Queda para a Noruega devolve o Brasil à eleição de 2026

A Noruega venceu o Brasil por 2 a 1 neste domingo, 5 de julho, eliminou a Seleção nas oitavas da Copa do Mundo e encerrou o sonho do hexa na véspera de o calendário eleitoral entrar nos 90 dias finais para o primeiro turno.

O Brasil voltou mais cedo para casa. A Noruega venceu por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e avançou às quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Erling Haaland marcou os dois gols noruegueses, aos 34 e aos 44 minutos do segundo tempo. Neymar descontou de pênalti aos 55 minutos, quando a eliminação já estava desenhada.

A Seleção teve oportunidades para mudar a partida. Bruno Guimarães perdeu um pênalti no primeiro tempo, defendido pelo goleiro Ørjan Nyland. Endrick desperdiçou uma chance diante do goleiro depois do intervalo. A Noruega aproveitou os espaços deixados pelo Brasil, encontrou Haaland duas vezes e encerrou a participação brasileira nas oitavas.

Foi a pior campanha brasileira em uma Copa desde 1990, quando a Argentina também eliminou o Brasil nas oitavas. O país completará pelo menos 28 anos sem levantar a taça, porque o próximo Mundial será disputado em 2030. Desde o pentacampeonato de 2002, o Brasil acumula seis Copas sem título.

O fracasso no futebol produz uma consequência que não aparece na súmula: a eleição de 2026 perdeu seu último grande concorrente pela atenção nacional.

Durante a Copa, candidatos, partidos e governos continuaram trabalhando, mas o futebol ocupou as conversas, os programas de televisão, as redes sociais e a publicidade. A eliminação encerra essa suspensão informal. A partir desta segunda-feira, 6 de julho, faltam exatamente 90 dias para o primeiro turno de 4 de outubro.

A campanha ainda não começou juridicamente. Politicamente, porém, começa agora.

Os partidos poderão realizar suas convenções entre 20 de julho e 5 de agosto para escolher candidatos, vices e coligações. O prazo para os registros termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral, inclusive na internet, será permitida a partir de 16 de agosto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Isso deixa apenas duas semanas entre a eliminação da Seleção e a abertura das convenções. Nesse intervalo, partidos precisarão fechar chapas, distribuir recursos, resolver alianças estaduais e decidir quais candidaturas serão efetivamente levadas às urnas.

A disputa presidencial já está concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa AtlasIntel realizada com 4.999 entrevistados entre 26 e 30 de junho, com margem de erro de um ponto percentual, mostrou Lula com 48,8% e Flávio Bolsonaro com 42,3% em uma simulação de segundo turno. No primeiro turno testado, Lula tinha 46,3%, contra 36,6% de Flávio Bolsonaro. Pesquisa é fotografia, não resultado antecipado, mas os números confirmam que a polarização chega viva à fase decisiva.

A partir de agora, cada notícia econômica, decisão judicial, votação no Congresso, crise internacional ou medida administrativa será interpretada também pelo efeito eleitoral. Governo e oposição disputarão a explicação para o preço dos alimentos, o emprego, os salários, a segurança pública, os programas sociais e a relação do Brasil com outros países.

No Paraná, a mudança de agenda será igualmente rápida. Pesquisa Vox Brasil divulgada em 3 de julho colocou Sergio Moro (PL) na liderança dos cenários testados para o governo estadual. Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB) e Sandro Alex (PSD) aparecem como os principais nomes na disputa pelo espaço restante. As convenções definirão quais pré-candidaturas sobreviverão, quais alianças serão rompidas e quem terá estrutura para enfrentar a campanha oficial.

Também estarão em disputa duas vagas do Paraná no Senado, além das cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa. O fim da participação brasileira na Copa retira o futebol do centro da conversa e devolve espaço para as negociações que decidirão palanques, suplências e distribuição do fundo eleitoral.

A Noruega encerrou o sonho do hexa, mas não provocou a crise do futebol brasileiro nem criou a polarização política. Apenas antecipou o momento em que o país precisaria olhar novamente para suas escolhas.

Quem esperava o fim da Copa para entrar na eleição já recebeu o apito inicial. A propaganda começa em 16 de agosto. A disputa pelo voto, pelo noticiário e pelas ruas começa agora.

Acompanhe no Blog do Esmael a formação das chapas, as pesquisas registradas, os acordos partidários e os bastidores das eleições de 2026 no Brasil e no Paraná.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *