Sergio Moro (PL) não vai ao debate da Band neste domingo, 9 de agosto, e deixa Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) para o confronto diante das câmeras. Com a ausência do ex-juiz da Lava Jato, os dois candidatos terão de ocupar o centro do palco e disputar a narrativa sobre quem pode enfrentar Moro na corrida pelo Governo do Paraná.
A fuga do senador muda o roteiro do primeiro grande debate da campanha.
Moro lidera a disputa, mas decidiu ficar fora do confronto televisivo. Com isso, Sandro Alex e Requião Filho passam a dividir uma exposição que, na presença do líder, seria inevitavelmente concentrada nos três principais nomes da corrida.
O debate da Band ocorre em um momento particularmente importante do calendário eleitoral. As convenções partidárias terminaram em 5 de agosto, os pedidos de registro de candidatura podem ser apresentados até 15 de agosto e a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto.
É a primeira oportunidade para os principais candidatos medirem forças publicamente depois da definição das chapas.
Para Requião Filho, o debate representa a chance de consolidar sua posição como principal alternativa ao senador. O candidato do PDT chega à disputa com uma frente formada por PDT, PT, PV, PSOL, PCdoB, Rede, PRD e Solidariedade.
A chapa também levou ao palanque a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) e o ex-prefeito de Curitiba Dr. Rosinha (PT) como nomes ao Senado.
Sandro Alex terá uma tarefa diferente. Candidato do PSD, ele representa o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD), que deixou o Palácio Iguaçu para disputar uma vaga no Senado.
A candidatura reúne uma ampla aliança governista, com PSD, PP, União Brasil, PSDB, Republicanos, Avante, Cidadania e MDB. Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba, foi escolhido como candidato a vice.
O confronto desta noite, portanto, coloca frente a frente dois projetos distintos para o Paraná.
De um lado, Requião Filho tenta apresentar sua candidatura como alternativa ao grupo que administra o Estado. De outro, Sandro Alex precisa defender a continuidade do projeto político de Ratinho Junior sem transformar o debate em mera disputa entre grupos partidários.
A ausência de Moro acrescenta uma questão política ao debate: quem conseguirá aproveitar melhor o espaço deixado pelo líder?
O senador, ao não participar, também evita um primeiro confronto direto com os adversários justamente no momento em que as candidaturas começam a sair da fase de convenções para a campanha oficial.
Para Sandro e Requião, a oportunidade é evidente. Ambos poderão atacar propostas, trajetórias e alianças sem a presença daquele que ocupa o centro da disputa.
Mas existe um risco.
Se os dois concentrarem os ataques um contra o outro, Moro poderá sair indiretamente beneficiado. O eleitor que acompanha o debate pode concluir que a disputa pelo segundo lugar está mais acirrada do que o confronto pelo comando do Estado.
A batalha diante das câmeras será, portanto, também uma batalha pela definição do adversário de Moro.
Requião Filho precisa proteger o espaço conquistado na corrida e mostrar que sua candidatura tem musculatura para chegar ao segundo turno. Sandro Alex precisa reduzir a distância política e eleitoral que separa sua candidatura dos concorrentes.
O debate da Band não decide a eleição, mas inaugura uma nova etapa da disputa.
A partir de 16 de agosto, a campanha poderá ocupar oficialmente rádio, televisão e demais espaços permitidos pela legislação eleitoral. Até lá, cada aparição pública terá peso maior na construção da imagem dos candidatos.
Moro, por enquanto, escolheu não participar desse primeiro duelo.
Sandro Alex e Requião Filho terão de se engalfinhar diante das câmeras.
E o Paraná começa a descobrir, na televisão, como será a disputa pelo Palácio Iguaçu.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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