Por Ângela Carrato*
A fisionomia do amarra-cachorro mor da família Marinho, Merval Pereira, diz tudo.
A Globo não esperava que o seu debate desta quinta-feira (1/10), o último antes das eleições em primeiro turno, cuidadosamente preparado para ferrar Lula, desse no que deu.
Simplesmente foi cancelado.
Foi cancelado, porque Lula anunciou que não iria e Flávio Bolsonaro disse que também não compareceria.
Não dava para César Tralli comandar um debate apenas com os mequetrefes do Caiado, Zema e Cury, regras 3 do Flávio.
Além de não terem o que falar, esses senhores somados representam uma insignificância em termos de intenções de votos.
Zema, por exemplo, corre o risco de ver seu 1% transformado em pó até domingo.
Enquanto isso, a estratégia de Lula mostrou-se acertada. Sua entrevista ao podcast Flow, no mesmo horário, foi um sucesso. Ele não tinha o que debater com o filho desqualificado, corrupto, amigo de milicianos e dado a orgias, do golpista e prisioneiro Jair.
Mais de 1,5 milhão de pessoas assistiram à entrevista de Lula, com o número de comentários o aplaudindo batendo todos os recordes.
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Na Globo e na Globo News o clima era um misto de indignação com velório.
Os amarra-cachorros da família Marinho se revezavam no vídeo e fora dele para criticar a Justiça que os impediu de colocar um púlpito vazio para marcar a ausência de Lula e igualmente os impediu de permitir que os candidatos mequetrefes fizessem perguntas aos candidatos ausentes.
Flávio, que chegou a pensar que a ausência de Lula iria beneficiá-lo, também desistiu de comparecer ao saber que o candidato do Missão, que lhe é muito crítico, tinha obtido na Justiça o direito de participar do debate.
A noite desta quinta-feira foi de vitória para Lula e o campo progressista.
Por isto mesmo, esse setor precisa redobrar a vigilância nestes dias que antecem às eleições em primeiro turno, diante da possibilidade de Lula liquidar já a fatura.
A mídia corporativa brasileira tem escondido este dado, mas sabe-se que Trump destinou mais de um milhão de dólares para entidades brasileiras dispostas a questionar e desgastar o STF.
A jogada aí é previsível. Diante da derrota de Flávio, a orientação do imperialismo – estadunidense e sionista – é para que não se reconheça o resultado do pleito.
Claro que Flávio topa a parada.
Mas dificilmente esse falso questionamento irá prosperar.
Alguns dos mais conceituados veículos da mídia internacional como The Guardian, Le Monde Diplomatique e Pagina 12 já estão prevendo a vitória de Lula, que arrastou multidões em seus comícios e caminhadas por todo o Brasil, ao passo que os candidatos de oposição quase não tiveram agenda e Flávio levou até ovo na cara por onde passou.
Conhecendo Trump como a mídia internacional conhece, não dá para descartar atuações criminosas como criar alguma falsa perseguição a narcotraficantes ou mesmo bombardear uma favela.
Seria uma situação extrema, que poderia desencadear uma crise tamanha para o próprio Trump, que são raras as pessoas a admitir que ele possa seguir por esta linha.
É importante lembrar que em 3 de novembro, ele enfrentará as eleições de meio de mandato e sua popularidade nunca esteve tão baixa: meros 30%.
Número que indica que os democratas devem vencer as eleições para a Câmara, com chances de vitória também para o Senado.
Na semana passada, 21 deputados democratas e o senador Bernie Sanders assinaram documento condenando qualquer interferência de Trump nas eleições brasileiras. Nesta semana, mais deputados democratas se somaram a eles.
Isso é positivo, mas está longe de significar que a coordenação da campanha de Lula e os setores progressistas brasileiros possam baixar a guarda.
Ao contrário.
Mais do que nunca, nesta reta final da mais importante eleição da história republicana brasileira, todo cuidado é pouco.
*Ângela Carrato é jornalista, professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG, a Universidade Federal de Minas Gerais.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
Publicação de: Viomundo
