estrutura, da máquina, perdeu do Fernando Giacobo na pesquisa passada e nesta ficou empatado com Tony Garcia”. Em seguida, veio o aviso mais duro: “Se mantiver Guto, o governador estará confessando acordo branco com Sergio Moro”.
A pressão não ficou restrita ao Palácio Iguaçu. O movimento já repercute na Alep, onde parte da bancada governista começou a falar em sobrevivência política. O medo é simples: se Ratinho demorar demais para corrigir a rota, deputados, prefeitos e operadores vão acelerar a debandada para a órbita de Moro antes mesmo da largada oficial da campanha.
Dentro do próprio Palácio Iguaçu já começou a debandada rumo à pré-candidatura de Sergio Moro. O advogado Lineu Tomass, experiente operador político do grupo de Ratinho Júnior afirmou ao Blog do Esmael que já se antencipou ao chefe e já está apoiando Moro. Ele corrobora com a análise de que está em curso uma operação palaciana para desembarcar na campanha do ex-juiz em agosto, caso persista a pré-candidatura de Guto Silva.
Esse temor tem base nos próprios números. Moro não apenas lidera em todos os cenários testados, como abriu mais distância nesta rodada. Ele vai de 46,0% a 52,5%, dependendo do adversário. Greca é o governista que melhor rende, com 19,7% num cenário e 21,4% em outro. Alexandre Curi aparece com 11,7% quando testado para o governo. Guto, por sua vez, ficou preso entre 3,6% e 5,9%.
Na espontânea, o retrato também castiga o projeto do secretário. Moro tem 10,7%, Ratinho Junior aparece com 4,0%, Requião Filho marca 2,6%, Greca 1,5%, Curi 1,1% e Guto só 0,5%. Em linguagem de campanha, isso quer dizer o seguinte: o eleitor lembra de Moro, começa a lembrar dos outros nomes mais fortes, mas ainda não enxerga Guto como opção real ao Palácio Iguaçu.
Nem a rejeição ajuda a empurrar o secretário para cima. Guto aparece com 8,7% de rejeição, abaixo de Requião Filho, que lidera esse quesito com 33,5%, e de Moro, com 21,7%. O ponto, porém, não é rejeição baixa. É ausência de desejo de voto. Para quem precisava crescer rápido, ficar com rejeição modesta e intenção microscópica não resolve nada.
O efeito prático dessa rodada é claro. Ratinho Junior continua forte como governador, mas seu nome ainda não transferiu voto para o pupilo. No mundo real da política, isso abre duas saídas: trocar o pré-candidato enquanto há tempo ou assistir à base começar a procurar abrigo em candidaturas mais viáveis, sobretudo na de Moro.
O governo entrou na fase em que insistência pode virar teimosia. E teimosia, em ano de sucessão, custa caro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
