Sandro Alex recebe União Progressista e deixa Moro na saudade

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A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho, apoio ao projeto de Sandro Alex (PSD) para o Governo do Paraná e a Alexandre Curi (Republicanos) na disputa pelo Senado. A decisão fortalece o candidato escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD), fecha uma das principais portas de aliança no campo governista e aumenta o isolamento eleitoral de Rafael Greca (MDB).

O anúncio representa uma vitória política de Ratinho Junior e do grupo que controla o Palácio Iguaçu. Com União Brasil e PP incorporados ao palanque, Sandro Alex amplia tempo partidário, capilaridade municipal, estrutura de campanha e acesso a lideranças com presença no interior do Paraná.

A coalizão também encerra a expectativa de uma reaproximação entre o senador Sergio Moro (PL) e o deputado federal Ricardo Barros (PP), principal dirigente progressista no estado. O grupo de Moro acreditava que poderia atrair o PP para seu projeto eleitoral, inclusive mediante negociações envolvendo a chapa ao Senado. Essa tentativa já enfrentava resistência pública dos progressistas antes da saída do senador do União Brasil.

Moro deixou o União Brasil e ingressou no PL, movimento recebido por Ricardo Barros como uma liberação para que a Federação União Progressista definisse seu rumo nas convenções. A opção por Sandro Alex confirma que o grupo de Barros preferiu regressar ao campo de Ratinho Junior em vez de reconstruir a ponte com o ex-juiz da Lava Jato.

A saudade mencionada no título é política. Moro manteve durante meses a expectativa de contar com a federação, mas terminou fora da composição. O senador conserva força eleitoral e estrutura própria no PL, porém perde partidos que poderiam ampliar seu arco de alianças e reduzir a resistência entre prefeitos, deputados e lideranças ligadas ao governo estadual.

Ratinho reúne partidos em torno de Sandro Alex

O primeiro efeito prático da aliança é o fortalecimento da candidatura apoiada pelo sistema político instalado no Paraná. Sandro Alex foi apresentado por Ratinho Junior como o nome do PSD para a sucessão estadual e passa a reunir uma coligação com maior presença institucional, parlamentar e municipal.

A palavra “sistema”, nesse caso, não descreve uma conspiração abstrata. Refere-se ao conjunto de forças organizadas em torno do governo estadual, formado por partidos, prefeitos, deputados, secretários, estruturas regionais e lideranças beneficiadas pela relação política com o Palácio Iguaçu.

Ratinho Junior encerra seu segundo mandato com o desafio de transferir votos e manter seu grupo no comando do estado. Sandro Alex depende dessa transferência porque precisa converter a aprovação do governador em identidade eleitoral própria. A chegada da União Progressista fornece musculatura, mas também reforça a imagem de candidato da continuidade.

Alexandre Curi entra na composição como candidato ao Senado apoiado pela federação. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Curi representa uma das engrenagens mais importantes da base governista e passa a ocupar espaço central numa eleição em que cada eleitor escolherá dois senadores.

A aliança cria ainda uma divisão objetiva das funções políticas. Sandro Alex encabeça a disputa pelo Executivo, enquanto Curi busca transportar para o Senado a força acumulada na Alep e nas relações com prefeitos. Ratinho Junior aparece como fiador dos dois projetos.

O acordo não decide a eleição, mas organiza o campo governista antes da fase decisiva das convenções, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Também reduz as opções disponíveis para adversários que apostavam numa fragmentação prolongada da base de Ratinho Junior.

Greca perde a aliança e segue isolado na disputa

O segundo efeito prático recai sobre Rafael Greca. O ex-prefeito de Curitiba deixou o PSD, filiou-se ao MDB e lançou sua pré-candidatura ao Governo do Paraná com o objetivo de construir uma coligação capaz de enfrentar os grupos de Ratinho Junior e de Sergio Moro.

A União Progressista era uma das principais possibilidades de ampliação desse projeto. O próprio Ricardo Barros trabalhou anteriormente para atrair Greca ao campo progressista, num movimento que poderia oferecer ao ex-prefeito uma chapa mais robusta para disputar o Palácio Iguaçu.

O apoio a Sandro Alex encerra essa possibilidade. Greca permanece com o MDB, sua trajetória administrativa e o capital eleitoral construído em Curitiba, mas sem a coalizão que poderia oferecer maior penetração no interior, mais candidatos proporcionais e uma rede de prefeitos comparável à estrutura governista.

O isolamento não significa retirada automática nem inviabilidade eleitoral. Greca lançou sua pré-candidatura com apoio da direção nacional do MDB e reivindica experiência de três mandatos como prefeito de Curitiba. O problema está na desigualdade de estruturas: enquanto Sandro Alex agrega partidos e máquinas municipais, Greca precisa ampliar sozinho uma candidatura inicialmente concentrada na capital e na Região Metropolitana.

A decisão da União Progressista também altera a dinâmica entre os candidatos do campo conservador. Sandro Alex passa a representar com mais nitidez a continuidade administrativa; Moro preserva um projeto bolsonarista e lavajatista pelo PL; Greca busca uma faixa de centro-direita com o MDB. A fragmentação continua, mas o governo entra na disputa com o bloco partidário mais organizado.

O desafio de Sandro Alex será demonstrar que a força das siglas produz votos, e não apenas fotografias com dirigentes. Moro tentará transformar a exclusão da aliança em discurso contra o establishment estadual. Greca precisará provar que sua candidatura pode sobreviver sem a coligação que aguardava.

A escolha da União Progressista não entrega antecipadamente o Palácio Iguaçu a Ratinho Junior, mas define quem terá acesso à estrutura mais ampla do governismo. Sandro Alex recebeu o apoio. Moro ficou sem a reaproximação esperada. Greca perdeu a aliança que poderia romper seu isolamento.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das alianças, convenções e disputas eleitorais no Paraná.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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