Direita se divide no Senado e PT vê Gleisi na briga por uma das vagas no Paraná

A Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira (10 de junho) mostra a direita paranaense dividida entre Alexandre Curi, Filipe Barros, Deltan Dallagnol, Alvaro Dias e Cristina Graeml, enquanto o PT tenta organizar Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha para disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026.

A eleição para o Senado no Paraná terá duas cadeiras em jogo e dois votos por eleitor. A aritmética muda tudo. Um campo político pode ter mais candidatos competitivos e, ainda assim, perder uma vaga se dividir demais o voto.

O levantamento PR-06978/2026 ouviu 1.500 eleitores em 56 municípios entre os dias 7 e 9 de junho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.

No cenário estimulado mais amplo, Alvaro Dias aparece com 37,7%. Deltan Dallagnol, ex-deputado cassado, marca 28,1%. Gleisi Hoffmann vem com 25,2%. Filipe Barros registra 24,2%. Alexandre Curi soma 23,4%. Cristina Graeml tem 13,1%. Dr. Rosinha aparece com 7,6%. Hauly fica com 3,5%.

Candidato Porcentagem Representação Visual
Alvaro Dias 37,7% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Deltan Dallagnol 28,1% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Gleisi Hoffmann 25,2% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Filipe Barros 24,2% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Alexandre Curi 23,4% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Cristina Graeml 13,1% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Dr. Rosinha 7,6% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Hauly 3,5% ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?

O dado bruto mostra Alvaro na frente e quatro nomes embolados na disputa pela segunda vaga: Deltan, Gleisi, Filipe e Curi. A diferença entre Gleisi, Filipe e Curi é inferior a dois pontos percentuais no cenário com Alvaro.

Quando Alvaro Dias é retirado da lista, a disputa fica ainda mais apertada. Deltan vai a 30,5%, Filipe Barros chega a 30%, Alexandre Curi marca 28,9% e Gleisi Hoffmann aparece com 27,9%. Cristina Graeml sobe para 17,4%, Dr. Rosinha vai a 11,6% e Hauly registra 4,7%.

A distância entre Deltan e Gleisi, nesse cenário sem Alvaro, é de 2,6 pontos percentuais, exatamente a margem de erro informada pelo instituto. Em linguagem direta: a briga pela segunda cadeira está tecnicamente aberta.

A Paraná Pesquisas, porém, não divulgou um cenário sem Deltan Dallagnol. Essa ausência pesa porque o PT afirma que o ex-deputado cassado está inelegível e não poderá disputar o Senado em 2026. Deltan e o Novo contestam essa leitura e sustentam que ele poderá registrar candidatura.

O Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro de Deltan em 2023. O debate de 2026 será outro: saber se a Justiça Eleitoral aceitará ou barrará uma nova candidatura ao Senado. Essa decisão, se judicializada, pode deslocar votos antes mesmo da urna.

A direita não está sem nomes. Ela está fatiada em correntes diferentes.

Ratinho Junior já escolheu Alexandre Curi (PSD) para disputar o Senado pelo grupo do Palácio Iguaçu, dentro da engenharia que tem Sandro Alex (PSD) como nome do governador à sucessão estadual. Curi representa a máquina política, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), prefeitos, deputados e a lógica de continuidade do poder estadual.

Cristina Graeml aparece como variável de acomodação. Segundo o Palácio Iguaçu, ela poderá concorrer à Câmara dos Deputados. Se isso ocorrer, o grupo de Ratinho reduz a sobreposição interna e tenta proteger Curi na corrida ao Senado. O presidente da Alep trabalha para ser o segundo voto de todos, quando se apresenta como candidato único do grupo governista.

O bolsonarismo orgânico aposta em Filipe Barros (PL). Ele disputa o voto ideológico de direita, o eleitor fiel a Jair Bolsonaro e o campo que rejeita Lula, o PT e o Supremo Tribunal Federal (STF). Filipe entra na corrida com identificação nacional no bolsonarismo e com base própria no Paraná.

O lavajatismo joga suas esperanças em Deltan Dallagnol (Novo). O ex-procurador ainda carrega recall da Operação Lava Jato e aparece numericamente competitivo nos dois cenários testados. A fragilidade está no campo jurídico, pois sua candidatura tende a ser questionada pelo PT e por adversários.

Alvaro Dias segue como nome de memória eleitoral forte. Quando aparece na lista, lidera com folga. Quando sai, seus votos não se transferem automaticamente para um único candidato da direita. A pesquisa sem Alvaro mostra Deltan, Filipe, Curi e Gleisi no mesmo pelotão.

No campo progressista, o PT tenta transformar a eleição de duas vagas em operação de voto casado. Gleisi Hoffmann é o nome principal. Deputada federal, ex-ministra e presidente nacional do PT, ela tem musculatura partidária, identidade lulista e presença nacional.

Dr. Rosinha aparece como opção de segundo voto ao eleitor progressista. A função política dele é reduzir a fuga do segundo voto petista para candidaturas de direita ou centro-direita. Em uma eleição com duas escolhas, esse detalhe pode definir a cadeira.

A conta do PT é simples. Gleisi precisa consolidar o primeiro voto da esquerda e impedir que o segundo voto do campo lulista ajude a eleger adversários. Dr. Rosinha entra para oferecer uma alternativa interna ao eleitor que não quer votar na direita.

A direita enfrenta o problema oposto. Curi, Filipe e Deltan falam com públicos diferentes, mas pescam em parte do mesmo lago antipetista. Se Alvaro continuar no jogo, a disputa por duas vagas fica ainda mais congestionada. Se Cristina Graeml permanecer no Senado, a fragmentação aumenta.

O Palácio Iguaçu tenta organizar a própria fila. O bolsonarismo quer afirmar Filipe. O lavajatismo depende de Deltan. Alvaro preserva capital próprio. Cristina mede espaço entre Senado e Câmara. Essa soma produz força eleitoral, mas também risco de dispersão.

Gleisi tem uma vantagem estrutural nessa matemática: a esquerda tem menos nomes competitivos e maior necessidade de disciplina. A dificuldade está na rejeição e na capacidade de furar a bolha petista em regiões onde o antipetismo segue forte.

A disputa pelo Senado no Paraná, portanto, não pode ser lida apenas pelo ranking dos nomes. A pergunta decisiva é como cada eleitor usará o segundo voto.

Se o eleitor de direita dividir seus dois votos entre muitas chapas sem coordenação, Gleisi pode atravessar a avenida pelo meio da confusão. Se o eleitor progressista votar em Gleisi e desperdiçar o segundo voto, a esquerda pode ajudar a direita a ocupar as duas cadeiras.

A pesquisa mostra uma vaga com cheiro de direita e outra em disputa real. O mundo político costuma repetir que uma cadeira ficará com a direita e outra com a esquerda. A urna, porém, exige combinação com os eleitores em 4 de outubro de 2026.

O cenário sem Deltan continua sendo a pergunta não feita pela Paraná Pesquisas. Sem ele, o voto lavajatista iria para Filipe, Curi, Alvaro, Cristina ou se dividiria em protesto? Essa resposta pode decidir se Gleisi entra no Senado ou se a direita fecha as duas vagas.

A eleição paranaense para o Senado saiu da fase dos nomes e entrou na fase da aritmética. Duas vagas, dois votos, muitas direitas e uma esquerda tentando votar em bloco.

Leia mais análises sobre as eleições de 2026 no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *