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Paraná Pesquisas mostra avanço de Deltan, recuo de Filipe e disputa apertada entre Curi e Gleisi pelas duas vagas ao Senado
A corrida pelo Senado no Paraná mudou de configuração com o início oficial da campanha. A nova Paraná Pesquisas mostra Deltan Dallagnol em forte alta, enquanto Filipe Barros recua, e coloca Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e o deputado do PL separados por apenas 3,6 pontos percentuais. Como o eleitor escolherá dois senadores, a questão central deixou de ser apenas quem lidera e passou a ser quem conseguirá formar a dupla vencedora.
No levantamento realizado entre 13 e 16 de agosto, Deltan aparece com 34,0%, Alexandre Curi com 29,6%, Gleisi Hoffmann com 28,1% e Filipe Barros com 26,0%. Cristina Graeml marca 17,2%.
A pesquisa ouviu 1.520 eleitores em 65 municípios do Paraná, tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09048/2026.
O dado que muda a leitura da disputa, entretanto, está na comparação com as duas rodadas anteriores da Paraná Pesquisas.
Deltan sobe 5,9 pontos; Filipe perde 2,9
A série histórica mostra movimentos opostos entre Deltan Dallagnol e Filipe Barros.
Deltan tinha 30,5% em junho, caiu para 28,1% em julho e agora chegou a 34,0%. Na comparação com julho, ganhou 5,9 pontos percentuais.
Filipe Barros tinha 30,0% em junho, passou a 28,9% em julho e caiu para 26,0% em agosto. A perda desde julho foi de 2,9 pontos.
Os três levantamentos têm registros diferentes: junho, PR-06978/2026; julho, PR-01166/2026; agosto, PR-09048/2026. A própria Paraná Pesquisas apresenta os três registros na tabela comparativa.
A distância entre Deltan e Filipe, que era de apenas 0,5 ponto em junho e de 0,8 ponto em julho, chegou a 8 pontos em agosto.
Não é possível afirmar, apenas com esses dados, que os votos perdidos por Filipe tenham migrado para Deltan. A pesquisa mede a intenção de voto de cada candidato, mas não identifica a origem dos votos que cada um ganhou ou perdeu.
O fato verificável é que as curvas se afastaram de maneira expressiva no início da campanha.
Curi, Gleisi e Filipe formam o bloco apertado
Enquanto Deltan abriu vantagem, a segunda faixa da disputa ficou comprimida.
Alexandre Curi passou de 28,9% em junho para 31,2% em julho e 29,6% em agosto.
Gleisi Hoffmann foi de 27,9% para 28,7% e depois 28,1%.
Filipe Barros, por sua vez, fez o caminho inverso e chegou aos 26,0%.
Curi e Gleisi estão separados por apenas 1,5 ponto percentual. Entre Curi e Filipe, a diferença é de 3,6 pontos.
Considerando a margem de erro de 2,6 pontos, a fotografia mostra uma disputa numericamente apertada pela segunda vaga.
A pesquisa não permite cravar quais dois candidatos serão eleitos. Ela mostra apenas a posição das candidaturas no momento em que os eleitores foram entrevistados.
A eleição terá duas cadeiras
O detalhe decisivo da corrida é a própria regra da eleição.
Em 2026, o Paraná escolherá dois senadores. Por isso, a pesquisa da Paraná Pesquisas permite que cada entrevistado cite até dois candidatos. Os percentuais, portanto, não somam 100%.
Essa característica muda a matemática da disputa.
Um eleitor pode, por exemplo, escolher um candidato de direita e outro de centro ou esquerda. Pode também concentrar os dois votos em nomes do mesmo campo político.
A pesquisa divulgada em agosto, porém, não apresenta nesse quadro a combinação individual dos dois votos. Portanto, não há base para afirmar quantos eleitores escolheriam simultaneamente Deltan e Curi, Deltan e Filipe, Curi e Gleisi ou qualquer outra dupla.
O que existe é uma corrida em que o segundo voto pode ser decisivo.
Deltan virou o primeiro nome da corrida?
O salto de Deltan produz uma mudança objetiva na fotografia eleitoral.
Em julho, o ex-procurador estava numericamente atrás de Filipe. Um mês depois, abriu 8 pontos de vantagem sobre o deputado e passou a liderar isoladamente o levantamento.
Isso não significa que a vaga esteja garantida.
A pesquisa tem margem de erro, mede intenção de voto e foi realizada antes do desenvolvimento de toda a campanha. Além disso, ainda há uma segunda cadeira em disputa.
A liderança de Deltan pode ser lida como vantagem individual, mas a eleição será definida pela soma dos dois nomes mais votados.
É justamente aí que começa a disputa mais interessante.
