O jornalista Esmael Morais defendeu na noite de quinta-feira (16), em entrevista aos jornalistas Miguel Rosário e Glauco Faria, da Revista Fórum, que o governo do presidente Lula (PT) trate energia, combustíveis, crédito e eleições como partes da mesma disputa de poder. Na conversa, ele cobrou a reestatização da BR Distribuidora, atacou a ideia de usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), poupança do trabalhador, para aliviar dívidas e afirmou que a fragmentação da direita pode empurrar Lula para uma vitória no primeiro turno em 2026.
A fala mais cortante veio logo na abertura. Ao ser provocado sobre a volta da BR ao controle público, Esmael respondeu que a medida “demorou” e disse que ela deveria ter sido o primeiro ato do governo Lula nessa área. O ponto dele é político: se a recompra aparecer só na reta final, a oposição tentará vender a proposta como lance eleitoral, não como mudança de estrutura.
Na entrevista, Esmael resumiu o ponto que o governo evita encarar: mudança estrutural não cai do céu nem nasce de gabinete, nasce de pressão social organizada. Ao defender a reestatização da BR e outras medidas de fundo, ele disse que “Lula não vai se mexer se não tiver mobilização” e lembrou que o avanço do fim da escala 6×1 só ganhou velocidade porque houve povo na rua, com apoio de movimentos populares, sindicatos e partidos. A leitura dele é direta: energia, transporte e soberania não são pauta de nicho, são urgência nacional, mas só viram prioridade de governo quando encontram lastro na opinião pública e força real de mobilização.
Esmael amarrou esse debate ao bolso do leitor. Disse que o Brasil extrai petróleo, produz combustível e, ainda assim, convive com preços altos porque entregou a distribuição e perdeu capacidade de mandar no preço final. Na mesma linha, citou a retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária (Fafen-PR), em Araucária, para sustentar que privatizar é rápido, mas reconstruir leva tempo porque o desmonte destrói a memória técnica das empresas.
O jornalista também bateu de frente com a hipótese de usar o FGTS para atacar o endividamento das famílias. Segundo ele, o problema não nasce do trabalhador, nasce dos juros altos. Na entrevista, argumentou que mexer na poupança do empregado preserva o sistema financeiro e empurra a conta para quem já paga caro para viver, trabalhar e consumir.
Na sequência, Esmael puxou o Paraná para o centro da discussão. Criticou a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), associou o aumento de apagões à perda de equipes técnicas e alertou para o risco de venda da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), que concentra dados sensíveis da população. A tese foi simples: quando o setor público perde controle de energia, tecnologia e logística, o prejuízo não fica no balanço, cai na vida real.
O caso Banco de Brasília (BRB) e Banco Master entrou na entrevista como prova de que o sistema também apodrece por cima. Ao comentar a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, Esmael disse que a crise já bate no ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e na vice-governadora Celina Leão (PP), porque um esquema desse tamanho, em banco estatal, não explode sem custo político para o governo do Distrito Federal.
No bloco final, a entrevista migrou da economia para a eleição. Esmael avaliou que Lula “escalou bem o time” para 2026, citou movimentos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e afirmou que a direita sofre de canibalismo eleitoral, isto é, cresce só dentro da própria bolha e se divide demais para avançar ao centro. Daí a conclusão dele: o temor real do campo conservador é ver Lula resolver a disputa já na primeira etapa.
Sobre Ciro Gomes (PSDB), Esmael foi ao ponto: a investida de Aécio Neves (PSDB-MG) para puxá-lo de volta ao jogo presidencial expõe o desespero da direita em arrancar votos do centro e impedir que Lula avance para liquidar a disputa no primeiro turno.
A entrevista na Revista Fórum expôs uma linha de raciocínio que o governo ainda evita assumir por inteiro. Para Esmael, não basta administrar danos enquanto tarifas sobem, bancos seguem protegidos e o custo político cai no colo de quem governa. Sem mexer na estrutura, o Planalto continuará reagindo a crises que poderiam ser prevenidas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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