Quaest registra pesquisa paga pela RPC/Globo para medir eleição no Paraná

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A Quaest registrou nesta terça-feira (18) uma nova pesquisa eleitoral no Paraná, contratada pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), afiliada da Globo no Estado, por R$ 104.319. O levantamento terá 804 entrevistas entre quinta-feira (20) e domingo (23) e está programado para ser divulgado na segunda-feira (24), com cenários para governador, Senado e presidente da República.

O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu o número PR-05388/2026. A margem de erro máxima prevista é de aproximadamente três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A amostra será distribuída por municípios e setores censitários, utilizando sorteios probabilísticos e cotas de sexo, idade, renda familiar e escolaridade.

Questionário vai muito além da intenção de voto

O questionário analisado pelo Blog do Esmael mostra que a Quaest não pretende apenas perguntar em quem o eleitor votaria. O instrumento mede conhecimento dos candidatos, potencial de voto, rejeição, definição do voto, preferência por continuidade ou mudança no governo, influência de apoios políticos, avaliação de Ratinho Junior, identificação ideológica e até fontes de informação política.

Na disputa pelo Palácio Iguaçu, a pesquisa começa com uma pergunta espontânea: o eleitor já escolheu candidato e, em caso positivo, quem é o nome escolhido. Em seguida, a Quaest apresenta oito candidatos para medir se o entrevistado os conhece, se poderia votar neles ou se não votaria de jeito nenhum.

A lista inclui Adriano Funileiro (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Requião Filho (PDT), Samuel de Mattos (PSTU), Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Tayná Miessa (UP).

Depois, vem a pergunta estimulada de primeiro turno, com os mesmos oito nomes e as opções de branco/nulo, não votar e indecisão. O questionário também pergunta se a escolha é definitiva ou pode mudar até a eleição.

Quaest testa três segundos turnos

Um dos pontos de maior interesse político está na simulação de segundo turno. O questionário testa três confrontos:

Requião Filho (PDT) contra Sandro Alex (PSD);

Requião Filho (PDT) contra Sergio Moro (PL);

Sandro Alex (PSD) contra Sergio Moro (PL).

Em cada cenário, o entrevistado poderá escolher um dos dois candidatos, branco/nulo, não votar ou declarar-se indeciso. A ordem dos cenários e dos nomes será aleatorizada, segundo o documento.

A pesquisa também pergunta qual orientação o eleitor gostaria que tivesse o próximo governador: aliado do presidente Lula, aliado de Flávio Bolsonaro ou independente.

Esse bloco é particularmente relevante porque, antes de medir o efeito individual dos apoios, o questionário pergunta ao eleitor se o apoio de Lula, Flávio Bolsonaro ou Ratinho Junior aumentaria, não alteraria ou diminuiria sua disposição de votar em determinado candidato.

A Quaest ainda testa o conhecimento espontâneo sobre quem será apoiado por Flávio Bolsonaro, Lula e Ratinho Junior na disputa pelo governo paranaense.

Pesquisa mede também a força de Ratinho Junior

O governador Ratinho Junior aparece em um bloco específico de avaliação.

O entrevistado será perguntado se aprova ou desaprova o governo e, depois, se considera a administração ótima, boa, regular positiva, regular negativa, ruim ou péssima.

Há ainda uma pergunta politicamente mais direta: se Ratinho Junior merece ou não eleger um sucessor que ele indicar.

O questionário também pergunta qual é, na opinião do eleitor, o principal problema enfrentado atualmente pelo Paraná.

Essas perguntas permitem que a pesquisa seja lida para além da fotografia da intenção de voto. O levantamento poderá cruzar desempenho eleitoral dos candidatos com avaliação do governo estadual, percepção sobre continuidade e identificação dos eleitores com os grupos políticos que disputam a sucessão.

Lula e Flávio Bolsonaro entram na disputa presidencial

A pesquisa estadual também inclui a eleição para presidente da República.

São apresentados dois cenários de primeiro turno. O primeiro reúne 13 nomes, enquanto o segundo exclui Pablo Marçal. Entre os nomes apresentados estão Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Zema (Novo) e outros candidatos.

O eleitor também será questionado se sua escolha presidencial é definitiva ou pode mudar.