Curi e Gleisi disputam a segunda posição
Alexandre Curi e Gleisi aparecem praticamente empatados.
Curi caiu 1,6 ponto em relação a julho, enquanto Gleisi recuou 0,6 ponto. As oscilações foram pequenas diante da margem de erro.
A diferença de 1,5 ponto entre os dois coloca a disputa pelo segundo lugar em uma zona de forte proximidade estatística.
Mais abaixo, Filipe está a 2,1 pontos de Gleisi.
Na prática, a fotografia mostra Deltan destacado e três candidatos disputando uma faixa muito mais estreita.
A eleição, porém, não entrega prêmio ao segundo colocado. Entrega duas cadeiras aos dois candidatos mais votados.
Filipe perdeu espaço justamente no começo da campanha
A evolução de Filipe é um dos dados politicamente mais relevantes da rodada.
O candidato começou a série em junho com 30,0%, praticamente empatado com Deltan, que tinha 30,5%.
Em julho, os dois continuaram próximos: Filipe marcou 28,9%, contra 28,1% de Deltan.
Em agosto, o quadro mudou.
Deltan saltou para 34,0%, enquanto Filipe caiu para 26,0%.
A diferença passou de 0,5 ponto em junho para 8 pontos em agosto.
O movimento merece acompanhamento nas próximas pesquisas porque ocorreu justamente na transição entre a fase pré-campanha e o início oficial da disputa.
Cristina recupera quatro pontos
Cristina Graeml também apresenta uma mudança relevante na série.
A candidata tinha 17,4% em junho, caiu para 13,2% em julho e voltou a 17,2% em agosto.
A recuperação foi de 4 pontos percentuais em relação à rodada anterior.
Cristina, entretanto, continua atrás dos quatro principais candidatos.
O dado ganha importância pela característica de voto múltiplo da eleição. Uma candidatura abaixo dos líderes ainda pode interferir na composição das duas vagas ao disputar o segundo voto de parcelas do eleitorado.
A matemática da dupla
A nova pesquisa muda a pergunta que deve orientar a cobertura da corrida pelo Senado.
Não basta perguntar quem está em primeiro.
É preciso saber quem tem condições de formar uma dupla capaz de ocupar as duas cadeiras.
Deltan aparece hoje como o candidato mais forte individualmente. Curi, Gleisi e Filipe estão separados por uma margem estreita. Cristina recuperou terreno e permanece em uma faixa capaz de influenciar a composição do eleitorado.
Mas a pesquisa não mede as duplas.
Por isso, combinações como Deltan e Curi, Deltan e Gleisi, Curi e Gleisi, Filipe e Cristina ou outras possibilidades devem ser tratadas como hipóteses políticas, não como resultado da sondagem.
O próximo passo da campanha será justamente descobrir quais candidatos conseguem transformar preferência individual em voto casado.
Três pesquisas, uma mudança de cenário
A série da Paraná Pesquisas permite visualizar a mudança sem depender de uma fotografia isolada.
| Candidato | Junho | Julho | Agosto | Variação julho-agosto |
|---|---|---|---|---|
| Deltan Dallagnol | 30,5% | 28,1% | 34,0% | +5,9 pp |
| Alexandre Curi | 28,9% | 31,2% | 29,6% | -1,6 pp |
| Gleisi Hoffmann | 27,9% | 28,7% | 28,1% | -0,6 pp |
| Filipe Barros | 30,0% | 28,9% | 26,0% | -2,9 pp |
| Cristina Graeml | 17,4% | 13,2% | 17,2% | +4,0 pp |
Os registros são PR-06978/2026, em junho; PR-01166/2026, em julho; e PR-09048/2026, em agosto.
A tabela mostra o fato novo da suíte: Deltan foi de segundo colocado em julho para líder isolado em agosto, enquanto Filipe deixou o bloco da liderança e caiu para quarto.
A nova Paraná Pesquisas é a primeira fotografia divulgada depois da oficialização das candidaturas e do início da campanha.
O resultado mostra que a disputa pelas duas vagas ainda está aberta.
Deltan ganhou força e abriu vantagem. Curi e Gleisi continuam próximos. Filipe perdeu espaço. Cristina recuperou parte da queda registrada em julho.
A pergunta que passa a dominar a eleição não é apenas quem está na frente.
É quais dois candidatos conseguirão chegar juntos ao Senado.
A resposta dependerá da capacidade de cada campanha de transformar seu eleitorado principal em voto principal e, principalmente, de conquistar o segundo voto de quem ainda pretende escolher dois nomes.
Fonte: Paraná Pesquisas, registros TSE PR-06978/2026, PR-01166/2026 e PR-09048/2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
