PF mira Ciro Nogueira e põe na vitrine projeto parecido de Filipe Barros

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (7) a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, e colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) entre os alvos políticos do caso. A ofensiva policial também reacende uma trilha legislativa pouco explorada: três meses depois de uma emenda de Ciro sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) apresentou projeto com objetivo semelhante na Câmara.

A operação foi anunciada oficialmente pela PF como uma ação para aprofundar investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A PF também informou que a decisão judicial autorizou bloqueio de bens, direitos e valores de R$ 18,85 milhões. A nota oficial da corporação não cita nominalmente Ciro, mas veículos de Brasília registraram que o senador foi alvo de busca e apreensão em endereços ligados a ele.

O eixo político da investigação passa pela suspeita de favorecimento ao Banco Master no Congresso. Reportagens sobre a decisão que autorizou a operação afirmam que a PF relaciona mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a uma emenda apresentada por Ciro à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que trata da autonomia financeira do Banco Central.

Essa emenda, registrada no Senado em 13 de agosto de 2024, é o ponto que interessa ao fio legislativo. O sistema do Senado mostra a Emenda 11 à PEC 65/2023 como de autoria de Ciro Nogueira. O texto buscava inserir dispositivos sobre o FGC e elevar a garantia por pessoa física ou jurídica para R$ 1 milhão.

Na Câmara, o Projeto de Lei 4395/2024 foi apresentado por Filipe Barros em 14 de novembro de 2024. A ementa é direta: altera o limite de cobertura do FGC para até R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ, sob o argumento de ampliar a proteção de investidores e assegurar a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

A coincidência de objeto é evidente. Primeiro, Ciro apresentou a emenda ao Senado. Depois, Filipe Barros protocolou projeto na Câmara com a mesma cifra central, R$ 1 milhão, e com a mesma moldura institucional, o FGC. Não há, porém, confirmação pública de acordo entre os dois parlamentares, nem documento que prove coordenação entre os gabinetes.

Esse cuidado importa porque a política de Brasília costuma transformar sequência em conspiração antes da prova. O dado concreto é a cronologia. A leitura política é outra coisa: a agenda circulou dentro de um campo parlamentar de direita, em momento de interesse direto do sistema financeiro e de bancos com apetite por captação via certificados de depósito bancário.

O projeto de Filipe Barros já não tramita. A ficha da Câmara registra que o PL 4395/2024 foi retirado pelo autor em 3 de fevereiro de 2026, depois do deferimento de requerimento apresentado pelo próprio deputado. Ainda assim, a retirada não apaga o rastro político do texto.

Há um ponto de correção necessário no debate público. Os registros legislativos indicam que o PL 4395/2024 não trata de regulação de plataformas digitais, publicidade online ou responsabilização de redes. O projeto de Filipe Barros trata do limite de cobertura do FGC. A pauta digital aparece em outros projetos no Congresso, mas não é o conteúdo do PL 4395/2024.

Para o PP, o desgaste é direto. Ciro é uma das engrenagens mais conhecidas do centrão e comandou a Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. A entrada de seu nome no radar ostensivo da PF enfraquece a narrativa de normalidade institucional de um bloco que vive de controlar orçamento, cargos e pontes com qualquer governo.

Para o bolsonarismo do Paraná, a sombra é mais lateral, mas politicamente incômoda. Filipe Barros não é acusado pela operação desta quinta-feira (7). O que o envolve nesta história é o projeto semelhante, protocolado três meses depois da emenda de Ciro e retirado no começo de 2026. Em política, às vezes o constrangimento nasce menos do inquérito e mais do papel timbrado.

O impacto econômico do tema também não é pequeno. A ampliação da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão mudaria incentivos para investidores, bancos médios, plataformas de distribuição de renda fixa e emissores de CDBs. Para instituições sob pressão, uma garantia maior pode virar chamariz de captação; para o sistema, pode significar risco redistribuído sob verniz de proteção ao investidor.

A defesa de Ciro, entretanto, repudiou ilações de ilicitude e afirmou que o senador não teve participação em atividades ilícitas ou nos fatos investigados. O caso, portanto, ainda está no terreno da investigação, não de condenação. Mas a vitrine legislativa já está montada: emenda no Senado, projeto parecido na Câmara e uma operação policial que empurra o centrão para explicar seu papel no caso Master.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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