O paranaense Clair Spanhol assumiu na última quinta-feira (25/6) a presidência do Comitê de Investimento do FI-FGTS, fundo de infraestrutura abastecido com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; em entrevista ao Blog do Esmael, ele disse que a prioridade é colocar o dinheiro para girar, gerar renda, emprego e cumprir função social.
O paranaense Clair Spanhol assumiu a presidência do Comitê de Investimento do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), uma cadeira estratégica na máquina pública que transforma dinheiro do trabalhador em financiamento de infraestrutura.
A eleição ocorreu em 25 de junho último, e o mandato será de um ano à frente do colegiado que analisa e delibera propostas de investimento em energia, rodovias, ferrovias, portos, saneamento e aeroportos.
O FI-FGTS não é um fundo qualquer. Segundo a Caixa Econômica Federal, o fundo tinha patrimônio líquido de R$ 18,8 bilhões, rentabilidade de 16,01% em 2024 e carteira concentrada em energia, portos, saneamento e rodovias. Ao longo dos anos, o FGTS aplicou mais de R$ 26 bilhões no FI-FGTS, que já retornou mais de R$ 29,7 bilhões ao Fundo, sendo R$ 3 bilhões apenas em 2024.
Em entrevista ao Blog do Esmael, Spanhol disse que a expectativa é fazer esse dinheiro “girar”, gerar renda, criar emprego e cumprir função social.
A frase recoloca o FI-FGTS no centro de uma disputa política concreta: o fundo deve funcionar apenas como carteira de investimento ou como instrumento de desenvolvimento nacional com retorno ao trabalhador?
Spanhol defendeu uma linha desenvolvimentista, em sintonia com o pensamento dos representantes das entidades obreiras no comitê e com a orientação do governo Lula para infraestrutura, emprego e renda.
“Estamos falando com os demais integrantes”, afirmou Spanhol ao Blog do Esmael.
A Caixa é a administradora do FI-FGTS. O Comitê de Investimento é composto por 12 membros titulares e respectivos suplentes e tem, entre suas atribuições, deliberar sobre propostas de investimento e acompanhar as diretrizes da política de investimentos do fundo.
O cargo de Spanhol não substitui a Caixa nem dá decisão pessoal sobre o dinheiro. Mas a presidência do colegiado dá condução política e institucional à mesa onde passam projetos bilionários, riscos financeiros, retorno ao FGTS e impactos sobre obras que afetam tarifa, logística, saneamento, energia e emprego.
Spanhol representa a União Geral dos Trabalhadores (UGT) no comitê e preside a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Celetistas em Cooperativas no Estado do Paraná (Fetracoop).
A chegada de um dirigente paranaense ao comando do comitê tem peso econômico para o estado. O Paraná depende de infraestrutura para escoar produção, sustentar cooperativas, reduzir gargalos logísticos, ampliar saneamento e enfrentar a conta de energia e transporte.
A pergunta política é simples: os recursos do trabalhador vão ficar parados na contabilidade ou financiar projetos com retorno financeiro, emprego formal e função social?
A resposta dependerá da capacidade do comitê de separar projeto produtivo de aposta ruim, investimento estruturante de negócio de curto prazo e interesse público de pressão privada.
O Blog do Esmael acompanhará as decisões do FI-FGTS, os votos do colegiado, os projetos aprovados e o impacto dos investimentos para o Paraná e para os trabalhadores brasileiros.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
