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Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) foram sabatinados nesta segunda-feira (17) pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR), em uma rodada de perguntas sobre precatórios, saúde, educação, segurança, infraestrutura, transparência e direitos humanos.
A OAB-PR reuniu os três principais candidatos que participaram da agenda na Sala Cidadania e Democracia, na sede da entidade, em Curitiba. As sabatinas tiveram duração aproximada de 35 minutos, com regras iguais para os participantes.
O presidente da OAB-PR, Luiz Fernando Casagrande Pereira, afirmou que a iniciativa busca contribuir para uma eleição informada e para o debate democrático. As comissões da entidade também prepararam uma Carta de Compromisso com a Advocacia, a Justiça e a Cidadania Paranaense, entregue aos candidatos.
O formato estabeleceu abertura institucional, apresentação inicial, perguntas sorteadas a partir de macrotemas definidos pela OAB-PR e considerações finais.
Precatórios colocam candidatos diante de posições diferentes

A fila de precatórios, que segundo a OAB-PR tem prazo médio de 16 anos no Paraná, apareceu entre os principais temas das sabatinas.
Sandro Alex defendeu a manutenção do modelo adotado pelo governo Ratinho Junior, com metade dos pagamentos pela ordem cronológica e metade por acordos. Segundo o candidato, cerca de R$ 1,5 bilhão já foi destinado aos pagamentos e seriam necessários mais R$ 500 milhões para zerar a fila até 2032.
O candidato do PSD afirmou ainda que o governo poderia ter recorrido à emenda constitucional que permite o parcelamento da dívida, mas optou por não fazê-lo.
Sergio Moro também se posicionou contra o parcelamento como solução para reduzir os pagamentos. O candidato do PL relatou que seu pai, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ganhou uma ação de recomposição salarial, mas morreu sem receber o crédito, que, segundo Moro, ainda é devido à sua família.
Moro afirmou que pretende manter ou ampliar os pagamentos, condicionando a estratégia à responsabilidade fiscal.
Requião Filho defendeu o pagamento dos precatórios pela ordem cronológica, sem distinção entre acordos e fila regular. O candidato do PDT criticou a possibilidade de beneficiamento de grupos por meio de acordos e também questionou o mercado de compra de precatórios com deságio.
O tema colocou em evidência três discursos diferentes sobre uma mesma dívida: continuidade do modelo atual, aumento dos pagamentos dentro da responsabilidade fiscal e defesa da ordem cronológica sem acordos que alterem a fila.
Advocacia dativa entra no debate
A advocacia dativa também foi questionada pela OAB-PR.
Sandro Alex afirmou que o Paraná possui, em sua avaliação, o melhor programa do país e uma das melhores tabelas de honorários. Segundo ele, 800 mil paranaenses foram atendidos por advogados dativos ao longo de oito anos.
Moro defendeu o fortalecimento da Defensoria Pública e, simultaneamente, a ampliação da advocacia dativa. Disse que pode assumir o compromisso de buscar reajuste da tabela de honorários, condicionado à situação orçamentária do Estado.
Requião Filho também defendeu a revisão da tabela e maior transparência na distribuição das nomeações. Para ele, a advocacia dativa deve continuar funcionando ao lado da Defensoria Pública.
Moro promete secretaria anticorrupção

No combate à corrupção, Moro apresentou uma das propostas mais específicas da sabatina.
O candidato defendeu a criação de uma secretaria ou agência estadual anticorrupção, formada por servidores de carreira, além de um código de ética para altos funcionários públicos e mecanismos de cruzamento de dados para identificar possíveis fraudes em licitações e enriquecimento ilícito.
Moro também propôs um canal confidencial de denúncias e afirmou que pretende implantar um programa de compliance que, segundo ele, não seria apenas formal.
Sandro Alex, por sua vez, citou a adoção de mecanismos de compliance na Secretaria de Infraestrutura e afirmou que a medida contribuiu para dar maior controle aos contratos públicos.
O candidato do PSD disse ainda que o Estado possui atualmente um volume elevado de obras sem denúncias de malversação de recursos, segundo sua própria avaliação.
Saúde vira ponto de ataque ao governo Ratinho
Moro concentrou parte de sua exposição na saúde. O candidato afirmou que o Paraná ocupou a 26ª posição entre os estados no percentual do orçamento destinado à área no ano anterior e criticou a gestão Ratinho Junior por, segundo ele, ter mantido investimentos insuficientes durante os anos anteriores.
Como proposta, defendeu uma tabela SUS paranaense para complementar, com recursos estaduais, os pagamentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos hospitais filantrópicos.
A ideia, segundo Moro, seria ampliar a oferta de serviços e cirurgias eletivas.
Requião Filho levou a discussão para as filas de exames e transplantes. O candidato afirmou que pacientes com câncer podem enfrentar espera de meses por exames de imagem e defendeu a regionalização da saúde.
Também propôs o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio à gestão, mas rejeitou a substituição do atendimento médico por algoritmos.
Sandro Alex, ao falar sobre educação e gestão estadual, defendeu os resultados apresentados pelo governo Ratinho Junior e a continuidade das políticas públicas implementadas nos últimos anos.
Educação: inclusão, ensino integral e formação jurídica

