Paulo Rossi e Luciano Ducci travam guerra interna pelo PSB do Paraná

O líder sindical Paulo César Rossi recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para tentar impugnar o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Paraná, acirrando uma guerra interna contra o presidente estadual do partido, o deputado federal Luciano Ducci.

A contestação judicial, apresentada após a convenção de 20 de julho de 2026 que definiu os rumos eleitorais da legenda, pode inviabilizar o registro de todas as candidaturas a deputado federal do PSB paranaense na disputa de outubro.

Filiado ao partido e presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação (Fenascon), Rossi questiona as decisões tomadas no encontro virtual da legenda.

Além da impugnação do DRAP, protocolada no sábado, 8 de agosto, o sindicalista Paulo Rossi contesta convenção do PSB apontando falta de democracia interna e cerceamento de sua participação na convenção.

De acordo com a petição encaminhada à Justiça Eleitoral pelos advogados Rafael Flavio de Moraes, Carlos Frederico Viana Reis e Clovis Augusto Veiga da Costa, Rossi recebeu o link oficial de acesso do próprio secretário estadual da sigla, Jean Antônio Pereira Rosa, mas acabou removido da sala do Zoom pelo anfitrião durante as deliberações, entre 19h15 e 19h28, sendo impedido de reingressar.

A reunião virtual, que durou apenas 37 minutos sob a condução de Luciano Ducci, aprovou por aclamação a lista de candidatos à Câmara dos Deputados e determinou a supressão de candidaturas à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), impedindo que Rossi disputasse uma vaga de deputado estadual como pretendia.

A defesa do sindicalista alega desvio de finalidade por parte da direção estadual.

O argumento é que Luciano Ducci, ao mesmo tempo em que presidia a convenção e conduzia a retirada de candidaturas para a Alep, consolidava sua própria candidatura à reeleição de deputado federal sob o número 4040.

Ao suprimir o nível estadual da disputa, a direção concentraria a totalidade dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas candidaturas federais, beneficiando diretamente a campanha do próprio mandatário, uma coincidência que, segundo a petição, carece de justificativa em ata.

No pano de fundo político, a discórdia revela a divisão do PSB paranaense sobre os rumos eleitorais do estado.

Rossi defende o engajamento da legenda no palanque da frente progressista para apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, a candidatura de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e de Requião Filho (PDT), ao governo do Paraná.

No entanto, a ala comandada por Ducci aprovou a neutralidade estadual na convenção de 20 de julho de 2026, frustrando a cobrança por reciprocidade feita por PT e PDT, que apoiaram a candidatura de Ducci à Prefeitura de Curitiba em 2024.

Esta resistência local contrasta com as discussões na direção nacional da legenda, já que o PSB nacional está no palanque de Lula. Além disso, a deputada federal Gleisi Hoffmann e o deputado estadual Requião Filho reuniram-se em Brasília, em 21 de julho, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), no momento em que Alckmin aproxima PSB da chapa Gleisi-Requião.

A direção estadual do PSB e o deputado federal Luciano Ducci ainda não se manifestaram publicamente sobre as petições apresentadas por Rossi.

O Blog do Esmael mantém o espaço aberto para que os dirigentes e demais envolvidos apresentem seus esclarecimentos sobre os questionamentos judiciais e a condução do encontro partidário.

A disputa agora está nas mãos do TRE-PR, que definirá se valida o demonstrativo da chapa federal ou se determinará o saneamento dos atos do partido para garantir a participação democrática dos filiados.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura dos bastidores jurídicos e políticos das eleições de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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