Na sequência, a Quaest mede aprovação e avaliação do governo Lula.

O questionário, portanto, permite estabelecer cruzamentos entre voto presidencial, preferência para governador e escolha para o Senado, embora os resultados desses cruzamentos dependam da divulgação das tabelas e bases da pesquisa.

Senado terá primeiro e segundo voto

A eleição para o Senado recebe um tratamento específico porque, em 2026, o eleitor paranaense escolherá dois senadores.

Primeiro, a Quaest pergunta espontaneamente se o entrevistado já escolheu algum candidato e qual é o nome. Depois, pergunta se já escolheu o segundo voto.

Na etapa estimulada, nove candidatos aparecem para medir conhecimento e potencial de voto: Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Dr. Rosinha (PT), Filipe Barros (PL), Gleisi (PT), Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO).

O questionário então separa as duas escolhas.

Primeiro, pergunta em quem o eleitor votaria para a primeira vaga. Depois, utilizando a mesma lista, pergunta qual seria o segundo nome, retirando da tela o candidato já escolhido.

Esse desenho é importante porque evita tratar a eleição para o Senado como uma disputa convencional de uma única vaga. A divulgação dos dois votos poderá mostrar combinações de chapas e alianças eleitorais que não aparecem quando se observa apenas o percentual individual de cada candidato.

O que chama atenção no questionário

O instrumento revela uma pesquisa desenhada para medir não apenas “quem está na frente”, mas também o grau de consolidação das candidaturas e o ambiente político em torno delas.

Há perguntas sobre conhecimento e rejeição, definição do voto, influência dos principais padrinhos políticos, avaliação dos governos estadual e federal, identificação ideológica e voto retrospectivo de 2022.

A pergunta sobre identidade política divide os entrevistados em cinco grupos: lulistas; eleitores que não se consideram lulistas, mas se aproximam mais da esquerda; independentes; eleitores que não se consideram bolsonaristas, mas se aproximam mais da direita; e bolsonaristas.

Outro item mede onde o eleitor mais se informa sobre política, incluindo televisão, rádio, jornais, sites e portais, redes sociais, WhatsApp e Telegram, além de chats de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini e Claude.

Um detalhe metodológico que merece atenção

O registro informa 804 entrevistas, com entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. O desenho combina sorteio probabilístico de municípios e setores censitários com cotas para seleção de entrevistados.

A distribuição prevista é de 47% de homens e 53% de mulheres; 30% entre 16 e 34 anos, 45% entre 35 e 59 e 25% com 60 anos ou mais. A amostra também será ponderada por renda e escolaridade.

A Quaest informa ainda que as entrevistas serão realizadas em dispositivos eletrônicos, com controles de consistência e georreferenciamento. O documento prevê fiscalização por meio da checagem de áudio de uma amostra de 30% dos questionários.

O questionário também registra que o levantamento integra perguntas sobre presidente, governador e senador. Como o sistema PesqEle não permite o registro conjunto de determinados cargos em um único protocolo, a Quaest informa que o instrumento será vinculado a registros distintos no sistema eleitoral.

A pesquisa chega em momento de disputa aberta

A divulgação está marcada para 24 de agosto, depois de quatro dias de entrevistas, e terá potencial para mexer com a leitura da corrida eleitoral paranaense porque colocará no mesmo levantamento os três principais eixos da eleição: Palácio Iguaçu, Senado e Presidência.

Mas o ponto central, antes dos números, está no próprio desenho da pesquisa.

A Quaest não vai perguntar somente quem o eleitor escolheria. Vai medir quem conhece cada candidato, quem rejeita, quem ainda pode mudar de voto, quanto pesam Lula, Flávio Bolsonaro e Ratinho Junior e como o eleitor pretende preencher as duas vagas para o Senado.

A fotografia de 24 de agosto, portanto, deverá vir acompanhada de um raio-X do eleitorado paranaense.

Os números dirão quem aparece na frente. O questionário já mostra quais perguntas a RPC e a Quaest consideraram relevantes para interpretar a eleição.

Continue acompanhando pelo Blog do Esmael as pesquisas, os bastidores do poder, da política e das eleições 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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