A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta sexta-feira, 17 de julho, mostra que 87% dos eleitores não pretendem participar de grupos de WhatsApp sobre política nas eleições de 2026. Apenas 11% afirmam que devem entrar nesses espaços, enquanto 2% ainda consideram essa possibilidade. O resultado reduz o alcance presumido das correntes digitais e obriga as campanhas a disputar atenção por entrevistas, propostas verificáveis e cobertura jornalística.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Contratada pelo Banco Genial, a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.
Entrevistas com os candidatos e apresentação de propostas ou programas de governo interessam a 63% dos entrevistados. O noticiário político aparece logo depois, com 60%. O eleitor, portanto, demonstra maior disposição para acompanhar conteúdos que permitem comparar declarações, projetos e contradições do que para integrar grupos fechados controlados por campanhas ou militantes.
As redes sociais dividem o país. Segundo a Quaest, 47% pretendem acompanhar as campanhas pelas plataformas, 48% não pretendem e 5% ainda não decidiram. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão apresenta divisão semelhante: 46% devem acompanhar, 49% não devem e 5% talvez acompanhem.
O resultado não significa que o WhatsApp perdeu importância política. Mensagens enviadas individualmente, canais oficiais e conteúdos compartilhados entre familiares continuam fora da pergunta específica sobre participação em grupos. O que a pesquisa enfraquece é a ideia de que montar milhares de grupos fechados, abastecidos com vídeos e textos padronizados, seria suficiente para alcançar a maioria do eleitorado.
O dado também recomenda cautela com números apresentados pelas campanhas. Quantidade de grupos, administradores ou contatos cadastrados não equivale automaticamente a voto, convencimento ou audiência real. Uma rede formada principalmente por militantes pode mobilizar apoiadores, mas falar repetidamente com os mesmos eleitores.
A pré-campanha de Lula (PT) já colocou o WhatsApp no centro de sua operação digital. Em junho, a primeira-dama Janja da Silva lançou uma rede destinada a distribuir conteúdos e falas do presidente diretamente pelo aplicativo. No Paraná, o Partido dos Trabalhadores (PT) também estruturou uma frente digital para articular Lula, Gleisi Hoffmann (PT) e Requião Filho (PDT). A nova pesquisa mostra que essa estrutura poderá servir à mobilização da base, mas terá alcance limitado na conquista voluntária de eleitores fora dela.
A mesma cobrança vale para a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cuja base política tem forte presença nas plataformas digitais, e para os grupos que disputarão o governo do Paraná. Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD), Requião Filho e Rafael Greca (MDB) chegam ao período das convenções com presença assegurada no primeiro debate previsto pela Band Paraná e estratégias distintas para ocupar o celular do eleitor.
Essas pré-campanhas precisam informar quantos grupos e canais oficiais mantêm, quem administra as redes, quais empresas foram contratadas, quanto pretendem gastar e como separarão comunicação identificada de conteúdos produzidos por apoiadores sem vínculo formal.
Também deverão explicar quando apresentarão programas de governo e quanto tempo reservarão para entrevistas sem roteiro fechado. A preferência de 63% por entrevistas e propostas transforma a recusa ao debate, a ausência de programa ou a dependência de vídeos editados em um problema eleitoral, não apenas de comunicação.
Outro ponto é a responsabilidade sobre disparos e desinformação. As campanhas podem declarar que não controlam grupos independentes, mas precisam demonstrar quais mecanismos usarão para identificar conteúdos oficiais e impedir que bancos de dados, materiais ou contratos eleitorais alimentem operações sem autoria transparente.
A Quaest não encerra a campanha digital. O levantamento delimita sua utilidade. WhatsApp e redes sociais podem mobilizar, distribuir agenda e manter contato com simpatizantes. Para conquistar o eleitor que não pretende entrar em grupos políticos, porém, será necessário apresentar propostas, responder perguntas e aceitar comparação pública.
A campanha que confundir militância conectada com maioria eleitoral corre o risco de vencer a disputa interna dos grupos e perder o eleitor fora deles.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026, das estratégias digitais e da disputa pelo governo do Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
