Requião e PT disputam rumo da campanha no Paraná; eleitor decidirá quem chega ao segundo turno

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Enquanto Requião Filho mira o grupo de Ratinho Junior e Sandro Alex tenta herdar o Palácio Iguaçu, o PT concentra fogo em Sergio Moro. O ex-juiz, agora no PL, responde mirando Lula e os petistas.

A sucessão do governador Ratinho Junior (PSD) colocou as eleições de 2026 no Paraná diante de uma disputa de três frentes, e de dois projetos de segundo turno que ainda dependem de um personagem decisivo: o eleitor paranaense.

De um lado, Requião Filho (PDT) dirige sua artilharia ao Palácio Iguaçu e ao grupo político que administra o Estado. Seu alvo imediato é Sandro Alex (PSD), nome escolhido por Ratinho Junior para defender a continuidade da atual gestão. O PSD confirmou o deputado federal como candidato ao governo, sob a bênção explícita do governador. O pedido de registro foi realizado nesta quarta-feira, 12 de agosto.

De outro, o PT faz uma leitura mais ampla do quadro político: para os petistas, Sergio Moro (PL) é o adversário principal a ser enfrentado em 2026. Não apenas por sua força eleitoral, mas por encarnar a reaproximação entre o bolsonarismo e o lavajatismo, o bolso-lavajatismo, que voltou a se organizar no Paraná.

Moro, por sua vez, aposta na polarização nacional. Filiado ao PL para disputar o governo estadual, o senador tem buscado transformar a corrida paranaense em palanque contra o presidente Lula e o PT. Em seu ato de filiação, prometeu apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e voltou a atacar o governo federal. A mudança para o PL foi formalizada em março.

A disputa pelo legado de Ratinho Junior

Sandro Alex entra na corrida carregando uma dupla missão: defender o legado administrativo de Ratinho Junior e demonstrar que possui musculatura própria para não ser apenas um candidato por procuração.

Nesta quarta-feira, 12 de agosto, por exemplo, durante a inauguração de uma rede de supermercado na capital, Sandro Alex não foi reconhecido pelos grã-finos do bairro Ecoville.

Dito isso, o problema é que a sucessão não será resolvida somente pela máquina política, pela rede de prefeitos ou pela popularidade do atual governador. O candidato do PSD precisa abrir caminho até o segundo turno em uma disputa na qual Moro e Requião Filho, cada um a seu modo, tentam nacionalizar o debate.

Para Requião Filho, enfrentar Sandro Alex significa enfrentar diretamente o modelo de governo instalado no Iguaçu. É uma estratégia de oposição estadual: questionar prioridades, cobrar políticas públicas e apresentar-se como alternativa à continuidade da gestão de Ratinho Junior.

O PDT já formalizou o nome de Requião Filho para a disputa, reforçando a aposta em uma candidatura com identidade própria no campo democrático e progressista. O partido registrou a candidatura dele nesta terça-feira, 11 de agosto.

PT vê Moro como “mal maior”

Na leitura petista, porém, a eleição não pode ser reduzida a uma simples troca de comando no Palácio Iguaçu. O maior risco político estaria numa vitória de Moro, cujo retorno ao PL reposiciona o Paraná no centro da estratégia bolsonarista nacional.

A família Requião teve passagem recente pelo PT, mas Requião Filho está hoje no PDT. Ainda assim, a convergência entre o pedetista e os petistas é evidente no ponto central: impedir que Moro converta o governo do Paraná em plataforma da extrema direita para o projeto nacional bolsonarista.

É nesse ponto que a campanha tende a ganhar contornos ideológicos mais nítidos. Moro prefere falar de Lula e do PT; o campo progressista busca expor as contradições de sua aliança com o bolsonarismo e com personagens que foram protagonistas da Lava Jato.

Não se trata apenas de uma disputa entre siglas. É uma batalha para definir qual narrativa prevalecerá no Paraná: a da continuidade administrativa, a da restauração do antipetismo ou a da oposição democrática ao grupo que hoje governa o Estado.

O segundo turno imaginado, e o voto real

No plano tático, cada candidatura parece enxergar um adversário ideal para o segundo turno.

Sandro Alex precisa superar Requião Filho para consolidar a candidatura governista como principal alternativa a Moro. Requião Filho, por sua vez, tem interesse em enfrentar Moro: seria o confronto mais claro entre dois projetos antagônicos de Estado e de país.

Moro também parece preferir Requião Filho como adversário final. Um segundo turno contra o pedetista permitiria ao senador reproduzir no Paraná a velha polarização nacional entre o bolsonarismo e o campo associado a Lula e ao PT.

Há, portanto, uma escolha tácita em curso. Moro escolhe Requião Filho como rival preferencial. Requião Filho escolhe Moro como adversário preferencial. Sandro Alex luta para romper essa dupla e levar o projeto de Ratinho Junior à etapa decisiva.

Mas, como ensina a velha máxima da política, ainda falta combinar com os russos, neste caso, os eleitores paranaenses.

São eles que decidirão se a eleição será um plebiscito sobre o governo Ratinho Junior, um duelo entre Moro e o campo progressista ou uma disputa de três forças com desfecho imprevisível. Até outubro, nenhum arranjo de bastidor, nenhuma preferência de candidato e nenhuma estratégia de marketing substitui a única escolha que realmente importa: a das urnas.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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