Na educação inclusiva, Sandro Alex destacou que o Paraná aplica, segundo ele, 35% do orçamento estadual na educação e defendeu a parceria com escolas especializadas.
Requião Filho apontou outro problema: a falta de professores capacitados e tutores para atender estudantes com deficiência e neurodivergência na rede regular. Ele propôs escolas de referência para iniciar programas de formação de professores, pedagogos e demais profissionais.
Moro defendeu a expansão do ensino médio integral, que, segundo ele, alcança atualmente apenas uma parcela dos estudantes paranaenses. Também propôs ampliar o ensino técnico e profissionalizante no contraturno e parcerias com municípios na primeira infância.
Requião Filho também criticou a formação jurídica no país. Defendeu maior exigência de currículo, professores e estágios e questionou a expansão do ensino a distância em cursos como Direito, Medicina e Veterinária.
Segurança pública opõe continuidade e mudança
Na segurança pública, Sandro Alex defendeu a continuidade das políticas implementadas durante o governo Ratinho Junior.
O candidato citou a reestruturação das carreiras, a criação da Polícia Penal, o fortalecimento da Polícia Científica, a independência do Corpo de Bombeiros e a contratação de 8 mil profissionais.
Moro apresentou uma agenda de endurecimento contra organizações criminosas. Propôs forças-tarefa inspiradas na Lava Jato, um centro integrado de videomonitoramento com inteligência artificial e um presídio estadual de segurança máxima, com celas individuais e controle da comunicação externa.
O objetivo declarado pelo candidato do PL é transformar o Paraná no estado mais seguro do país.
Pedágios entram na disputa pelo modelo de Estado
A nova concessão das rodovias paranaenses também foi tema da sabatina.
Moro defendeu fiscalização mais rígida das obras previstas nos contratos, com participação da Agência de Regulação do Paraná (Agepar), além de um observatório digital dos pedágios.
O candidato afirmou que não pretende romper contratos, mas admitiu negociar redução de tarifas em trechos nos quais os prazos sejam considerados excessivos.
Sandro Alex defendeu o programa de concessões implantado pelo atual governo e afirmou que os contratos possuem regras, prazos, direitos e obrigações definidos.
Requião Filho critica obras com viés eleitoral
Na área de infraestrutura, Requião Filho atacou o que classificou como obras orientadas pelo potencial eleitoral.
Segundo o candidato, investimentos de mesmo valor podem produzir efeitos políticos diferentes conforme o tamanho da cidade e a concentração de eleitores.
A crítica atinge diretamente a estratégia de investimentos do governo Ratinho Junior, cuja continuidade é defendida por Sandro Alex.
Sandro, por sua vez, apresentou-se como sucessor do atual governador e afirmou que pretende manter o ritmo de investimentos.
Ao lado do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que concorre como vice na chapa, defendeu a continuidade da atual gestão.
Três discursos para a sucessão de Ratinho Junior
A sabatina da OAB-PR expôs, sem debate direto entre os candidatos, três linhas políticas para a eleição ao Governo do Paraná.
Sandro Alex apresentou-se como candidato da continuidade e vinculou sua candidatura aos resultados atribuídos à administração Ratinho Junior.
Moro construiu o discurso de oposição, com foco em segurança pública, combate à corrupção, saúde e fiscalização dos contratos públicos.
Requião Filho concentrou sua fala em serviços públicos, saúde, educação, direitos sociais e crítica ao modelo de investimentos adotado pelo atual governo.
A OAB-PR não promoveu um confronto entre os candidatos. Cada participante respondeu individualmente às mesmas regras e a perguntas sorteadas por temas. Por isso, a sabatina funcionou mais como uma exposição individual de propostas do que como debate eleitoral.
A iniciativa ocorre no início oficial da campanha de 2026 e coloca advocacia, Justiça e cidadania no centro da discussão sobre a sucessão de Ratinho Junior.
Acompanhe pelo Blog do Esmael a cobertura da corrida pelo Palácio Iguaçu e as pesquisas eleitorais do Paraná.
Assista a íntegra da sabatina na OAB-PR
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael

