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A pesquisa IRG Pesquisas/Grupo RIC, divulgada nesta sexta-feira (4), mostra Deltan Dallagnol (Novo) na liderança da disputa pelas duas cadeiras do Paraná no Senado quando são somados o primeiro e o segundo votos. O ex-deputado cassado aparece com 35,8% das citações, seguido por Alexandre Curi (Republicanos), com 32,1%, Gleisi Hoffmann (PT), com 27%, e Filipe Barros (PL), com 25,1%.
Superlive: a eleição no Paraná pode terminar no 1º turno?
A soma dos dois votos oferece uma fotografia diferente da simples classificação do primeiro voto. Ela mede quantas vezes cada candidato é escolhido nas duas posições possíveis, revelando quais nomes conseguem ocupar mais espaço entre os eleitores que definem suas duas opções.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro, tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais, intervalo de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-02179/2026.
No primeiro voto, Deltan aparece com 23,7%, Gleisi com 20,2%, Curi com 19,8% e Filipe com 12,3%.
No segundo voto, porém, Filipe Barros sobe para 12,8%, enquanto Deltan registra 12,1%. Curi aparece com 12,3% e Gleisi cai para 6,8%.
É justamente essa combinação que altera a leitura da corrida.
Deltan soma mais, mas Curi encosta
Deltan alcança 35,8% na soma dos dois votos, resultado de 23,7% no primeiro e 12,1% no segundo.
Alexandre Curi chega a 32,1%, com 19,8% no primeiro voto e 12,3% no segundo.
A diferença entre os dois é de apenas 3,7 pontos percentuais na soma das citações.
Gleisi Hoffmann aparece com 27%, resultado de 20,2% no primeiro voto e 6,8% no segundo.
Filipe Barros chega a 25,1%, somando 12,3% no primeiro voto e 12,8% no segundo.
O dado de Filipe merece atenção porque o candidato apresenta praticamente o mesmo desempenho nas duas escolhas. Ele é o único dos quatro principais nomes que registra percentual maior no segundo voto do que no primeiro.
A situação de Gleisi é inversa. A petista tem desempenho forte como primeira opção, com 20,2%, mas cai para 6,8% quando o eleitor é convidado a indicar o segundo nome.
Segundo voto muda o desenho da eleição
A eleição para o Senado tem uma particularidade que não aparece em disputas para cargos com uma única vaga: cada eleitor pode escolher dois candidatos.
Por isso, olhar apenas para o primeiro voto pode esconder parte da força eleitoral de uma candidatura.
No primeiro voto, Deltan, Gleisi e Curi formam um bloco muito próximo: 23,7%, 20,2% e 19,8%, respectivamente. A diferença entre Deltan e Curi é de apenas 3,9 pontos percentuais.
No segundo voto, a ordem muda. Filipe lidera com 12,8%, seguido por Curi, com 12,3%, Deltan, com 12,1%, e Dr. Rosinha, com 12,4%. Na prática, os quatro aparecem dentro de uma faixa de apenas 0,7 ponto percentual.
Esse equilíbrio ajuda a explicar por que a disputa pelas duas vagas continua aberta.
O segundo voto pode ser decisivo para candidatos que não lideram como primeira opção, mas conseguem entrar com frequência na escolha complementar do eleitor.
Cristina Graeml fica atrás do quarteto
Cristina Graeml (PSD) aparece com 15,8% na soma dos dois votos, resultado de 5% no primeiro e 10,8% no segundo.
Ela tem, portanto, uma característica semelhante à de Filipe Barros: seu desempenho cresce significativamente quando aparece como segunda opção.
Dr. Rosinha (PT) soma 15,5%, com 3,1% no primeiro voto e 12,4% no segundo.
A proximidade entre Cristina e Rosinha mostra outro aspecto da corrida: candidaturas com votação menor na primeira escolha conseguem ampliar sua presença quando o eleitor é chamado a indicar o segundo nome.
Karen Guerreiro (Missão) chega a 2,3%, Joaquim do MLB (UP) a 0,7% e Marcelo Marcelino (PCO) a 1%.
Ranking pela soma dos dois votos
Considerando apenas a soma das citações de primeiro e segundo votos, o ranking da pesquisa IRG fica assim:
1º Deltan Dallagnol: 35,8%
2º Alexandre Curi: 32,1%
3º Gleisi Hoffmann: 27%
4º Filipe Barros: 25,1%
5º Cristina Graeml: 15,8%
6º Dr. Rosinha: 15,5%
7º Karen Guerreiro: 2,3%
8º Marcelo Marcelino: 1%
9º Joaquim do MLB: 0,7%
A classificação, entretanto, precisa ser lida com uma ressalva metodológica importante: a soma não significa que esses percentuais correspondam à quantidade de eleitores que efetivamente votariam em cada candidato. Um mesmo eleitor pode citar o mesmo conjunto de candidatos nas duas posições, e os percentuais representam respostas em cada pergunta.
Ainda assim, a soma funciona como indicador da presença de cada candidatura entre as duas escolhas disponíveis.
O dado que mantém a eleição aberta
O principal fator de incerteza continua sendo o tamanho do eleitorado sem decisão consolidada.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 62,2% não sabem ou não responderam.
Deltan aparece com 11,6%, Gleisi com 9,3% e Curi com 7,2%. Filipe Barros registra 3,2%.
A distância entre a espontânea e a estimulada mostra que uma parcela relevante do eleitorado ainda depende do reconhecimento dos nomes apresentados pelos entrevistadores.
Deltan, por exemplo, passa de 11,6% na espontânea para 23,7% no primeiro voto estimulado. Gleisi vai de 9,3% para 20,2%, enquanto Curi sobe de 7,2% para 19,8%.
O quadro reforça a importância da campanha eleitoral, dos programas de rádio e televisão, dos debates e da capacidade de cada candidatura de transformar conhecimento em voto.
Quem está melhor posicionado para duas vagas?
Pela soma das duas escolhas, Deltan Dallagnol é o candidato mais citado, com 35,8%.
Alexandre Curi aparece logo atrás, com 32,1%, e tem uma distribuição mais equilibrada entre primeiro e segundo voto: 19,8% e 12,3%.
Gleisi Hoffmann está em terceiro na soma, com 27%, sustentada principalmente pelo primeiro voto.
Filipe Barros, embora esteja em quarto na soma, apresenta uma característica eleitoral relevante: é mais lembrado como segunda opção do que como primeira.
Isso produz quatro estratégias diferentes para a campanha.
Deltan precisa preservar a liderança e transformar parte de seus segundos votos em primeiras escolhas.
Curi precisa ampliar sua primeira opção e manter a força no segundo voto.
Gleisi precisa aumentar sua presença como segunda escolha, enquanto Filipe tem espaço para tentar converter seu desempenho no segundo voto em primeira opção.
A corrida ao Senado no Paraná, portanto, não é apenas uma disputa pelo primeiro lugar. São duas cadeiras e duas escolhas por eleitor, e os números do IRG mostram que a capacidade de cada candidato de aparecer nas duas posições pode alterar o resultado.
Com Deltan liderando a soma, Curi próximo, Gleisi ainda competitiva e Filipe forte no segundo voto, a fotografia atual aponta quatro candidaturas no centro da disputa pelas duas vagas.
E o percentual de 62,2% de indecisos na espontânea deixa claro que a fotografia ainda pode mudar bastante até a votação.
Acompanhe no Blog do Esmael a evolução das pesquisas e os movimentos das campanhas na disputa pelas duas vagas do Senado no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
