Líder do PT classifica como “extremamente grave” denúncia envolvendo Flávio Bolsonaro e Banco Master e defende CPI imediata
“Tem cara de financiamento político disfarçado de cinema”: Pedro Uczai pede CPI, PF, Conselho de Ética e quebra de sigilo bancário de Flávio Bolsonaro
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), classificou hoje (13) como “extremamente grave” a denúncia sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Diante disso, Uczai defendeu a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as irregularidades da instituição financeira, após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio no qual o senador de extrema-direita negocia um repasse de R$ 134 milhões com o banqueiro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Bancada do PT, junto com PSOL e PCdoB, vai atuar no âmbito do Congresso Nacional para que seja instalada imediatamente uma CPI.
Há duas possibilidades, segundo Uczai: uma, na Câmara, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), para investigar o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB); e outra, uma CPMI, de autoria das deputadas Fernanda Melchiona (PSOL-RS) e Heloisa Helena (Rede-RJ). Ambas têm o apoio da Bancada do PT.
Mansão de Flávio Bolsonaro
No caso específico da CPI do Master e BRB, Uczai frisou que é preciso investigar a fundo quem pagou a compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões, sendo metade financiada em condições privilegiadas pelo BRB.
“Quem pagou a mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília? Se o ex-presidente do BRB recebeu seis apartamentos de luxo que totalizam, com valores atualizados, R$ 146 milhões, como foi feita a operação financeira e quem pagou o financiamento de Flávio Bolsonaro em tão pouco tempo?”, questionou.
Segundo Uczai, também será encaminhado um requerimento de informações à Receita Federal para saber se houve registro das doações do banqueiro Daniel Vorcaro para as filmagens sobre Bolsonaro.
Apoie o VIOMUNDO
Conforme o líder do PT, é preciso saber ainda se houve registro do envio de dinheiro ao exterior e os nomes dos destinatários.
“Precisamos saber a origem desses R$ 134 milhões— ou pelo menos dos R$ 61 milhões que foram pagos —, se houve transação financeira acompanhada pela Receita, se teve relação tributária ou não”, disse.
“Essa relação próxima de Flávio Bolsonaro com Daniel, nessa busca por recurso financeiro para o filme, não é algo qualquer. Ninguém doa R$ 134 milhões sem ter relação pessoal, política, até afetiva”, comentou.
Investigação da PF
A Bancada do PT, PSOL e PCdoB também encaminharam uma Notícia de Fato à Polícia Federal para investigar a denúncia envolvendo o senador de extrema-direita, inclusive com pedido de quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Além disso, Uczai informou que, a partir das graves denúncias, serão feitas gestões para abrir uma investigação no Conselho de Ética do Senado Federal. “É grave, tudo muito grave”, sublinhou o líder do PT.
Para Uczai, o caso demonstra mais o porquê de um “acordão” entre a extrema-direita e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para derrotar a candidatura de Jorge Messias ao STF, há duas semanas, e depois derrubar os vetos do Presidente Lula ao PL da Dosimetria, que aliviou penas de golpistas.
“O que estava em jogo não era derrotar o Presidente Lula ou derrotar a democracia, mas sim a não leitura da CPMI do Banco Master”, explicou.
Em sua conta na rede social X, Uczai escreveu que as mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro revelam “intimidade, dependência financeira e cobrança por novos repasses”.
Ele lembrou que o senador chamava Vorcaro de “irmão”, agradecia afirmando que “tudo isso só está sendo possível por causa de você” e pedia socorro para não perder contrato, ator, diretor e equipe.
Para o líder do PT, o caso “tem cara de financiamento político disfarçado de cinema”.
Ele ressaltou que envolve um banqueiro investigado, um banco em liquidação e o filho do ex-presidente negociando milhões para viabilizar uma narrativa eleitoral. “Isso exige apuração imediata”, escreveu.
Segundo Uczai, as relações suspeitas do clã Bolsonaro com Vorcaro começam ainda no governo Jair Bolsonaro, em 2019, quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, concedeu total liberdade de ação ao banqueiro, que hoje se encontra
Íntegra da Notícia de Fato encaminhada à PGR e à Polícia Federal
pf-e-pgr-noticia-de-fato-flavio-bolsonaro-e-vorcaro
Publicação de: Viomundo
