Joaquim Barbosa joga a toalha e amplia crise da DC no Paraná

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa comunicou à Democracia Cristã (DC) que não disputará a Presidência da República, segundo reportagem do Valor divulgada nesta sexta-feira, 17 de julho. A saída deixa o partido sem presidenciável definido a três dias do início das convenções e transforma a disputa pelo comando da legenda no Paraná em parte de uma crise nacional.

A informação ainda depende de confirmação direta. Joaquim Barbosa não havia divulgado manifestação pública sobre a desistência, e a direção nacional da DC não apresentara nota formal até esta verificação.

O próprio site nacional do partido continuava exibindo manifestações de apoio à pré-candidatura de Barbosa e identificando João Caldas como presidente nacional. A página inicial não trazia anúncio sobre a retirada do ex-ministro do STF da corrida presidencial.

A falta de comunicação oficial importa porque a candidatura de Barbosa nasceu cercada por versões diferentes. A direção da DC anunciou o ex-ministro como pré-candidato em maio, no lugar de Aldo Rebelo. Barbosa, porém, manteve distância do tom definitivo adotado pelo partido e afirmou publicamente que estudava a possibilidade de concorrer.

O desgaste ganhou materialidade em 9 de julho. O Blog do Esmael informou que a DC não havia conseguido formar alianças nem assegurar recursos suficientes para uma campanha nacional. A falta de estrutura teria desanimado Barbosa e tornado provável a retirada antes das convenções.

A reportagem do Valor indica que a possibilidade se tornou decisão. Agora, João Caldas precisa informar quem representará a DC na eleição presidencial, quando será realizada a convenção nacional e se a legenda buscará outro nome próprio ou apoiará uma candidatura de partido diferente.

A alternativa mais imediata seria Aldo Rebelo, mas sua situação permanece atravessada por uma disputa judicial.

A direção nacional expulsou Aldo depois de substituí-lo por Joaquim Barbosa. Em 9 de junho, a 6ª Vara Cível de Brasília suspendeu o ato e determinou que a DC reintegrasse o ex-ministro em até 72 horas, sob pena de multa. A decisão não transformou Aldo em candidato, mas devolveu a ele o direito de disputar a indicação na convenção enquanto o processo prossegue.

A retirada de Barbosa pode, portanto, reabrir uma disputa que a direção nacional tentou encerrar por decisão administrativa. Para recuperar a candidatura, Aldo precisaria manter sua filiação reconhecida, reconstruir apoio interno e vencer a convenção. Nenhum desses três passos pode ser tratado como concluído.

O prazo político é curto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou entre 20 de julho e 5 de agosto o período para que partidos e federações escolham candidaturas e definam coligações para os cargos majoritários.

No Paraná, a crise nacional alcança uma direção estadual instalada apenas dois dias antes da notícia sobre Barbosa.

A nova comissão provisória da DC paranaense tem como presidente a prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi. Fábio Aguayo ocupa a primeira-secretaria, enquanto o advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande assumiu a primeira vice-presidência. A comissão provisória foi registrada com vigência até 14 de julho de 2027.

A composição reúne grupos com interesses diferentes na disputa pelo Palácio Iguaçu. Rafaela Losi foi reeleita pelo PSD em 2024 e mantém relação política com o campo do governador Ratinho Junior. Aguayo trabalha no gabinete do senador Sergio Moro (PL), enquanto Casagrande já declarou publicamente alinhamento com o ex-juiz da Lava Jato.

O vazio presidencial obriga os três dirigentes a revelar qual será o destino da legenda. A DC poderá apoiar o projeto de sucessão conduzido pelo grupo de Ratinho Junior, aproximar-se da pré-candidatura de Moro ao governo, reconstruir uma candidatura própria ou negociar uma aliança nacional que determine o palanque paranaense.

Essa decisão também interfere na situação de Tony Garcia e Ricardo Gomyde. O diretório presidido por Gomyde foi inativado em 15 de julho, retirando do grupo o controle formal sobre candidaturas e convenções. A mudança enfraqueceu a pré-candidatura de Tony ao governo, construída para enfrentar Moro e questionar a atuação do ex-juiz na Operação Lava Jato.

Sem Barbosa na eleição presidencial, a substituição do grupo de Gomyde deixa de ser apenas uma mudança estadual. Ela passa a integrar uma sequência de decisões nacionais que retirou Aldo Rebelo, lançou Joaquim Barbosa sem uma campanha estruturada e trocou o comando paranaense às vésperas das convenções.

João Caldas precisa esclarecer se a desistência altera a direção instalada no Paraná. Rafaela Losi, Aguayo e Casagrande também devem informar qual presidenciável terá espaço na convenção estadual e se a DC continuará com candidatura própria ao governo.

A legenda chegou ao início das convenções sem candidato presidencial confirmado, com dois ex-ministros disputando o direito de representar o partido e com um diretório paranaense dividido entre aliados de projetos estaduais concorrentes.

A desistência de Joaquim Barbosa não encerra a crise da DC. Ela retira o nome usado pela direção nacional para reorganizar o partido e devolve à convenção uma disputa que nunca foi resolvida politicamente.

Acompanhe no Blog do Esmael os bastidores da eleição presidencial e da disputa pelo governo do Paraná em 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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