MDB lança Greca paz e amor ao governo do Paraná

Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba, foi lançado neste sábado (20) como pré-candidato ao governo do Paraná em um evento lotado na Sociedade Thalia, mas com baixa presença de prefeitos e parlamentares; o discurso paz e amor evitou confronto, poupou Ratinho Junior (PSD) e deixou aberta a disputa por apoios até as convenções de agosto.

O MDB colocou Rafael Greca na corrida pelo Palácio Iguaçu no início da tarde deste sábado (20), em Curitiba, com um ato de casa cheia na tradicional Sociedade Thalia. O lançamento teve plateia numerosa, mesa graúda e um problema político visível: a pré-candidatura nasceu com muito nome conhecido no palco, mas ainda com pouca tropa municipal organizada para uma eleição estadual.

Estavam na mesa, além de Greca, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi; o ex-governador e ex-senador Alvaro Dias; o deputado federal Sergio Souza; o ex-governador Orlando Pessuti; o deputado estadual Anibelli Neto; e o ex-deputado Jocelito Canto (PP). A presença de Jocelito não passou despercebida, porque o Progressistas integra a federação União Progressista com o União Brasil, bloco que pode pesar na montagem de palanque, tempo político e capilaridade regional.

Esse é o ponto concreto da largada de Greca. O MDB lançou nome próprio, mas a disputa real começa agora. Sandro Alex (PSD), candidato oficial do governador Ratinho Junior, espera consolidar apoios de partidos aliados ao Palácio Iguaçu, incluindo Podemos, União Brasil e Progressistas. Greca tenta entrar nessa conversa como alternativa mais competitiva para enfrentar Sergio Moro (PL) em eventual segundo turno.

O prazo é curto. Pela regra eleitoral, as convenções partidárias de 2026 acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, Greca precisa convencer o Palácio Iguaçu e os aliados do governo de que sua candidatura tem mais chance de ampliar apoios no segundo turno. A tese emedebista é simples: contra Moro, Greca poderia reunir uma frente mais larga, menos ideológica e mais palatável a setores do centro político.

O problema é que tese não elege candidato sozinha. No Thalia, Greca fez um discurso carregado de erudição, referências religiosas, memória familiar, paranismo e imagens poéticas sobre o estado. Falou em paz, esperança, mãos limpas, coração puro, crianças, universidades, agronegócio sustentável, Porto de Paranaguá, planejamento regional e transporte metropolitano. Foi generoso na forma, mas econômico em propostas concretas.

Também foi generoso com Ratinho Junior, que não compareceu ao encontro emedebista. Greca evitou qualquer crítica ao governador, mesmo disputando espaço com Sandro Alex, o nome escolhido pelo grupo palaciano para a sucessão. O ex-prefeito preferiu uma linha de conciliação, como quem tenta comer a omelete sem quebrar os ovos. Não atacou adversários, não marcou diferença programática forte e não apresentou um contraste claro com o que já está no mercado eleitoral.

Esse foi o Greca paz e amor do Thalia. O tom pode ajudar a preservar pontes com o Palácio Iguaçu, mas também cobra preço. Em uma eleição com Sergio Moro tentando monopolizar o antipetismo e Sandro Alex tentando herdar a máquina estadual, uma candidatura sem conflito nítido corre o risco de parecer acordo antes de parecer projeto.

A presença de Alvaro Dias reforçou a tentativa do MDB de apresentar uma chapa de nomes conhecidos. Alvaro tem memória eleitoral no Paraná e conversa com parte do eleitorado conservador, especialmente em Curitiba e no interior. Mas a mesma fotografia também escancara o tamanho da tarefa: transformar lembrança, capital pessoal e liturgia partidária em palanque municipal, nominata, alianças e intenção de voto.

A presença de Jocelito Canto abriu outra leitura. Se setores da União Progressista se aproximarem de Greca, o MDB pode engrossar o caldo contra Sandro Alex dentro do próprio campo governista. Mas isso depende de decisão partidária, não de gesto de palco. No Paraná, foto política antecipa desejo; ata de convenção confirma poder.

Greca conhece esse jogo. Foi prefeito de Curitiba, circulou pelo governo Ratinho Junior e deixou o PSD para tentar caminho próprio no MDB. A mudança deu visibilidade, mas também o colocou diante de uma pergunta incômoda: ele é candidato para disputar até o fim ou candidato para negociar melhor a posição do MDB na mesa final?

O discurso deste sábado (20) não respondeu plenamente essa pergunta. Ao falar do Paraná como paisagem, memória, fé e obra de arte, Greca reforçou sua marca pessoal. Ao evitar conflito, deixou indefinido o conteúdo político da candidatura. O eleitor ouviu um Greca culto, cordial e devoto da conciliação. O sistema político viu um pré-candidato tentando manter todas as portas abertas.

A eleição, porém, costuma fechar portas antes de abrir urnas. Até 5 de agosto, Greca terá de mostrar se consegue atrair prefeitos, deputados, partidos e estrutura fora de Curitiba. Se não fizer isso, o lançamento no Thalia pode virar apenas uma bela cena de pré-campanha. Se fizer, o MDB passa a ter uma carta real para negociar com o Palácio Iguaçu e tensionar a sucessão de Ratinho Junior.

No Thalia, Greca entrou no jogo sem quebrar pratos. Agora terá de provar que política paz e amor também empilha votos, apoios e convenções.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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