Lula recoloca Desenrola no centro com FGTS no radar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar, após a viagem à Europa, uma nova versão do Desenrola com foco na redução da inadimplência e com uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em estudo. A sinalização foi dada nesta segunda-feira (13) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o desenho final ainda será apresentado ao presidente.

Durigan disse que o governo espera um “impacto grande” para que a população reduza o endividamento. No modelo em elaboração, o FGTS, fundo abastecido pelo empregador para o trabalhador com carteira assinada, aparece como uma das saídas para quitar ou reorganizar dívidas. A equipe econômica trabalha com a hipótese de liberar valores retidos do fundo, em montante preliminar de cerca de R$ 7 bilhões.

O pacote ainda não está fechado, mas o cardápio já apareceu. O governo discute garantia da União para renegociação, descontos que podem chegar a 80% do valor devido, migração para crédito mais barato e restrições a apostas on-line para evitar novo endividamento. O alvo é duplo: baixar a conta velha e tentar conter a conta nova.

A pressa tem motivo. Em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, recorde da série da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, e 29,6% estavam com pagamentos em atraso, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). É nesse aperto que o Desenrola volta ao centro da agenda.

O governo também se apoia em um precedente que funcionou. O Ministério da Fazenda informa que o Desenrola original encerrou sua fase nacional em maio de 2024 com mais de 15 milhões de pessoas beneficiadas, R$ 53 bilhões renegociados e queda de 8,7% na inadimplência do público prioritário.

A janela política já está marcada. Lula embarca na quinta-feira (16) para compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal, conforme agenda oficial divulgada pelo Itamaraty. O anúncio ficou para a volta, mas o recado da equipe econômica já foi dado: o Planalto quer juntar dívida, crédito e consumo popular na mesma vitrine.

No fim, o governo voltou a mexer numa dor concreta do brasileiro endividado. Quando a prestação vence e o juro engole a renda, a crise sai do extrato e entra na política.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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