Vereadora do PL enfrenta pedido de cassação após embate sobre Ceará em Curitiba

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A vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) tornou-se alvo de um pedido de cassação na Câmara Municipal de Curitiba após um embate com a vereadora Vanda de Assis (PT), durante a votação de um projeto sobre pessoas em situação de rua. Acusada por adversários de xenofobia, a parlamentar divulgou um vídeo em que afirma que sua fala foi retirada de contexto e sustenta que fez uma crítica política à gestão do PT no Ceará.

A vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) enfrenta um pedido de cassação por suposta quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Curitiba após protagonizar um embate com a vereadora Vanda de Assis (PT) durante a sessão de quarta-feira, 5 de agosto. O caso, que começou como um confronto em plenário, transformou-se em uma crise política no Legislativo curitibano e deve produzir novos desdobramentos nos próximos dias.

O episódio ocorreu durante a discussão de um projeto de lei que cria um cadastro municipal de pessoas em situação de rua. Enquanto Vanda de Assis criticava a proposta, Tathiana Guzella pediu um aparte para participar do debate.

Segundo o relato da parlamentar do PL, ela perguntou se a colega era natural do Ceará e, após a confirmação, afirmou que a vereadora deveria “voltar para lá” para verificar os resultados das políticas implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) naquele estado antes de defendê-las em Curitiba.

A declaração provocou forte reação entre parlamentares da oposição e motivou a apresentação de uma representação pedindo a cassação do mandato da vereadora por suposta quebra de decoro parlamentar. Os autores do pedido sustentam que a manifestação extrapolou os limites do debate político e teve caráter discriminatório.

Vereadora nega xenofobia

Em resposta à repercussão, Tathiana Guzella publicou um vídeo nas redes sociais negando qualquer prática de xenofobia.

Segundo a vereadora, sua fala foi retirada de contexto e teve como objetivo criticar a condução das políticas públicas do PT no Ceará, especialmente em relação ao aumento da população em situação de rua.

Ela afirma que pretendia apresentar dados oficiais sobre Fortaleza para sustentar sua argumentação, mas diz ter sido interrompida antes de concluir o raciocínio. No vídeo, entretanto, esses dados não são exibidos.

A parlamentar também ressalta que é natural de Santa Catarina e que conhece a realidade de quem migra para outro estado, razão pela qual rejeita a acusação de preconceito contra nordestinos.

“Foi um enfrentamento político e ideológico”, afirma a vereadora na gravação, acrescentando que adversários transformaram o episódio em uma acusação de xenofobia para desviar o foco do debate sobre políticas públicas para pessoas em situação de rua.

Processo pode avançar na Câmara

O pedido de cassação será analisado conforme o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Municipal de Curitiba. Os órgãos competentes deverão decidir se a representação será admitida para abertura de um processo disciplinar.

Caso o procedimento avance, a vereadora terá direito à ampla defesa e ao contraditório antes de eventual deliberação do plenário sobre a perda do mandato.

O episódio também reacendeu o debate sobre os limites da imunidade parlamentar, da liberdade de expressão e da responsabilização de agentes públicos por declarações consideradas ofensivas ou discriminatórias.

Enquanto isso, o caso amplia a tensão entre as bancadas do PL e do PT na Câmara de Curitiba e tende a permanecer no centro da agenda política da capital paranaense.

O Blog do Esmael acompanhará a tramitação da representação e os próximos desdobramentos do caso.

Acompanhe a cobertura política do Paraná, de Curitiba, de Brasília e das eleições de 2026 no Blog do Esmael.

PT divulga nota de repúdio contra vereadora do PL

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”. “O Nordestino é, antes de tudo, resistente”. Emprestamos e adaptamos a frase do escritor Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, para antes de tudo, prestar homenagem e solidariedade à vereadora de Curitiba, Vanda de Assis (PT), que foi vítima de ataque xenofóbico proferido pela vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL). A fala da bolsonarista não representa o sentimento do povo curitibano e paranaense com as irmãs e irmãos de todos os estados brasileiros.

É inadmissível que em plena democracia uma parlamentar ataque a colega apenas por conta de sua origem regional. A fala da vereadora ao mandá-la “voltar para o Ceará” não foi um lapso de debate, mas uma agressão calculada que expõe o pior do preconceito regional e da violência política de gênero. Tenta inferiorizar uma mulher negra e nordestina que ousa ocupar espaços de poder, que exerce um mandato legítimo e fincado na força do povo.

Xenofobia é crime, de acordo com a Lei Nº 9.459, de 13 de maio de 1997, com pena de reclusão de um a três anos e multa. São parlamentares como Thatiana que dizem defender a “liberdade de expressão” apenas para poder atacar honra, raça e direitos de brasileiras e brasileiros impunemente.  

Do ponto de vista jurídico e democrático, o que vimos em Plenário não é divergência política: é também crime de racismo. A legislação brasileira (Lei nº 7.716/89, atualizada pela Lei nº 14.532/23) e a jurisprudência do STF são cristalinas ao punir a xenofobia e a discriminação por procedência regional como crimes de racismo, que são inafiançáveis e imprescritíveis.

Os livros de história e geografia mostram que a população de nosso estado é composta por 28 etnias, de imigrantes alemães, poloneses, ucranianos, italianos, portugueses, holandeses, espanhóis, árabes, argentinos e japoneses, além dos indígenas que já habitavam o território. É composta por cearenses, catarinenses, paulistas, gaúchos, mineiros, cariocas, nortistas, entre outros. 

Grandes metrópoles como Nova York, São Paulo, Tóquio, Berlim se orgulham justamente de acolher povos de diferentes regiões, línguas e costumes. O que não é diferente com Curitiba, uma cidade moderna, inteligente, acolhedora e tolerante.

Diante desses fatos, prestamos solidariedade à cearense Vanda de Assis, a todo o povo nordestino e colocamos o Partido dos Trabalhadores do Paraná à disposição para a tomada de medidas legais cabíveis.

Exigimos que a Câmara Municipal de Curitiba e o Ministério Público ajam com rigor exemplar, aplicando as sanções éticas, políticas e penais cabíveis à agressora.

Nenhum passo atrás contra o racismo, a xenofobia e a misoginia. Vanda, estamos juntos na trincheira da democracia e da representatividade das mulheres!

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Arilson Chiorato, presidente do PT, criado em Ourizona e morador de Apucarana e exercendo mandato de deputado estadual em Curitiba

Secretária Estadual de Combate ao Racismo PT-PR

Secretaria Estadual de Mulheres PT-PR

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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