Coletivo Mulheres Vivas expõe ‘colcha-denúncia’ em Floripa na próxima semana

Da Redação

Atente à foto no topo.

É um detalhe da ”colcha-denúncia”, do coletivo Mulheres Vivas que, na próxima semana, de 22 a 25 abril, estará em exposição no Floripa Quilt, tradicional festival de patchwork e arte têxtil da capital de Santa Catarina.

Uma reação da sociedade civil à crescente e cruel violência contra as mulheres no Brasil.

Começou a ser bordada em fevereiro, quando o número de feminicídios em 2026 chegava 150, segundo a página @Quem Ama Liberta.

A colcha-denúncia tem 3 metros de comprimento e 2 metros de largura.

É composta por 111 paninhos, onde estão bordados os nomes de 181 mulheres vítimas de feminicídio.

“Os 111 paninhos que formam nossa ‘colcha-denúncia’ expressam nosso inconformismo, nossa indignação e nossa luta para combater o feminicídio’’, diz o Movimento Mulheres Vivas em nota divulgada em várias páginas de redes sociais (na íntegra, mais abaixo).

A proposta partiu do grupo Fios de Sol, de Florianópolis.

‘’Nós puxamos, mas tem grupos em várias partes do Brasil’’, diz Olinda Evangelista, que é integrante dele.

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”Somos uma voz entre tantas”, ressalta.

Resultado: formaram um coletivo de 70 pessoas – 66 mulheres e quatro homens — para bordar a colcha.

Seus integrantes são de:

Porto Alegre (RS)

Niterói, Rio de Janeiro e São Gonçalo (RJ)

Curitiba e Londrina (PR)

Florianópolis, Laguna e Garopaba (SC)

Sorocaba (SP)

Juiz de Fora e São João Del Rei (MG)

Recife (PE)

A primeira exposição foi na Livraria Mundo Sur, em Florianópolis, de  1 e 8 de abril.

A segunda será no Floripa Quilt, na próxima semana.

Importante: a colcha-denúncia é itinerante e pode ser emprestada para exposição em outras cidades e outros estados.

Para isso, entre em contacto com o ateliê Fios de Sol, no bairro Campeche, em Floripa.

É um espaço onde seis bordadeiras artesanais trabalham. 

Foi o ateliê que costurou os 111 paninhos e finalizou a colcha-denúncia.

Ao começarmos a bordar a “colcha-denúncia”, em fevereiro deste ano, o número de feminicídios no Brasil chegava a 150 e, em 29 de março de 2026, a página @Quem Ama Liberta registrou o 270° assassinato de mulheres entre cinco dias de vida e 80 anos.

O Laboratório de Estudos de Feminicídios no Brasil (LESFEM), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que denuncia a violência contra mulheres, informa que, em 2025, ocorreram 2.151 feminicídios, a grande maioria cometido por companheiros e ex-companheiros, dentro de casa, hoje o lugar de menor segurança para a mulher. No país, 4,2 mulheres são assassinadas por dia. Esses números chocantes espalham-se pela América Latina e pelo Caribe.

A crueldade atinge também as crianças, pois, segundo o IPEA, em 2025, mais de 12.400 ficaram órfãs de mãe, e muitas delas presenciaram o feminicídio e seguiram sem acompanhamento psicológico público.

A alarmante vaga de violência contra as mulheres é grave e cruel. Os 181 nomes de mulheres vítimas de feminicídio que nós bordamos,  66 mulheres e 4 homens,  nos 111 paninhos que formam nossa “colcha-denúncia”, expressam nosso inconformismo, nossa indignação e nossa luta para combatê-lo.

As linhas que sustentam nosso trabalho são as da solidariedade e da necessária coragem. Às tentativas de assassinato, respondemos com Conceição Evaristo: “a gente combinamos de não morrer!”

Publicação de: Viomundo

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