Índice de Tópicos
A convenção estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) confirmou neste domingo (2) o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo deputado federal Sandro Alex (PSD). A definição encerra uma das principais negociações da aliança governista, mas, surpreendeu ao confirmar Álvaro Dias deixa em aberto justamente o capítulo na composição das duas candidaturas ao Senado.
A executiva estadual do MDB recebeu autorização para manter em aberto a definição da segunda vaga senatorial até o prazo final permitido pela Justiça Eleitoral, preservando espaço para novas negociações entre os partidos da base do governador Ratinho Junior (PSD).
Se a chapa ao Palácio Iguaçu foi pacificada, a disputa pelas vagas ao Senado continua mobilizando lideranças partidárias e ampliando a tensão nos bastidores da coalizão governista.
Álvaro Dias adia decisão
Publicamente, o ex-senador Álvaro Dias (MDB) afirmava que ainda avalia o cenário eleitoral antes de confirmar eventual candidatura.
Segundo declarou, Alexandre Curi tem a sua vaga reservada e não faria campanha sem a presença dele na chapa.
Nos bastidores, porém, o Blog já trazia informações sobre “interlocutores relatam que a discussão evoluiu para além da eventual candidatura de Álvaro. O centro da negociação passou a ser a possibilidade de uma chapa conjunta entre Álvaro Dias e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), para disputar as duas vagas ao Senado.”
Integrantes da articulação política afirmavam que Ratinho Junior bancou a manutenção dos dois nomes no mesmo palanque, apostando que ambos ampliariam o potencial eleitoral da candidatura de Sandro Alex ao governo.
Essa estratégia, entretanto, não encontrava consenso dentro da própria base.
Base teme divisão de votos
Parte dos articuladores governistas avalia reservadamente que lançar dois candidatos competitivos ao Senado pode provocar dispersão de votos entre os aliados.
Esse grupo considera que a eleição tende a ser altamente competitiva e observa o desempenho da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), frequentemente citada nas conversas internas como uma das candidaturas mais fortes para uma das duas cadeiras em disputa.
A avaliação desses interlocutores é que, caso Gleisi consolide uma vaga, a disputa pela segunda cadeira poderá concentrar forte competição entre candidatos do próprio campo governista.
Trata-se, porém, de uma leitura política compartilhada por integrantes da base e não de um cenário eleitoral definido.
Pessuti resgata eleições históricas
Em meio às negociações, o ex-governador Orlando Pessuti (MDB) intensificou sua atuação para defender uma candidatura conjunta entre Álvaro Dias e Alexandre Curi.
Em áudio enviado ao presidente da Assembleia Legislativa, ao qual o Blog do Esmael teve acesso, Pessuti recorda diversas eleições para o Senado no Paraná nas quais dois candidatos aliados conquistaram simultaneamente as vagas disponíveis.
Entre os exemplos citados estão:
- 1970 — Accioly Filho e João de Mattos Leão;
- 1986 — Affonso Camargo Neto e José Richa;
- 1994 — Roberto Requião e Osmar Dias;
- 2002 — Flávio Arns e Osmar Dias;
- 2010 — Roberto Requião e Gleisi Hoffmann;
- 2018 — Flávio Arns e Oriovisto Guimarães.
Na avaliação do ex-governador, a experiência histórica demonstra que uma campanha integrada pode fortalecer ambos os candidatos.
Segundo Pessuti, a estratégia seria apresentar os dois nomes de forma permanente ao eleitorado, transformando a campanha numa única operação política.
O ex-governador também afirma ter participado das negociações ao lado de Pedro Dias e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), para construir a aliança entre MDB e PSD.
A política mudou após a ascensão da extrema direita
A leitura de Orlando Pessuti se apoia em uma lógica que predominou durante décadas na política paranaense, quando as principais forças partidárias concentravam a disputa e a máquina governista exercia maior capacidade de transferir votos. O cenário eleitoral, porém, mudou profundamente a partir de 2018, observa Curi.
A ascensão do bolsonarismo e do lavajatismo fragmentou o campo da direita, ampliou o peso do voto ideológico e reduziu a previsibilidade das alianças tradicionais. Nesse contexto, a tese de que a base do governo pode eleger mecanicamente duas cadeiras ao Senado encontra mais obstáculos do que no passado.
A própria eleição de 2018, quando a onda conservadora remodelou o mapa político nacional e estadual, é frequentemente apontada como marco dessa mudança.
Horas decisivas
Com a candidatura de Rafael Greca oficialmente homologada para a vice-governadoria, a principal indefinição da base governista permanece concentrada em uma das duas vagas ao Senado.
Até o encerramento do prazo das convenções partidárias, novas reuniões devem ocorrer entre dirigentes do MDB, PSD e demais partidos aliados para tentar construir um entendimento capaz de unificar o grupo.
A decisão poderá definiu não apenas a composição da chapa majoritária, mas também a estratégia eleitoral do Palácio Iguaçu para uma das disputas mais abertas das eleições de 2026.
A disputa pelas duas vagas ao Senado promete ser um dos principais capítulos da sucessão estadual no Paraná. Acompanhe a cobertura em tempo real no Blog do Esmael e participe do debate nos comentários.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
