O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, comemorou a derrubada do veto à Dosimetria como “presente de aniversário” e colocou a redução de penas dos condenados pelo 8 de Janeiro no centro de sua largada eleitoral.
A frase não foi desvio de roteiro. Foi programa.
Flávio Bolsonaro disse que não poderia haver “presente de aniversário melhor” e tratou a votação como homenagem a pessoas que, segundo ele, esperam por justiça. A declaração foi dada depois da sessão do Congresso que reabriu caminho para mudanças no cálculo das penas.
No vídeo publicado nas redes sociais, o filho de Jair Bolsonaro também falou em “novo começo” para famílias de condenados e incluiu o pai entre os “injustiçados pelo 8 de Janeiro”.
Está aí a diferença entre campanha e disfarce.
Flávio Bolsonaro não tenta vender uma candidatura moderada, administrativa ou distante da crise golpista. Ele oferece ao bolsonarismo a promessa de revisão política do 8 de Janeiro, embalada como reparação familiar.
O Congresso derrubou o veto do presidente Lula (PT) por 318 votos a 144 na Câmara, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela derrubada e 24 pela manutenção do veto.
A votação recolocou na mesa uma mudança sensível. O texto altera regras de cálculo de pena para crimes ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023 e pode beneficiar condenados pela tentativa de ruptura democrática.
A palavra “dosimetria” parece técnica, mas o efeito político é simples: trata-se de mexer no tamanho da pena. Para o eleitor comum, a pergunta vira outra: quem deve pagar pelo ataque às instituições e quem deve ganhar alívio?
Flávio Bolsonaro escolheu responder pelo lado dos seus.
Ao transformar a votação em presente pessoal, o senador aproximou sua campanha da situação jurídica do pai. A prisão de Jair Bolsonaro deixa de ser constrangimento e passa a ser combustível eleitoral.
Esse é o risco para o próprio Flávio Bolsonaro.
A candidatura que tenta falar em futuro nasce presa ao passado recente. O 8 de Janeiro, que a democracia brasileira tratou como ataque às instituições, aparece no discurso do pré-candidato como injustiça a ser reparada.
A direita ganhou uma votação importante no Congresso. Mas também deixou uma digital clara para 2026: sua primeira grande bandeira não foi salário, comida, emprego ou jornada de trabalho. Foi aliviar pena de golpista.
O eleitorado bolsonarista pode aplaudir. O eleitorado fora da bolha terá de decidir se quer entregar o Planalto a uma campanha que trata a Dosimetria como bolo de aniversário.
Flávio Bolsonaro não está escondendo o roteiro. A disputa de 2026 começa, para ele, com Jair Bolsonaro no centro, o 8 de Janeiro como causa e o Congresso como instrumento de revanche política.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
