Moro coloca Paraná no mapa de Flávio Bolsonaro

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O senador Sergio Moro (PL) passou a integrar o mapa nacional de candidatos a governador aliados de Flávio Bolsonaro (PL) que lideram pesquisas nos maiores colégios eleitorais do país. Levantamento deste domingo, 30 de agosto, a partir de pesquisas da Quaest realizadas no fim de agosto, mostra nomes apoiados pelo candidato presidencial à frente em quatro dos dez maiores estados, além do Distrito Federal. No Paraná, Moro aparece com 37%.

O dado muda a leitura da eleição paranaense porque conecta diretamente a sucessão do governador Ratinho Junior (PSD) à disputa presidencial. Moro não é apenas o líder da corrida pelo Palácio Iguaçu na pesquisa mais recente da Quaest. Ele aparece também como uma das peças estaduais do campo político que Flávio Bolsonaro tenta organizar nacionalmente.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a corrida estadual com 40%. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) aparece com 50%. No Distrito Federal, Celina Leão (PP) tem 30%. Em Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos) lidera com 29%, embora o candidato oficial do PL seja Flávio Roscoe.

O Paraná entra nessa fotografia com Moro. A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto mostrou o senador com 37% no primeiro turno, contra 21% de Requião Filho (PDT) e 15% de Sandro Alex (PSD). O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A vantagem de Moro também aparece nos cenários de segundo turno. Segundo a mesma pesquisa, ele venceria Requião Filho por 51% a 27% e Sandro Alex por 48% a 19%. Sem Moro na disputa, Requião Filho teria 37%, contra 24% de Sandro Alex.

A relação entre as duas eleições aparece de forma ainda mais clara no próprio levantamento da Quaest no Paraná. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro alcançou 41% das intenções de voto no estado, contra 23% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo os números divulgados pela pesquisa.

Ou seja, o Paraná combina dois movimentos favoráveis ao campo bolsonarista: Flávio lidera a corrida presidencial local e Moro lidera a disputa pelo governo estadual.

Isso não significa, por si só, que o eleitor de Flávio necessariamente votará em Moro. Pesquisa eleitoral não permite estabelecer essa transferência individual de votos sem um cruzamento específico. O que o levantamento permite afirmar é que os dois candidatos ocupam posições competitivas no mesmo ambiente eleitoral paranaense.

Há ainda um dado político relevante. A própria Quaest perguntou aos eleitores do Paraná que tipo de alinhamento desejariam para o próximo governador. Segundo o levantamento, 38% preferem um governador aliado de Flávio Bolsonaro, 35% querem um aliado de Lula e 24% preferem um governador independente.

O resultado mostra que o alinhamento presidencial não é um assunto marginal na sucessão de Ratinho Junior. Existe praticamente um empate entre as preferências por um governador ligado a Flávio e por um governador ligado a Lula.

Flávio tem mais aliados competitivos que Lula

A fotografia nacional reforça essa diferença. Entre os dez maiores estados considerados pelo levantamento, o único aliado de Lula que aparece na liderança é Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, com 37%. Em três estados, a disputa permanece indefinida. No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) lidera sem se apresentar como aliado de Lula ou Flávio; em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) também aparece à frente sem alinhamento declarado com os dois presidenciáveis.

O mapa, portanto, não representa uma fotografia homogênea do país. Ele mostra uma concentração maior de candidatos competitivos associados a Flávio em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

Para o candidato presidencial do PL, isso significa ter potenciais palanques estaduais competitivos em diferentes regiões. Para Moro, a consequência é outra: sua liderança no Paraná ganha uma dimensão nacional porque passa a ser observada como parte da estratégia eleitoral do grupo bolsonarista.

A sucessão de Ratinho entra na eleição presidencial

O ponto central para o Paraná é que a eleição para o governo não acontece em uma bolha. Ratinho Junior deixa o Palácio Iguaçu com aprovação elevada, e a disputa pela sucessão envolve candidatos com posições distintas diante da eleição presidencial.

Moro está no PL e aparece associado ao campo de Flávio Bolsonaro. Sandro Alex é do PSD, partido que possui candidatura própria à Presidência e sustenta a sucessão de Ratinho Junior no estado. Requião Filho, do PDT, disputa pelo campo oposicionista e mantém uma posição distinta em relação ao governo estadual.

A Quaest captou justamente esse ambiente. Ao perguntar sobre o perfil político desejado para o próximo governador, o instituto encontrou uma diferença pequena entre a preferência por um aliado de Flávio e a preferência por um aliado de Lula.

Isso ajuda a explicar por que a eleição presidencial pode funcionar como uma variável importante na corrida pelo Palácio Iguaçu, mas não autoriza concluir que a eleição estadual esteja decidida pelo voto presidencial.

O eleitorado ainda apresenta espaço relevante para mudança. Na pesquisa espontânea da Quaest, quando os nomes não são apresentados, Moro tinha 13%, Requião Filho 7% e Sandro Alex 4%, enquanto 73% não sabiam ou não quiseram responder.

A disputa, portanto, continua aberta à campanha, aos debates, ao horário eleitoral e às alianças que serão construídas até outubro.

O que mudou foi o enquadramento.

Moro deixou de ser apenas o candidato que lidera uma pesquisa para governador no Paraná. Na fotografia nacional, deste domingo, ele aparece ao lado de Tarcísio, Jorginho Mello, Celina Leão e Cleitinho como parte de um conjunto de candidatos estaduais competitivos associados ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

Para o Paraná, a pergunta passa a ser menos sobre quem lidera uma pesquisa isolada e mais sobre quanto a disputa presidencial será capaz de contaminar, impulsionar ou reorganizar a sucessão de Ratinho Junior.

É aí que Moro vira peça do mapa nacional de Flávio.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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