O Datafolha divulga neste sábado (20) nova pesquisa sobre a eleição presidencial de 2026, com intenções de voto e avaliação do governo Lula (PT), em levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09956/2026. O conflito político é direto: a pesquisa vai mostrar se Lula preservou a vantagem aberta em maio ou se Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu estancar o desgaste após o caso “Dark Horse”.
A coleta começou na quarta-feira (17) e tinha previsão de conclusão nesta sexta-feira (19). Estão previstas 2.004 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais, feitas em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
No último Datafolha, divulgado em maio, Lula aparecia isolado na liderança do primeiro turno, com 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vinha em segundo, com 31%. A diferença de 9 pontos colocou o presidente em posição mais confortável depois de uma rodada anterior de maior aperto entre os dois polos da disputa.
No cenário considerado mais provável de segundo turno pela pesquisa anterior, Lula tinha 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro era de 2 pontos, o resultado indicava vantagem numérica do petista no limite da margem, mas não encerrava a disputa política.
A nova rodada chega em um momento sensível para o senador do PL. A pesquisa de maio foi a primeira feita integralmente após as revelações sobre o filme “Dark Horse”, episódio em que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma produção sobre Jair Bolsonaro (PL). Flávio Bolsonaro nega ilegalidade no caso.
O impacto eleitoral desse episódio é a pergunta central. Para o PL, a pesquisa mostrará se o caso ficou restrito à bolha politizada ou se entrou no cálculo do eleitor comum. Para o PT, o levantamento indicará se a vantagem de Lula decorreu de um desgaste conjuntural do adversário ou de uma recomposição mais firme do governo no eleitorado.
O Datafolha também testa a avaliação do governo Lula. Esse dado importa porque a eleição presidencial de 2026 não será apenas uma disputa de nomes. Será também um julgamento sobre renda, emprego, preço dos alimentos, segurança, serviços públicos e capacidade do governo de entregar melhora concreta antes da campanha oficial.
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa inclui Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Joaquim Barbosa (DC), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Aécio Neves (PSDB) e Edmilson Costa (PCB).
A lista revela outra disputa dentro da própria direita. Zema e Caiado aparecem como alternativas testadas fora do núcleo bolsonarista, enquanto Flávio Bolsonaro tenta sustentar a condição de herdeiro eleitoral do pai. O resultado dirá se há espaço real para plano B ou se a direita seguirá presa ao sobrenome Bolsonaro.
No Paraná, a leitura será imediata. Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) dependem do tamanho nacional de Flávio Bolsonaro para calibrar palanque, discurso e aliança. Se o senador do PL perder força, cresce o custo de associar a disputa estadual a uma candidatura presidencial vulnerável. Se resistir, o bolsonarismo tentará vender sobrevivência como demonstração de comando.
A pesquisa não deve ser tratada como previsão de resultado. Levantamento eleitoral é fotografia do período de coleta, não sentença sobre a urna. Mas, na política, fotografia também produz consequência: anima aliados, assusta financiadores, muda agenda de campanha e pressiona partidos que olham para fundo eleitoral, tempo de televisão e sobrevivência regional.
O sábado (20) será, portanto, mais do que dia de número. Será o primeiro teste nacional do Datafolha depois que o caso “Dark Horse” entrou de vez na campanha antecipada. Lula buscará confirmar vantagem. Flávio Bolsonaro tentará provar que o escândalo não furou sua blindagem eleitoral. E os partidos de centro vão ler a tabela com a calculadora na mão.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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