Quaest: Lula lidera, mas Flávio reduz distância na largada eleitoral

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao início oficial da campanha com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira, 14 de agosto. A comparação correta com a rodada imediatamente anterior, publicada em 5 de agosto, mostra Lula oscilando de 39% para 38%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 30% para 31%.

A diferença entre os dois caiu, portanto, de nove para sete pontos percentuais em apenas uma semana.

A pesquisa foi realizada entre 10 e 13 de agosto, com 2.004 eleitores, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A sondagem foi contratada pela TV Globo.

O levantamento anterior havia sido realizado entre 31 de julho e 3 de agosto, também com 2.004 entrevistados. Contratada pela Genial Investimentos, aquela pesquisa foi registrada no TSE como BR-06591/2026.

O que mudou em nove dias

A rodada divulgada em 5 de agosto mostrava Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 30%. Caiado e Renan Santos tinham 4% cada, Zema aparecia com 2%, 10% estavam indecisos e 8% declaravam voto branco, nulo ou ausência.

Na nova pesquisa, Lula caiu para 38% e Flávio subiu para 31%. Caiado e Renan Santos permanecem empatados em 4%, enquanto Zema continua com 2%.

A mudança numérica é pequena e está dentro da margem de erro. Portanto, não permite afirmar, isoladamente, que Lula tenha perdido um ponto ou que Flávio tenha conquistado um ponto de forma estatisticamente comprovada.

Mas há uma consequência política objetiva na fotografia: a distância entre os dois principais candidatos diminuiu de nove para sete pontos no intervalo entre as duas pesquisas.

É essa fotografia, e não a comparação com uma rodada mais antiga, que marca a largada oficial da campanha.

Segundo turno: o cenário também mudou

A pesquisa de 5 de agosto mostrava Lula à frente de Flávio Bolsonaro por 44% a 39% em um eventual segundo turno.

A vantagem de Lula havia caído de oito para cinco pontos em relação à rodada anterior, realizada em julho.

Na nova pesquisa divulgada em 14 de agosto, o cenário mudou novamente: Lula aparece com 43% e Flávio Bolsonaro com 40%.

A diferença caiu para três pontos percentuais, dentro da margem de erro de dois pontos.

O movimento merece atenção porque o primeiro e o segundo turno apresentam trajetórias distintas: Lula continua numericamente à frente, mas a distância para Flávio diminuiu tanto no primeiro quanto no segundo turno entre as duas rodadas mais recentes.

Governo Lula chega à campanha dividido

A avaliação do governo ajuda a explicar o ambiente em que a disputa presidencial começa.

A Quaest registra 46% de aprovação ao governo Lula e 48% de desaprovação. Outros 6% não souberam ou não responderam.

A diferença de dois pontos está exatamente dentro da margem de erro.

Na avaliação geral da administração, 37% consideram o governo negativo, 36% positivo e 25% regular. Outros 2% não souberam ou não responderam.

O governo, portanto, chega à largada eleitoral sem vantagem estatisticamente segura entre aprovação e desaprovação.

Maioria vê país na direção errada

O indicador mais negativo para o governo aparece na pergunta sobre os rumos do país.

Para 53% dos entrevistados, o Brasil está seguindo na direção errada. Outros 38% dizem que o país caminha na direção certa. Há ainda 9% que não souberam ou não responderam.

A diferença chega a 15 pontos percentuais.

Esse resultado contrasta com a divisão observada especificamente na aprovação do governo.

Economia mistura pessimismo e expectativa de melhora

A percepção sobre a economia também apresenta dois movimentos.

Quando perguntados sobre os últimos 12 meses, 49% dizem que a economia piorou. Para 30%, ficou do mesmo jeito. Apenas 19% afirmam que melhorou.

Quando a pergunta muda para os próximos 12 meses, o quadro fica menos negativo: 42% esperam melhora, 28% projetam piora e 24% acreditam que a economia ficará como está. Outros 6% não souberam ou não responderam.

O dado mostra uma diferença importante entre a avaliação retrospectiva e a expectativa para o futuro.

Violência é a principal preocupação

A violência lidera as preocupações dos brasileiros ouvidos pela Quaest.

O tema aparece com 33% das citações, mais que o dobro da economia, que soma 15%.

Saúde e corrupção aparecem empatadas com 14% cada. Problemas sociais foram citados por 7%.

A segurança pública, portanto, surge como o principal problema nacional apontado pelos entrevistados na largada oficial da campanha.

Primeiro turno tem 10% de indecisos

O cenário estimulado da nova Quaest mostra Lula com 38% e Flávio Bolsonaro com 31%.

Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada. Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) têm 2% cada. Samara Martins (UP) registra 1%.

Os demais candidatos não pontuaram.

Brancos, nulos e eleitores que dizem que não vão votar somam 8%. Outros 10% estão indecisos.

Esse conjunto representa 18% do eleitorado fora dos dois líderes, um contingente relevante para a disputa pelo segundo turno.

Candidato Quaest 14/8
Lula (PT) 38%
Flávio Bolsonaro (PL) 31%
Renan Santos (Missão) 4%
Ronaldo Caiado (PSD) 4%
Romeu Zema (Novo) 2%
Augusto Cury (Avante) 2%
Samara Martins (UP) 1%
Demais candidatos 0%
Branco/nulo/não vai votar 8%
Indecisos 10%
Indicador Quaest 5/8 Quaest 14/8 Variação
Lula 39% 38% -1
Flávio Bolsonaro 30% 31% +1
Renan Santos 4% 4% =
Ronaldo Caiado 4% 4% =
Romeu Zema 2% 2% =
Indecisos 10% 10% =
Branco/nulo/não vota 8% 8% =

No primeiro turno, portanto, o principal deslocamento foi de um ponto para cada lado: Lula caiu de 39% para 38%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 30% para 31%.

Como a margem de erro é de dois pontos, a leitura deve ser feita com cautela. Ainda assim, a consequência aritmética é inequívoca: a vantagem de Lula diminuiu de nove para sete pontos.

O dado que antecede a campanha

A nova Quaest não mostra uma virada eleitoral.

Lula permanece na liderança do primeiro turno e também aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no segundo.

O que mudou foi o tamanho da vantagem.

Na última rodada, publicada em 5 de agosto, Lula tinha nove pontos de frente no primeiro turno e cinco no segundo. Agora, são sete pontos no primeiro e três no segundo.

Ao mesmo tempo, a avaliação do governo chega dividida à abertura oficial da campanha: 46% aprovam e 48% desaprovam.

A percepção sobre o país é mais negativa: 53% consideram que o Brasil está na direção errada.

É nesse ambiente que começa a campanha em 16 de agosto.

A fotografia da Quaest coloca Lula na frente, mas registra uma disputa mais apertada entre os dois principais nomes e um eleitorado ainda parcialmente aberto. Os 10% de indecisos e os 8% que optam por branco, nulo ou não votar formam uma parcela que pode ser disputada ao longo da campanha.

O ponto central da pesquisa, portanto, não é apenas que Lula lidera. É que a liderança diminuiu justamente na passagem da pré-campanha para a largada oficial da eleição.

O Blog do Esmael acompanha a corrida presidencial pesquisa a pesquisa, confrontando números, metodologia e evolução dos cenários.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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