O Instituto Datafolha marcou para este sábado (16) a divulgação de uma nova pesquisa presidencial de 2026, com intenção de voto, rejeição e avaliação do governo Lula, no primeiro termômetro nacional após os áudios que ligaram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no financiamento do filme “Dark Horse”.
O levantamento virou teste político porque chega depois de uma sequência ruim para o pré-candidato do PL: o Intercept Brasil publicou áudios sobre a negociação de recursos para o filme de Jair Bolsonaro, o Blog do Esmael registrou reportagem segundo a qual Eduardo Bolsonaro tinha papel no orçamento da produção, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) apura emendas ligadas à produtora do mesmo projeto.
O Datafolha pesquisou cenários de primeiro e segundo turno, rejeição dos candidatos e avaliação do governo Lula. No entanto, ressalva-se, pesquisa eleitoral mede o cenário no momento das entrevistas, não o resultado provável da eleição.
Esse cuidado é essencial. Se Flávio Bolsonaro oscilar, o dado não provará sozinho que o caso BolsoMaster produziu dano eleitoral. Mas indicará se o escândalo atravessou a bolha de Brasília e chegou ao eleitor que não acompanha a disputa jurídica, mas decide voto por renda, segurança, custo de vida e confiança nos candidatos.
A base de comparação é apertada. No Datafolha de abril, Lula (PT) aparecia com 45% contra 46% de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos. A mesma rodada havia registrado empate técnico do presidente também contra Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
A Quaest, divulgada na quarta-feira (13), também mostrou disputa travada: Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41% no segundo turno, além de rejeição alta para os dois, 53% contra o presidente e 54% contra o senador. A pesquisa foi registrada no TSE sob o código BR-03598/2026.
Por isso, o Datafolha deste sábado (16) não será apenas mais uma rodada de Lula contra Flávio Bolsonaro. Ele será lido como exame de resistência do candidato escolhido pelo bolsonarismo para herdar o espólio eleitoral de Jair Bolsonaro em 2026.
No Paraná, a leitura passa por Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e pela tentativa de manter uma aliança entre lavajatismo, bolsonarismo e direita liberal. O Blog do Esmael já mostrou que o caso BolsoMaster balançou a chapa Moro-Deltan e abriu uma crise de coerência no discurso anticorrupção da direita local.
A pesquisa interessa diretamente ao PL porque Flávio Bolsonaro não disputa apenas contra Lula. Ele disputa também contra a dúvida interna sobre sua viabilidade, contra a pressão de alternativas da direita e contra o custo político de explicar por que um banqueiro investigado aparece em conversas sobre financiamento de um filme de campanha simbólica.
O Novo também entra nessa conta. Romeu Zema vinha tentando ocupar o espaço de direita com discurso de gestão, moralidade e distância do bolsonarismo raiz. Se o Datafolha mostrar perda de força de Flávio Bolsonaro, o partido ganhará argumento para cobrar mais autonomia dos palanques estaduais.
Se o número vier estável, o efeito será outro. O PL dirá que a crise ficou restrita à elite política, à imprensa e aos adversários. Nesse caso, o caso BolsoMaster seguiria grave no campo institucional, mas ainda sem prova de corrosão imediata na urna.
A rejeição pode ser mais importante que a intenção de voto. Um candidato pode preservar base fiel e, ao mesmo tempo, aumentar o teto de resistência no eleitorado moderado. Para Flávio Bolsonaro, esse é o risco: crescer entre convertidos e perder espaço entre eleitores que toleravam o bolsonarismo por antipetismo, não por adesão familiar ao clã.
O dado sobre avaliação do governo Lula também precisa ser lido junto. Se o governo melhorar e Flávio Bolsonaro cair, o Planalto terá argumento para dizer que economia e escândalo caminharam no mesmo sentido. Se Lula não avançar, a crise do adversário poderá revelar mais desgaste do bolsonarismo do que força própria do lulismo.
O Datafolha não decide 2026, mas pode mostrar se o BolsoMaster virou dano eleitoral ou ficou, por enquanto, como ruído de Brasília. No Paraná, esse resultado baterá primeiro na porta do PL, do Novo e da aliança que Sergio Moro tenta sustentar com Deltan Dallagnol.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
