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A nova pesquisa do Grupo RIC/IRG, divulgada nesta sexta-feira (4), apresenta um retrato diferente da corrida pelo Governo do Paraná em relação ao levantamento da Paraná Pesquisas divulgado na quinta-feira (3). Sergio Moro (PL) continua na liderança, mas a distância para os adversários muda conforme a forma como a pergunta é feita, especialmente quando os candidatos aparecem acompanhados dos respectivos vices.
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No cenário estimulado do IRG com as chapas completas, Sergio Moro e Edson Vasconcelos (PL) aparecem com 38,8% das intenções de voto. Sandro Alex (PSD) e Rafael Greca (MDB) têm 27%, enquanto Requião Filho (PDT) e Michele Caputo (Solidariedade) chegam a 21,8%.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro. A margem de erro é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-02179/2026.
O resultado chama atenção porque a Paraná Pesquisas, divulgada um dia antes, apresentou outro desenho: Sergio Moro tinha 45%, Requião Filho, 24%, e Sandro Alex, 17,5%.
A diferença, porém, não permite concluir automaticamente que um instituto esteja “certo” e o outro “errado”. Há uma mudança objetiva no instrumento de pesquisa.
A pergunta que muda a fotografia
A IRG colocou diante do eleitor as chapas completas. Moro foi apresentado junto com Edson Vasconcelos; Sandro Alex, com Rafael Greca; e Requião Filho, com Michele Caputo. O levantamento também testou cenários de segundo turno com os vices.
Na Paraná Pesquisas, o cenário divulgado para o primeiro turno aferiu os candidatos ao Governo sem essa composição com os vices.
Isso é decisivo para a leitura dos números.
Comparar diretamente os 45% de Moro na Paraná Pesquisas com os 38,8% da chapa Moro/Vasconcelos no IRG como se fossem duas medições idênticas seria metodologicamente inadequado.
A diferença entre os levantamentos pode envolver, portanto, não apenas o momento da coleta, mas também a formulação da pergunta, a apresentação dos nomes e a composição das alternativas oferecidas ao eleitor.
Os períodos de campo foram praticamente coincidentes. O IRG entrevistou eleitores de 31 de agosto a 3 de setembro, enquanto a Paraná Pesquisas realizou sua coleta de 31 de agosto a 2 de setembro.
As duas pesquisas também trabalham com amostras semelhantes e nível de confiança de 95%, embora o IRG tenha ouvido 1.200 pessoas e a Paraná Pesquisas, 1.280.
Moro continua na frente, mas a margem depende da régua
O dado mais consistente entre as duas pesquisas é a liderança de Sergio Moro.
O que muda é o tamanho da vantagem e, principalmente, quem aparece como principal adversário.
No levantamento do IRG com os vices, Moro/Vasconcelos registra 38,8%, contra 27% de Sandro Alex/Greca. A diferença é de 11,8 pontos percentuais.
Requião Filho/Michele Caputo aparece em terceiro, com 21,8%, 5,2 pontos atrás de Sandro.
Na Paraná Pesquisas, Moro tinha 45%, Requião Filho 24% e Sandro Alex 17,5%.
Ou seja: o IRG também coloca Moro na frente, mas apresenta Sandro Alex em segundo lugar, enquanto a Paraná Pesquisas coloca Requião Filho na segunda posição.
Esse é o principal conflito entre as duas fotografias eleitorais.
Sandro e Requião travam a disputa pelo segundo lugar
A diferença entre Sandro Alex e Requião Filho é particularmente relevante.
No IRG, Sandro aparece com 27%, contra 21,8% de Requião. A vantagem é de 5,2 pontos.
Na Paraná Pesquisas, ocorre o inverso: Requião marca 24%, contra 17,5% de Sandro. A vantagem de Requião é de 6,5 pontos.
Não se trata, portanto, de uma simples oscilação dentro da margem de erro. Os dois institutos produziram ordens diferentes para o segundo lugar.
Mas a explicação não deve ser procurada apenas no comportamento do eleitor.
O IRG introduziu na pergunta o nome dos vices, enquanto a Paraná Pesquisas trabalhou com os titulares. A presença de Rafael Greca ao lado de Sandro Alex e de Michele Caputo ao lado de Requião Filho pode alterar a resposta de parte do eleitorado.
O próprio desenho do levantamento do IRG foi concebido para medir esse efeito. A pesquisa testou cenário estimulado com vices, cenário espontâneo, rejeição e três simulações de segundo turno.
