DataTraiano testa Graeml ao Senado e acende novo racha na base de Ratinho

A Radar Inteligência registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça (16), a pesquisa PR-01667/2026 sobre a disputa ao governo do Paraná e ao Senado, com divulgação prevista para 22 de junho; o questionário inclui Cristina Graeml na lista ao Senado, movimento que ameaça reabrir a disputa interna na base de Ratinho Junior antes das convenções partidárias.

Depois do DataRatinho, que gerou polêmica na segunda-feira (15), entra no campo da política paranaense o levantamento da Radar, instituto conhecido na Boca Maldita como DataTraiano.

O registro informa 625 entrevistas presenciais e domiciliares, com campo entre 17 e 21 de junho, margem estimada de quatro pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A contratante é D’Ponta Mídias e Consultoria Ltda, do Grupo D’Ponta. O valor informado é de R$ 27,5 mil.

O ponto central não está em números ainda não divulgados. Está no desenho da pesquisa.

A Radar testa para o governo Luiz França, Rafael Greca, Requião Filho, Sandro Alex, Sergio Moro e Tony Garcia. Também mede rejeição aos mesmos nomes e simula três cenários de segundo turno: Requião Filho com apoio de Lula contra Sandro Alex com apoio de Ratinho Junior; Sandro Alex com apoio de Ratinho Junior contra Sergio Moro com apoio de Flávio Bolsonaro; e Requião Filho com apoio de Lula contra Sergio Moro com apoio de Flávio Bolsonaro.

O levantamento, porém, tem uma trava metodológica que precisa ser dita ao leitor: apesar de tratar de governo e Senado, a metodologia descreve a amostra como representativa do eleitorado do município de Ponta Grossa. Portanto, o resultado não pode ser lido como retrato estadual do Paraná, mas como termômetro político de uma praça relevante dos Campos Gerais.

É nesse recorte que o nome de Cristina Graeml ganha peso político.

No disco azul do Senado, o questionário apresenta Alexandre Curi, Álvaro Dias, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann, Luiz Carlos Hauly e Rosane Ferreira. Como o Paraná elegerá dois senadores em 2026, o entrevistado é orientado a indicar dois nomes e a não repetir o mesmo candidato.

A presença de Graeml no Senado causa urticária na tropa de Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), como já registrou o Blog do Esmael. Curi trabalha para ser o nome preferencial do bloco governista na disputa por uma das duas vagas. Graeml, se empurrada para a mesma faixa de eleitorado, pode abrir um segundo conflito dentro da chapa apoiada por Ratinho Junior.

O primeiro conflito está dentro da própria sucessão de Ratinho Junior. Sandro Alex passou a ser tratado como a aposta principal do Palácio Iguaçu depois de Guto Silva foi defenestrado pelo grupo, mas a candidatura ainda precisa provar força fora da máquina estadual. Rafael Greca tenta ocupar o centro pelo MDB; Sergio Moro busca capturar a direita com apoio de Flávio Bolsonaro; e Requião Filho organiza o campo lulista no Paraná.

O segundo conflito pode migrar para o Senado. Alexandre Curi precisa de unidade, estrutura e preferência na base governista. A entrada de Cristina Graeml no teste da Radar embaralha essa conta, porque disputa eleitorado de direita e pode canibalizar a chapa apoiada por Ratinho Junior.

Ela fala com parte do eleitorado de direita que não se sente representado pela política tradicional da Assembleia Legislativa. Curi, por outro lado, depende da máquina, dos prefeitos, da base parlamentar e da costura feita no Palácio Iguaçu. Os dois nomes no mesmo ambiente podem transformar a eleição ao Senado em uma guerra favorável ao bolso-lavajatismo.

A pesquisa também pergunta sobre a administração municipal de Ponta Grossa, a maneira de governar da prefeita Elizabeth, a avaliação do governo do Paraná, a aprovação de Ratinho Junior, a avaliação do governo federal e a aprovação de Lula. Ou seja, o questionário cruza eleição estadual, eleição ao Senado, força local e avaliação dos governos.

Esse desenho interessa ao grupo de Ratinho Junior porque Ponta Grossa é território estratégico. O município tem peso regional, influência nos Campos Gerais e serve como medidor de temperatura para uma direita que se divide entre o bolsonarismo, o governismo estadual e projetos locais.

O calendário aperta. O TSE marcou as convenções partidárias de 20 de julho a 5 de agosto. Até lá, pré-candidatos ainda podem testar nomes, medir rejeições e negociar vagas, mas a conta política começa a virar chapa.

Se a Radar confirmar força de Cristina Graeml no Senado, Ratinho Junior terá de decidir se acomoda a jornalista no mesmo espaço de Alexandre Curi, se desloca uma peça ou se aceita um racha antes mesmo da largada oficial.

A viagem internacional do governador aumenta o custo da indefinição. Com Ratinho Junior fora das conversas olho no olho, aliados tendem a disputar espaço no vácuo. E pesquisa, no Paraná, nunca é apenas pesquisa. É senha, recado e pressão.

O DataTraiano ainda não entregou os números. Mas o questionário já mostrou o problema: a sucessão de Ratinho Junior pode ter dois palanques em atrito, um no governo e outro no Senado.

Leia, comente e compartilhe: o Blog do Esmael acompanha o registro das pesquisas, os bastidores das convenções e a disputa real pela chapa majoritária no Paraná.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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