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Pesquisa realizada durante a crise do Banco Master mostra que 37% defendem o afastamento temporário de André Mendonça e 34% querem a saída temporária de Alexandre de Moraes; Senado também entra no radar do eleitor
A crise do Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do Banco Master já alcançou a opinião pública. Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro mostra que 37% dos brasileiros defendem o afastamento temporário do ministro André Mendonça, enquanto 34% defendem a mesma medida contra Alexandre de Moraes. O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Os números não significam que a maioria da população queira retirar os dois ministros do Supremo. Eles mostram, porém, que uma parcela expressiva dos entrevistados considera justificável uma medida excepcional contra integrantes da mais alta Corte do país justamente quando o tribunal atravessa uma disputa pública entre seus próprios ministros.
A diferença entre os dois é pequena e está dentro da margem de erro. Mendonça aparece com 37%, três pontos acima de Moraes, que registra 34%.
Impeachment divide a percepção sobre os ministros
Quando a pergunta deixa o afastamento temporário e chega ao impeachment, a distância aumenta.
Segundo o Datafolha, 28% defendem que Alexandre de Moraes sofra processo de impeachment, enquanto 12% dizem o mesmo em relação a André Mendonça. A pesquisa também encontrou 13% que defendem a renúncia de Moraes e 11% que defendem a saída de Mendonça por essa via.
Há ainda uma parcela que não identifica irregularidade na conduta dos ministros. No caso de Moraes, 7% afirmam que não houve nada de errado. Para Mendonça, esse percentual chega a 25%.
O resultado produz uma diferença política relevante: o afastamento temporário encontra apoio semelhante para os dois ministros, mas a percepção sobre um eventual impeachment é muito mais negativa para Moraes.
A distinção importa porque afastamento, renúncia e impeachment são medidas diferentes. O Datafolha mediu a opinião dos eleitores sobre essas possibilidades, não uma decisão institucional sobre a permanência dos ministros.
Senado entra no cálculo da crise
A pesquisa também leva o eleitor para o terreno do Congresso Nacional. O debate sobre eventual responsabilização de ministros do STF passa pelo Senado, que tem competência constitucional para processar e julgar ministros da Corte em crimes de responsabilidade.
O dado mais expressivo é que 28% dos entrevistados defendem o impeachment de Moraes, enquanto 12% apoiam a mesma medida contra Mendonça. A pesquisa capta, portanto, não apenas a percepção sobre o conflito entre os ministros, mas também o grau de apoio social a uma eventual intervenção política do Senado.
O resultado ganha peso porque a crise chegou ao Congresso ao mesmo tempo em que contaminou a disputa presidencial. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou a explorar politicamente o conflito e associar Moraes ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Crise do Master chega ao eleitor
O conflito entre Moraes e Mendonça se agravou depois que documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, passaram a alimentar investigações envolvendo integrantes do STF.
Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Master, determinou medidas contra integrantes da Polícia Federal (PF) durante a escalada da crise. Moraes, por sua vez, reagiu com pedido de investigação contra o colega. A disputa atingiu diretamente o funcionamento institucional da Corte e provocou intervenção do presidente do STF, Edson Fachin.
O Datafolha mostra que esse embate não ficou restrito aos tribunais, ao Congresso e aos círculos políticos. Ele já produziu uma opinião pública dividida sobre o destino dos dois ministros.
Outro dado da mesma pesquisa ajuda a dimensionar o alcance da crise: 76% dos brasileiros consideram que os ministros do STF têm poder excessivo, embora 71% ainda avaliem que o tribunal é essencial para proteger a democracia. Além disso, 77% dizem perceber queda na confiança na Corte ao longo do tempo.
Esse conjunto é mais revelador do que a disputa individual entre Moraes e Mendonça. O eleitor pode criticar decisões e integrantes do Supremo e, simultaneamente, continuar considerando a instituição necessária para a democracia.
Crise institucional ainda não virou voto
Apesar do desgaste, a crise não provocou uma mudança proporcional na intenção de voto para presidente.
Na mesma rodada, 85% disseram que as denúncias envolvendo Moraes não alteraram sua escolha eleitoral, enquanto 86% deram a mesma resposta em relação às acusações envolvendo Mendonça. Lula apareceu com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro.
O retrato, portanto, é de uma crise institucional com forte impacto na avaliação do Supremo, mas ainda com efeito limitado sobre a decisão eleitoral declarada.
A pergunta que fica para as próximas pesquisas é se o desgaste continuará concentrado na imagem da Corte ou se passará a alterar a preferência por candidatos. O Datafolha de setembro registra o primeiro sinal nacional desse possível deslocamento.
Leia mais sobre a crise do STF e o caso Banco Master no Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