A espontânea revela um eleitorado ainda em formação
Quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, o quadro muda bastante.
No cenário espontâneo do IRG, 54,3% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Sergio Moro aparece com 18,4%, Sandro Alex com 10,4% e Requião Filho com 9,2%.
O número de eleitores que não apresentou espontaneamente um nome é um dos dados mais importantes da pesquisa porque mostra que a campanha ainda está longe de ter transformado todos os candidatos em escolhas consolidadas.
A diferença entre a pesquisa estimulada e a espontânea também recomenda cautela com qualquer interpretação de que a eleição já esteja definida.
Rejeição cria obstáculo para Requião
Outro dado relevante do IRG está na rejeição.
Requião Filho registra 43,8%, enquanto Sergio Moro aparece com 28,6%.
Sandro Alex tem 4,3%.
A rejeição não determina o resultado de uma eleição, mas estabelece um limite político para o crescimento de uma candidatura. Quanto maior a parcela do eleitorado que declara não votar em determinado candidato, maior tende a ser a dificuldade para ampliar sua votação em uma disputa de segundo turno.
Nesse quesito, o levantamento apresenta um contraste importante entre os três principais candidatos.
Requião tem a maior rejeição, Moro ocupa uma posição intermediária e Sandro aparece com índice significativamente menor.
Segundo turno mostra outra eleição
O IRG também testou três disputas de segundo turno.
Contra Sandro Alex e Rafael Greca, Sergio Moro e Edson Vasconcelos aparecem com 44,8%, contra 40,5% da chapa adversária. A diferença é de apenas 4,3 pontos percentuais.
Já contra Requião Filho e Michele Caputo, Moro/Vasconcelos chegam a 57,5%, enquanto Requião/Michele ficam com 31,2%.
No terceiro cenário, Sandro Alex/Greca aparecem com 52,9%, contra 28,6% de Requião/Michele.
O desenho sugere que a disputa mais competitiva, entre os cenários testados, é Moro contra Sandro.
Essa leitura também apareceu em levantamento anterior do próprio IRG, divulgado em agosto, quando Moro tinha 40,2%, Sandro 24,8% e Requião 21% no cenário com os vices. Naquela rodada, o segundo turno entre Moro e Sandro registrava 42,7% a 38,1%.
O que o eleitor deve comparar nas pesquisas
A sequência de levantamentos deixa uma lição básica para a campanha: pesquisa eleitoral não é apenas uma tabela de percentuais.
É preciso olhar quem foi entrevistado, quando foi entrevistado, quantas pessoas participaram, qual foi a margem de erro, quais nomes foram apresentados e, principalmente, qual pergunta foi feita.
No caso do IRG e da Paraná Pesquisas, os períodos de coleta praticamente se sobrepõem. A metodologia também é semelhante em aspectos importantes. A diferença mais visível está na apresentação das candidaturas ao Governo.
O IRG mede explicitamente o efeito das chapas com seus respectivos vices. A Paraná Pesquisas mede os titulares.
Por isso, o confronto mais correto não é dizer simplesmente que “Moro caiu” ou que “Sandro disparou”.
O que os dados permitem afirmar é que os dois levantamentos confirmam Moro na liderança, mas divergem sobre quem ocupa a segunda posição e sobre o tamanho da vantagem do líder.
Essa divergência é justamente o dado político mais interessante desta rodada de pesquisas.
Com o horário eleitoral em andamento, a próxima fotografia terá ainda mais peso: ela poderá começar a mostrar se as diferenças entre os institutos são apenas efeito metodológico ou se existe, de fato, uma mudança na distribuição dos votos entre Sandro Alex e Requião Filho.
A corrida pelo Palácio Iguaçu, portanto, continua aberta na disputa pelo segundo turno.
Serviço da pesquisa
Instituto: IRG Pesquisas
Contratante: RIC TV/Record
Registro: PR-02179/2026
Amostra: 1.200 entrevistas
Campo: 31 de agosto a 3 de setembro de 2026
Margem de erro: 2,83 pontos percentuais
Confiança: 95%
Valor: R$ 32 mil.
Leia também: a cobertura do Blog do Esmael sobre a sequência de pesquisas eleitorais no Paraná e o impacto do horário eleitoral na sucessão de Ratinho Junior.
Acompanhe o Blog do Esmael para os próximos levantamentos e a análise dos números da eleição no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
