“A resiliência por trás daquilo que é real, a resistência, a resiliência do eixo da resistência, eu acho é a coisa mais extraordinária. Se você tem…quer dizer as armas ainda não se comparam às armas que o império possui. Mas, mesmo que você tenha armas melhores, se não tiver resiliência, resistência, motivação e fé, todas elas falharão.” (Professor Mohammad Morandi – Irã).
Por José do Vale Pinheiro Feitosa*
Durante 20 anos os Estados Unidos da América atacaram o Vietnã, dividiram o país, bombardearam com napalm, promoveram genocídio, numa escalada tão violenta que a própria sociedade americana rachou quanto ao evento.
Os símbolos da resistência e da resiliência do povo vietnamita foram os túneis pelos quais transportavam armas, alimentos, medicamentos, progrediam forças e surgiam de repente destruindo o inimigo.
Ao longo dos 47 anos da queda do fantoche imposto ao Irã pelos Estados Unidos e a Inglaterra (Mohammad Reza Pahlavi), os americanos promoveram sabotagens, bloqueios, sanções, estimularam uma invasão armada do Iraque, derrubaram aviões de passageiros, promoveram assassinatos e diversos ataques diretos ao país.
A revolução dos aiatolás era santa e terrena. No corpo muçulmano uma profundidade persa. A paciência do longo fazer das civilizações somada ao sacrifício xiita. Compreenderam a tecnologia psicológica e material do grande inimigo: o império embriagado pelo petróleo do Oriente Médio. A farsa do petrodólar para dominar o resto da humanidade.
E voltamos à guerra Underground, de fábricas de armamentos subterrâneas, de estoque inacessíveis pelas bombas devastadores dos Estados Unidos e Israel.
A capacidade de atacar o inimigo no Oriente Médio permanece guardada para tempos cruéis. A guerra das profundezas.
O ambiente no Oriente Médio degenerou e o inferno chegou ao “enclave europeu” na região: Israel e o sionismo finalmente embalado no genocídio. O paradoxo da suposta matriz judaica envolvida em ações que emulam o holocausto da segunda guerra mundial.
A maneira como estas imagens dos atores pervertidos surgem de repente debaixo do chão da história parece embaralhar os velhos modos de veicular a informação.
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As grandes mídias degeneraram amplamente, o Washigton Post do passado da denúncia dos massacres no Vietnã, fez um editorial infame defendendo o assassinato da comitiva iraniana que foi conversar no Paquistão com os americanos.
E, desde a guerra da Ucrânia, na onda das chamadas mídias alternativas, surgiu um grupo de militares americanos, russos, analistas de geopolítica, professores e pensadores que atuam conjuntamente com um debate muito superior a mídia tradicional.
Apesar dos detentores do “tecnofeudalismo” continuarem ativos com seus algoritmos, há uma verdade insuperável, o algoritmo precisa organizar algo que na ponta é ativo, pensa e tem consciência de seu mundo real. A velha consciência do mundo objetivo não se esfumou nas artimanhas imperiais.
A verdade é que nesta guerra da Ucrânia, no sequestro de Maduro e controle do petróleo venezuelano, a ameaça a Cuba, a agressão ao Irã, há um mundo em transformação, com contradições tão intensas que levam à decadência moral dos centros hegemônicos.
A contradição decorre da própria hegemonia e por isso é impossível ajustar-se diante da corrupção que se expande a partir da engrenagem que sustenta o poder hegemônico.
A conta não fecha, uns sabotam aos outros, o ganancioso exaure a poupança e o processo queima o patrimônio existencial.
O grande exemplo vem da segunda guerra mundial, quando se observa a perplexidade e corrupção das lideranças que pareciam extremamente racionais e competentes. Ao final do teatro do horror que foi a aventura alemã se viu a realidade pervertida com a tarjeta de gloriosa.
Anda no cinema uma típica produção hollywoodiana, mas com insights que indicam algo da decadência imperial. O filme Nuremberg, abordando a psicopatologia do gordo e viciado em heroína Hermann Wilhelm Göring, o famoso Reichsmarchall.
Quem tem acompanhado as entrevistas de Donald Trump em mentidos e desmentidos, assistindo ao filme, logo imagina alguma semelhança física com o gestual do roteiro do filme a representar o comandante da Wehrmacht que foi condenado em Nuremberg pelo crime de guerra e contra a humanidade.
Ao final do depoimento, uma vez acossado pela realidade do genocídio do qual foi líder, deu o grito que tentava esconder: Heil Hitler.
*José do Vale Pinheiro Feitosa é médico sanitarista.
*Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
Publicação de: Viomundo
