O governador Ratinho Junior (PSD) saiu da ExpoLondrina, encerrada no domingo (19), com a sucessão paranaense mais pressionada do que entrou. O final da feira virou vitrine política de alto calibre: o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, passou pelo evento na quinta-feira (16), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também circulou por Londrina durante a exposição. O saldo político acabou maior que o rural.
A pressão cresceu porque Ratinho acabou de escolher Sandro Alex (PSD) para disputar o Palácio Iguaçu, mas o nome ainda entra sem prova de empolgação eleitoral própria. A Paraná Pesquisas divulgada em 13 de abril mostrou que Guto Silva (PSD), descartado pelo governador, tinha ficado em 3,6% no principal cenário estimulado e em 0,5% na espontânea. Sandro nem apareceu na sondagem porque a coleta terminou antes da escolha. O problema do Palácio, portanto, continua o mesmo: o favoritismo de Sergio Moro (PL) segue de pé, enquanto o candidato governista ainda precisa se apresentar ao eleitor de verdade.
Foi nesse ambiente que, segundo apuração do Blog do Esmael, a ressaca da ExpoLondrina passou a alimentar uma articulação mais ampla na centro-direita para tentar erguer uma frente anti-Moro no Paraná. A presença de Rueda e Motta deu musculatura nacional a conversas que já vinham correndo nos bastidores do estado. Não se trata mais apenas de discutir quem será vice, senador ou cabo eleitoral. O debate agora é se a candidatura de Sandro Alex aguenta a pressão das próximas semanas ou se a direita paranaense ainda vai mexer nas próprias peças antes da largada oficial.
Nos bastidores da política, a pergunta que passou a circular não é se pode haver substituição. É se Sandro resistirá até a Expoingá, em Maringá, marcada de 7 a 17 de maio. A próxima grande feira do calendário agro virou, desde já, o novo ponto de observação da sucessão estadual. Se Londrina serviu para mostrar movimentação de cúpula, Maringá tende a funcionar como teste de sobrevivência política do nome escolhido por Ratinho.
A dúvida não nasce do nada. Sandro foi lançado para manter o grupo vivo depois do fracasso de Guto, mas entrou na corrida carregando um campo congestionado, com Moro liderando e com nomes como Rafael Greca (MDB) e Alexandre Curi (Republicanos) ainda presentes no horizonte das negociações. O próprio noticiário sobre a escolha de Sandro registrou que Ratinho o empurrou para a sucessão como forma de preservar o grupo e tentar repetir, em escala paranaense, uma operação de projeção política pela vitrine da infraestrutura.
Há um dado que ajuda a explicar por que a ansiedade está no mundo político, e não ainda no eleitor comum. Na espontânea da Paraná Pesquisas, 72,9% dos entrevistados disseram não saber em quem votar para governador. Isso quer dizer que a massa do eleitorado ainda não entrou de cabeça no jogo, enquanto os partidos já estão em modo de emergência, medindo palanque, vice, Senado e chapa proporcional como se a campanha tivesse começado.
A segunda-feira (20), portanto, começa com uma pauta local clara para o Paraná. A ExpoLondrina terminou, mas deixou a sucessão em ebulição. Ratinho anunciou Sandro Alex, porém não matou a dúvida central do seu campo. Pelo contrário. A ressaca da feira empurrou essa dúvida para o centro da cena: o escolhido do governador vai chegar inteiro até Maringá ou será devorado antes pelo próprio ritmo da política?
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
