IRG vê “briga de foice” pelas duas vagas ao Senado no Paraná

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A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado Federal ganhou contornos de uma corrida de “fotochart”, aquela chegada decidida por diferença mínima, segundo a leitura do presidente do IRG Pesquisas, Ricieri Garbelini. Com dois votos por eleitor e seis candidaturas concentrando a maior parte das preferências, o levantamento divulgado nesta quinta-feira, 13 de agosto, mostra um cenário de alta dispersão e forte disputa pelo segundo voto.

Garbelini resumiu o quadro como uma “briga de foice no escuro”. A expressão traduz a dificuldade de apontar, a quase dois meses da eleição de 4 de outubro, quais serão os dois candidatos que terminarão na frente.

A pesquisa do IRG está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09301/2026.

O levantamento mostra Deltan Dallagnol (Novo) na liderança quando se considera a soma das duas escolhas, seguido por Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL). A diferença entre o segundo e o terceiro colocado, porém, é de apenas 0,1 ponto percentual nesse indicador.

É justamente aí que começa a “briga de foice”.

Deltan lidera, mas Curi e Filipe estão colados

Os números apresentados pelo IRG mostram Deltan Dallagnol com 19,6% no primeiro voto e 12,5% no segundo, totalizando 32,1 pontos percentuais nas duas escolhas.

Alexandre Curi aparece com 18% no primeiro voto e 11,4% no segundo, chegando a 29,4%.

Filipe Barros tem 16,8% na primeira escolha e 12,4% na segunda, somando 29,2%.

Na sequência aparecem Gleisi Hoffmann (PT), com 19,3% no primeiro voto e 5,9% no segundo; Dr. Rosinha (PT), com 4,3% e 13,9%; e Cristina Graeml (PSD), com 6,2% e 8,3%.

Candidato 1º voto 2º voto Soma das escolhas Média analítica
Deltan Dallagnol (Novo) 19,6% 12,5% 32,1% 16,1%
Alexandre Curi (Republicanos) 18,0% 11,4% 29,4% 14,7%
Filipe Barros (PL) 16,8% 12,4% 29,2% 14,6%
Gleisi Hoffmann (PT) 19,3% 5,9% 25,2% 12,6%
Dr. Rosinha (PT) 4,3% 13,9% 18,2% 9,1%
Cristina Graeml (PSD) 6,2% 8,3% 14,5% 7,3%

A média apresentada na última coluna é apenas um indicador analítico, obtido pela divisão da soma dos dois percentuais por dois. Ela não representa o critério oficial de apuração da eleição. Fonte: IRG Pesquisas

O segundo voto muda o jogo

O dado mais importante da pesquisa está justamente na diferença entre primeiro e segundo voto.

Deltan é o líder da primeira escolha, com 19,6%, mas cai para 12,5% quando o eleitor é perguntado sobre o segundo nome.

Gleisi Hoffmann apresenta movimento semelhante e ainda mais acentuado: aparece com 19,3% no primeiro voto, mas apenas 5,9% no segundo.

Filipe Barros, ao contrário, tem uma diferença menor entre as duas escolhas: 16,8% no primeiro voto e 12,4% no segundo.

Dr. Rosinha apresenta o fenômeno inverso de Gleisi. Tem apenas 4,3% como primeira escolha, mas chega a 13,9% como segundo voto, o maior percentual entre todos os candidatos nessa modalidade.

É essa combinação que torna a eleição particularmente difícil de projetar.

O eleitor não precisa votar em uma chapa fechada

Na eleição para o Senado em 2026, o eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes.

Isso significa que a combinação eleitoral não precisa seguir a lógica das chapas majoritárias.

Um eleitor pode escolher Deltan Dallagnol e Filipe Barros. Outro pode votar em Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann. Um terceiro pode combinar um candidato de direita com um candidato de esquerda.

O comportamento individual de cada eleitor, portanto, pode produzir milhares de combinações diferentes.

É por isso que a disputa pelo segundo voto se tornou tão importante.

A “briga de foice” está entre Curi e Filipe

O ponto mais apertado do levantamento aparece na disputa entre Alexandre Curi e Filipe Barros.

Na média analítica das duas escolhas, Curi aparece com 14,7%, enquanto Filipe Barros marca 14,6%.

A diferença é de apenas 0,1 ponto percentual.

Na soma dos dois votos, Curi também tem vantagem mínima: 29,4% contra 29,2%.

Esse empate técnico dentro da própria margem de incerteza ajuda a explicar a expressão usada por Ricieri Garbelini.

Mais do que uma corrida linear, há um pelotão em que pequenas mudanças na segunda escolha podem alterar a ordem dos candidatos.

Gleisi tem força no primeiro voto

Gleisi Hoffmann ocupa uma posição peculiar no levantamento.

A petista aparece com 19,3% no primeiro voto, praticamente empatada com Deltan Dallagnol, que registra 19,6%.

No segundo voto, entretanto, Gleisi cai para 5,9%.

A diferença entre os dois desempenhos é de 13,4 pontos percentuais.

O dado mostra que a candidata tem uma base expressiva de eleitores que a colocam como primeira opção, mas enfrenta maior dificuldade para aparecer como segunda escolha.

O inverso ocorre com Dr. Rosinha.

Dr. Rosinha cresce no segundo voto

O candidato do PT registra apenas 4,3% no primeiro voto, mas alcança 13,9% no segundo.

São 9,6 pontos percentuais a mais na segunda escolha.

Esse movimento é politicamente relevante porque mostra que a candidatura pode ter um eleitorado complementar maior do que aquele captado pela pergunta sobre o primeiro voto.

Em uma eleição de duas vagas, esse tipo de comportamento pode fazer diferença.

Cristina Graeml tenta ocupar o espaço da direita

Cristina Graeml (PSD) aparece com 6,2% no primeiro voto e 8,3% no segundo.

Sua força no segundo voto é, portanto, superior à registrada na primeira escolha.

A candidatura entra em uma faixa em que também disputam espaço nomes identificados com o eleitorado conservador, especialmente Deltan Dallagnol e Filipe Barros.

A diferença é que Cristina pode funcionar como segunda opção para eleitores que não necessariamente a colocariam como primeira escolha.

Mais de 25% ainda não escolheram nominalmente

Outro dado relevante está fora dos seis primeiros candidatos.

No primeiro voto, 7,2% dizem que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato. Outros 7,2% não sabem ou não responderam.

No segundo voto, a indecisão aumenta: 15,5% apontam branco, nulo ou nenhum, enquanto 18,5% não sabem ou não responderam.

Isso significa que a parcela não nominalizada é muito maior na segunda escolha.

Esse eleitorado representa justamente a área em que os candidatos poderão tentar crescer durante a campanha.

O “fotochart” ainda está longe, mas a disputa já é apertada

A expressão “fotochart” não significa que a pesquisa esteja prevendo uma diferença mínima na apuração de 4 de outubro.

Ela funciona como metáfora para um cenário em que vários candidatos aparecem próximos e qualquer alteração na combinação dos dois votos pode mexer na classificação.

O dado mais expressivo é a diferença de apenas 0,2 ponto percentual na soma dos dois votos entre Alexandre Curi e Filipe Barros.

Também chama atenção o fato de Gleisi Hoffmann aparecer praticamente empatada com Deltan no primeiro voto, mas perder terreno na segunda escolha.

O eleitorado, portanto, não está organizado em uma fila previsível.

A variável jurídica de Deltan continua no radar

Deltan Dallagnol ainda carrega uma variável jurídica que pode interferir no cenário eleitoral: sua situação perante a Justiça Eleitoral.

Isso não permite afirmar antecipadamente que sua candidatura será impedida ou que seus votos migrarão para determinado candidato.

Mas qualquer alteração no quadro de candidaturas poderá produzir uma nova distribuição de forças, especialmente no campo da direita.

Por isso, além da matemática da pesquisa, a corrida ao Senado depende da consolidação dos registros eleitorais e da manutenção das candidaturas até a eleição.

A disputa pelas duas vagas está aberta

O levantamento do IRG desmonta a ideia de que a eleição para o Senado possa ser lida simplesmente pela liderança do primeiro voto.

Deltan lidera nesse quesito. Gleisi vem logo atrás. Curi e Filipe estão próximos.

Mas o segundo voto muda a fotografia.

Dr. Rosinha cresce. Cristina Graeml também. Filipe encurta a distância para Curi. Gleisi perde força relativa.

É nesse cruzamento que aparece a “briga de foice no escuro” descrita por Ricieri Garbelini.

A eleição será decidida pelos dois candidatos que acumularem mais votos individualmente em 4 de outubro. Até lá, a batalha será para transformar primeira preferência em voto efetivo e, principalmente, conquistar o segundo voto de quem ainda não decidiu sua dupla.

No Paraná, a cadeira no Senado não será entregue a quem apenas liderar uma pesquisa.

Será preciso chegar à frente dos demais quando a urna fechar.

Leia no Blog do Esmael e acompanhe a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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